@OrthoNordestino A natureza humana de Cristo recebe um modo de subsistência criado — uma realidade modal criada — que é dependente da subsistência divina e por ela elevado e terminado, mas que é genuinamente distinto dela. Dá pra dizer que há na hipóstase de Cristo um elemento criado real
" (...) Podemos partir do seguinte princípio: no oculto, faz-se obra; publicamente, no entanto, ela é desfrutada. Se Satanás aparece, é porque algo da obra está feito e, consequentemente, ele se sente à vontade para desfrutá-la. Não se enganem com a presunção de conforto, pois, de fato, estamos vivendo um tempo de muitos sinais escatológicos.
Podemos também partir de outro princípio: o Diabo só aparece quando isto não produz nenhuma causa contrária ao seu empreendimento. Se ele se sente à vontade para aparecer, é porque ou o homem é cético demais para crer, ou porque é supersticioso demais ao crer, ou porque está disposto demais para adorar
E embora as três coisas aconteçam ao mesmo tempo, parece que a última é a que a mais se manifesta. Hoje temos países permitindo estátuas de demônios. Nem os pagãos blasfemaram tanto, pois ao menos os demônios estavam considerados sobretudo em seus meros poderes naturais. No mundo moderno, no entanto, são considerados enquanto opositores mesmos do bem (...)"
@katclysmicgrace Não tinha visto. É que sou bem cabeça de alumínio e escrevia bastante juntando os pontos sobre essas coisas e escatologia. Acontece que nos últimos meses com o que tem acontecido no mundo está tudo bem real
A memória vívida do estado anterior é ela própria uma graça. João da Cruz diria que a alma que conheceu o estado de tepidez e saiu dele tem um conhecimento experiencial da sua própria fragilidade que é mais valioso do que nunca ter caído, porque produz uma humildade enraizada na realidade e não na teoria.
E que não venha com textos sobre obras, sobre luta contra a concupiscência, sobre mortificação do velho Adão, nem sobre qualquer mudança acidental no regime dos atos humanos. Isso nunca esteve em questão. O que ele tem de mostrar é um único documento dogmático onde se ensine que o homem recebe uma justiça inerente, uma qualidade infusa na alma, pela qual ele seja formalmente justo diante de Deus, e não apenas declarado justo por uma imputação extrínseca. Se a concupiscência que permanece é ela própria verdadeiro pecado como confessa a Fórmula de Concórdia, então o homem regenerado continua intrinsecamente depravado, e a justiça que o cobre é para sempre forense. Onde está o texto que diz que o cristão, nesta vida, pode ser interior e verdadeiramente justo com uma justiça que lhe pertence por inerência ontológica? Porque se esse texto não existe, então o que chamam de santificação é a administração de um cadáver que continua morto sob o perdão, e não a ressurreição da alma pela graça santificante. É isso que me recuso a chamar de santidade, mas os reformados espertinhos aqui são leões pra citar versículos soltos pra gerar discussão baixo nível e na hora de discutir o Sola Fide de verdade não querem.
O Sola Fide é quase sempre espantalhado nessas discussões e isso resulta num católico e um protestante discutindo um ponto que na verdade eles concordam, cômico.
A questão é o que é a justificação enquanto tal. Para o luterano é um ato forense, Deus declara o pecador justo pela imputação exterior da justiça de Cristo. O pecador continua pecador internamente mas é tratado como justo. A justiça é sempre exterior, sempre imputada, nunca transformação real interior. Daí o simul iustus et peccator como estado permanente do cristão nesta vida.
Para Trento a justificação é ontológica, Deus não apenas declara o pecador justo, ele o torna justo pela graça santificante infundida que renova realmente a alma. As obras cooperam não por mérito autônomo mas porque são expressão real da graça transformante. Como Agostinho diz, ao coroar os nossos méritos Deus coroa os Seus próprios dons.
A diferença prática aparece em três pontos: na certeza absoluta da salvação que o luterano pode ter e o católico não, precisamente porque a justificação católica depende de um estado interior real que pode ser perdido; no papel dos sacramentos, instrumentos que causam a graça para o católico, sinais que confirmam a fé para o luterano; e na possibilidade da deificação real, participação ontológica na natureza divina que 2 Pedro 1:4 descreve e que a soteriologia forense luterana estruturalmente não comporta. Eles não acreditam na santidade.
@katclysmicgrace De fato podemos concordar, porém, o entendimento de Sola Fide que vc tem é precário. O ponto da justificação pela fé é: as obras são meritórias para a salvação? A Epistola de Tiago não afirma isso
As obras são consequências naturais da fé verdadeira+
@Eschlastic@NathLachmann A incapacidade de distinguir entre a descrição de um sistema e a acusação das suas consequências lógicas... Obviamente não estou fazendo uma exposição como um catecismo luterano, e um luterano negaria o que afirmei, mas é justamente aí que se dá a discussão. Inepto