Não é só uma voz que se cala;
é uma filha que se foi,
é uma mãe que não volta.
Quantos morrem naquele que morre?
Com você, Marília, morreu uma multidão.
Respeite o passado, mas não incorra no erro de superestimá-lo ou desprezá-lo.
Até do que foi bom nós precisamos nos desprender, já que não é possível viver de memórias.
Ao passado coube a função de nos trazer até aqui, e só.
O que da vida nos pertence é o momento presente.
E se for para se desencantar, desencante-se. Mas desencante-se até o fim, até não sobrar mais nem um resquício de ilusão.
Porque um desencanto pela metade não produz cura, não fecha a porta, não permite reinícios.
Permaneça na essência, viva na essência. Para que as decisões importantes sejam tomadas pela sua identidade essencial. Quando estamos fora do eixo de nossa verdade, nossas escolhas não nos felicitam, pois estão a serviço dos que nos escravizam com suas expectativas.