PRIMAVERA
A musa que passou
não era a que sabias.
Vinha em lua minguante
a espaços vestida
por espelhos azuis
e narcisos de frio.
Que remanso tão meigo
em seus peitos havia!
Que miosótis e leite
em suas veias tíbias,
três tangentes tocavam
o seu coração dúbio.
Não lhe soubeste o corpo —
terra da madrugada
que se dava ferida,
nem os seus cursos de água.
Olhavas tão ao longe,
enquanto o amor te olhava.
Maria da Saüdade Cortesão
ABANDONO
Ave maluca que pousou sozinha
Na praia triste, e debicava a espuma
Que uma onda deixou,
O bando olhou-a lá do céu que tinha,
Viu-a perder as horas uma a uma,
E voou.
Era um trigal inteiro que acenava
À prática avidez do seu destino!
Ficasse quem comia solidão.
Ficasse singular quem desejava,
Peregrino,
Na flor das vagas encontrar o pão.
Miguel Torga
A segunda vinda de "Até você saber quem é" [THREAD]
Novidade (outras a caminho): meu primeiro romance está sendo reeditado pela @EditoraSator, com a colaboração de um time de craques. Capa do @AndrasAtlason, prefácio do @bernardobranda8 e edição do @posmilenarismo. Segue o fio:
Meu romance As Almas que se Quebram no Chão continua, o que muito me alegra, instigando novas leituras e análises. Desta vez, segue o texto escrito por Dmítri Ramus. Boa leitura!
No Substack:
https://t.co/TzuqWcR89X
RIP Alexei Bueno (1963-2026)
“Carioca, antologiador, importante ensaísta. Alexei utiliza imagens vivas, duras, incandescentes da realidade, com choque de oposições, do plasma de saber que a alucinação tem do abismo a beleza e no fulgor, o cristal da sombra e que se encontra, com voz ancestral, na criação de Cruz e Souza e Augusto do Anjos. Lucidez e raiz pessimista, vincada a Machado de Assis, solidifica o poema de Alexei. De humanidade orgânica, no escuro da luz.” (Carlos Nejar, História da Literatura Brasileira, 2022, p. 1084-1085).
Uma das maiores alegrias de publicar um romance é descobrir aspectos da obra que bons leitores percebem com mais clareza do que o próprio autor.
Numa nova resenha sobre O Advento, o jovem Paulo França, de Manaus (@paulo_o_renan), propõe uma interessante reflexão sobre os temas do livro.
Trecho:
"O Advento é um livro que eu não consegui parar de ler, mas não porque seja um desses best-sellers cheios de açúcar. Pelo contrário: a 'ação' vai se desenvolvendo sem pressa. Sabemos que estamos sendo conduzidos a algum lugar, a algum ato heroico ou não. Somos convidados a descobrir até onde vai a imaginação do autor e até que ponto a natureza humana, livre das amarras da moralidade, é uma opção viável de existência."
A resenha completa está disponível no meu Substack:
https://t.co/ROaa6vtuun
e também na página de O Advento na Amazon.
Boa leitura.
«Nunca se fez romance nem arte com ideologias. As ideologias é que procuram os artistas para servir-se de suas descobertas no humano.» [José Lins do Rego]
https://t.co/ZNnCxGf0cd
A obra magna do maior poeta vivo do Brasil está com 32% de desconto.
Carlos Nejar, imortal da Academia Brasileira de Letras, levou mais de 40 anos construindo A Terra dos Viventes — um painel poético da humanidade que recebeu elogios de Carlos Drummond de Andrade, Pedro Lyra, Ivan Junqueira e muitos outros.
Para quem ama poesia, esta é uma edição imperdível.
📖 Capa dura | 1.242 páginas
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