QUEM MAIS MATA NO BRASIL?
O juiz fitou o homem que acabara de disparar contra o presidente egípcio Anwar Sadat e perguntou, sem elevar a voz, por que o havia matado. Porque ele era seglar. O silêncio que se seguiu pesava mais que a sentença. O que significa “seglar?”, insistiu o juiz. O assassino engoliu em seco. Não sei. Em outra sala, outro julgamento. O réu tentara matar o escritor Naguib Mahfouz. Por que o esfaqueou? Porque escreveu um romance contra a religião. Você leu o livro? Não. Então por que tentou matá-lo? Porque me disseram que era contra a religião. Em um terceiro tribunal, mais um homem, acusado de assassinar o intelectual Farag Fouda. Por que você o matou? Porque ele não tinha fé. Como sabe? Está nos livros dele. Em qual livro? Silêncio. Eu não sei. Nunca os li. Por quê? O homem baixou a cabeça, como quem confessa o que o mundo inteiro já sabe. Eu não sei ler nem escrever. Três julgamentos. Três mortes. Um único padrão. Matava-se por ideias que não se compreendiam. Condenava-se por palavras que jamais foram lidas. Odiava-se conceitos que nem sequer se sabiam definir. Não era convicção. Era repetição. Não era fé. Era eco. Não era certeza. Era obediência cega. A violência não nasceu do pensamento. Nasceu da sua ausência. O ódio não se propaga pelo conhecimento. Espalha-se onde o conhecimento não chega. E toda vez que uma sociedade abdica de educar, não produz apenas ignorantes. Produz armas humanas: pessoas que não sabem por que atiram, mas estão dispostas a fazê-lo. Este é o preço invisível da ignorância.
*Texto de autor desconhecido
Repórter Caco Barcelos
#PapoDesprogramado
Esse vídeo da Jornalista Natuza deveria viralizar nas redes sociais, esse vídeo é muito importante, a muito não via uma Jornalista fazer um alerta tão importante como esse.