Há 66 milhões de anos, um asteroide de 13 quilômetros atingiu a Terra a 20 quilômetros por segundo e abriu a cratera de Chicxulub. Todo mundo conhece essa parte da história. O que quase ninguém conta é o que aconteceu nas horas seguintes — e é exatamente aí que mora a resposta para a maior pergunta da paleontologia: o que, de fato, matou os dinossauros em terra firme? Um estudo publicado em 2026 no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences, liderado por Brandon Johnson, da Universidade Purdue, reacende uma hipótese poderosa: a de que o calor extremo e os incêndios florestais foram os verdadeiros algozes da vida terrestre no fim do Cretáceo. A peça-chave da nova pesquisa é algo que esteve escondido nas rochas o tempo todo: uma quantidade colossal de poeira fina. Quando o asteroide vaporizou a própria rocha, uma pluma gigantesca subiu acima da atmosfera. Dela condensaram bilhões de microesferas de vidro de cerca de 250 mícrons, as esférulas — mas 44% do vapor nunca condensou. Esse material seguiu trajetórias balísticas ao redor do planeta e, na reentrada, esférulas e vapor se separaram na alta atmosfera, um fenômeno que os pesquisadores mediram com um novo parâmetro físico. O vapor restante esfriou e virou uma poeira silicatada finíssima, de grãos menores que 3 mícrons, encontrada hoje em sítios como Tanis, na Dakota do Norte — numa camada rica em irídio que não contém esférulas — e na Bacia Raton, onde o material do asteroide aparece confinado a uma camada de poeira depositada anos depois do impacto. O efeito dessa poeira foi devastador. Com 1,6 quatrilhão de quilos de partículas na alta atmosfera, o planeta ganhou um cobertor praticamente opaco: o calor irradiado pela reentrada das esférulas não conseguia escapar para o espaço e era devolvido à superfície. Os cálculos mostram que os organismos do Cretáceo receberam 17 vezes a dose letal de radiação térmica — suficiente para acender capim, liquens e agulhas de pinheiro em menos de um minuto e transformar florestas inteiras em brasas. Não por acaso, sobreviveram os animais que se abrigaram em tocas ou na água, e as aves — o único grupo de dinossauros vivo hoje — incluíam exatamente as espécies que sabiam se esconder. Não foi sorte: foi seleção por abrigo, gravada no registro fóssil. Neste vídeo, reconstruímos a física daquele dia passo a passo: o impacto, a pluma de vapor, a chuva global de vidro incandescente, a separação no céu, o cobertor de poeira e o forno que se seguiu. Também entramos no debate com o vulcanismo de Deccan e mostramos por que, para a vida em terra, o golpe mortal veio do fogo — e não da escuridão que veio depois. Fonte: Johnson, B. C., Johnson, A. V., Wakita, S., & Robertson, D. S. (2026). Heat and wildfires during the K-Pg mass extinction enhanced by fine dust. Journal of Geophysical Research: Biogeosciences, 131, e2026JG009837. DOI: 10.1029/2026JG009837 (acesso aberto, CC BY). Se você gosta de ciência contada com rigor e emoção, inscreva-se no canal, ative o sininho e deixe nos comentários: você já conhecia o papel da poeira fina nessa história? #CHICXULUB #ASTEROID #UNIVERSE
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@KakarotoOyabun Enquanto nao saírem do bairro não terão noção do que tem fora. A primeira vez que viajei a única coisa que eu pensava era pq carvalhos no Brasil nao é assim. A diferença é enorme
essa é a melhor explicação sobre a parábola do joio e do trigo, sensacional , para aqueles que perguntam pq Deus deixa o mal continuar existindo essa é uma excelente resposta