No Brasil, tudo vira escárnio — e isso é proposital.
A sucessão interminável de escândalos produz três efeitos devastadores: dessensibiliza a população, normaliza o que deveria ser inaceitável e instala um sentimento permanente de impotência.
Com o tempo, as pessoas simplesmente param de se indignar. A repetição constante de absurdos anestesia, impede uma reação e transforma o que deveria ser inaceitável em algo que tornou-se parte da rotina.
A mais alta corte da Itália expõe regime de censura e perseguição política no Brasil, impondo derrota acachapante a Moraes
A mais alta corte da Itália acaba de fazer o que a Justiça brasileira ainda não teve a capacidade de fazer: olhar para a atuação de Moraes e enxergar, com todas as letras, a impossibilidade de qualquer juiz ser, ao mesmo tempo, investigador, vítima, julgador e executor da sentença.
A Corte Suprema de Cassação (equivalente ao Supremo brasileiro) anulou sem reenvio (sem possibilidade de reabertura do caso) a sentença que autorizava a extradição. Não foi tecnicalidade. A decisão, depositada em 11 de junho de 2026, declara a INSUBSISTÊNCIA das condições para entregar Zambelli ao Brasil e determina sua imediata libertação. Na prática, o Judiciário italiano reconheceu que o processo conduzido sob a batuta de Moraes feriu o núcleo essencial do direito de defesa.
E o fundamento é demolidor.
Vale lembrar como o sistema brasileiro tem operado: no Supremo, o mesmo ministro investiga, prende, relata, julga e executa. A corte italiana descreveu exatamente isso. Segundo a sentença, Moraes "é pessoa ofendida do procedimento penal objeto do pedido de extradição; conduziu pessoalmente as investigações, decretou as medidas cautelares, ordenou prisões". Ou seja: ofendido pelo crime, investigador, autor das cautelares, relator no julgamento de mérito e responsável pela execução. Tudo na mesma mão.
A corte foi além. Reconheceu que é INDISCUTÍVEL que Moraes figura como pessoa prejudicada, dado o dano "ao menos reputacional, causado pela introdução no sistema informático do Conselho Nacional de Justiça do ato relativo ao falso mandado de prisão emitido contra ele". Traduzindo: o documento falso era um mandado de prisão contra o próprio Moraes, e foi ele quem julgou quem o teria forjado.
Há um nome jurídico para isso em qualquer democracia funcional: suspeição. Não existe justiça sem imparcialidade, e não é possível haver imparcialidade quando a vítima é o julgador.
Na verdade, o tribunal de Roma aplicou a régua da própria Corte Europeia de Direitos Humanos, citando os critérios que definem uma "negação flagrante de justiça". E foi categórico: a falta de imparcialidade tem força contaminante, capaz de tornar sem significado todas as demais garantias do processo. Uma única peça envenenada estraga o caldo inteiro.
Enquanto isso, o que fez o Estado brasileiro? Confrontado com os indícios de parcialidade, o governo Lula respondeu com burocracia, ancorado em "meras considerações de caráter formal", sem enfrentar o mérito da acusação.
O golpe final está no diagnóstico sobre o conjunto da obra. Os juízes italianos não viram irregularidade pontual, viram um processo inteiro maculado, com a quebra de imparcialidade lançando "uma sombra de preconceito sobre seu desenvolvimento completo, da admissão das provas até a pronúncia da decisão final". É a descrição precisa de um estado de exceção operando sob a fachada de legalidade.
Vale registrar quem assinou: o presidente Gaetano De Amicis e a conselheira relatora Debora Tripiccione, magistrados de carreira da corte de cúpula de um dos países fundadores da Civilização Ocidental. Não são "bolsonaristas". São juízes lendo os autos e constatando o óbvio que a militância de redação passou anos tentando esconder.
Porque é disso que se trata. Durante meses, fomos informados de que Zambelli era apenas uma "foragida da Justiça". O que ninguém contou ao público foi que o juiz da causa era a suposta vítima do crime, condição que faria qualquer estudante de direito de primeiro ano apontar nulidade. Coube a uma corte estrangeira dizer em voz alta o que o establishment jurídico brasileiro tratou como tabu.
E não foi só a Itália. O caso de Zambelli é o ponto mais recente de uma sequência reveladora. Em dezembro de 2025, a Audiência Nacional da Espanha, a mais alta corte penal do país, negou em definitivo a extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio, reconhecendo de forma expressa a "evidente conexão e motivação política" do pedido brasileiro, e rejeitou todos os recursos do governo Lula. Na Argentina, a comissão nacional de refúgio reconheceu o "temor de perseguição política" e concedeu asilo a Joel Borges Corrêa, condenado pelo Supremo pelo 8 de janeiro, travando sua entrega depois que os próprios juízes argentinos já a haviam autorizado. E nos Estados Unidos, onde Moraes foi alvo de sanções da Lei Magnitsky, a recusa foi ainda mais direta: segundo a Folha, ao analisarem o pedido de extradição do jornalista Allan dos Santos, agentes do FBI disseram às autoridades brasileiras, em reunião no próprio Ministério da Justiça, que as condutas imputadas a ele não eram crime nos EUA, esbarravam na liberdade de expressão e que o conteúdo apresentado eram, na frase que ficou, "apenas palavras".
Somados, os casos revelam um padrão. Toda vez que a engrenagem montada por Moraes é submetida ao crivo de uma instituição estrangeira que ele não controla, o veredito é o mesmo. Aquilo que no Brasil se vende como aplicação da lei, lá fora é reconhecido como o que é: perseguição política.
Esta não é apenas uma vitória de Carla Zambelli. É uma derrota acachapante de Moraes e do Supremo, e de um modelo de poder que confunde o ministro com a lei.
Na prática, o recado italiano é simples e devastador: o resto do mundo não é obrigado a fingir que o que se faz no Brasil é justiça.
É preciso, de uma vez por todas, colocar fim ao estado de exceção que foi aberto no Brasil em 2019, com o chamado "Inquérito das Fake News". Aquilo nunca foi um inquérito no sentido próprio do termo. Foi, na prática, um Ato Institucional do Supremo: instaurado de ofício pelo então presidente da Corte, com Moraes na relatoria, sem o Ministério Público, reunindo na mesma mão as funções de investigar, acusar e julgar. Não por acaso, ainda em 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu sua anulação e o classificou como um "verdadeiro tribunal de exceção".
E isso só termina de um jeito: com o fim desse inquérito e a anulação de todas as decisões dele derivadas, acabando com a condenação, a censura e a prisão de centenas de perseguidos políticos brasileiros.
Vermelhos Contra Azuis
Socialismo é uma combinação de duas coisas: um sistema político totalitário e um sistema econômico baseado em estatização e no fim da propriedade privada. Para todos os efeitos práticos, socialismo e comunismo são sinônimos.
A justificativa para a implantação do socialismo é eliminar as diferenças de renda e patrimônio entre as pessoas. A expressão usada é “redução da desigualdade”. Os socialistas buscam realizar uma “justiça social”, vagamente definida como um estado de coisas perfeito, no qual todos viverão nas mesmas condições e não haverá oprimidos ou opressores. Essa é uma visão religiosa de um paraíso terrestre.
Nos países socialistas/comunistas um grupo de burocratas estatais controla as vidas de milhões de pessoas, determinando o que deve ser produzido, quem pode consumir a produção e o tipo de liberdade que pode ser exercida.
A realidade dos sistemas socialistas/comunistas é de opressão, mediocridade e escassez para a maioria da população (nesse sentido, pode-se dizer que a “desigualdade” foi eliminada, pois estão todos iguais na pobreza) e de luxo e opulência para os burocratas que controlam o Estado (na União Soviética esses burocratas eram conhecidos como nomenklatura).
Nunca houve um regime socialista ou comunista que não fosse uma ditadura.
Nunca houve um grande líder socialista ou comunista que não tivesse ficado rico no exercício do poder.
“Capitalismo” é um termo criado pelo socialista Louis Blanc, usado para atacar o sistema econômico de livre mercado e de trocas voluntárias. O incauto compara o “social” de socialismo com o “capital” de capitalismo e conclui que o socialismo é a melhor opção. Depois paga caro por esse erro.
Foi o sistema “capitalista” de livre mercado que retirou a maioria da humanidade da pobreza extrema através da Revolução Industrial, um processo de transformação mundial que começou na Inglaterra em 1760. Enquanto os ingleses inventavam máquinas e novas formas de fabricar coisas mais rápido e barato, os franceses se matavam em nome da igualdade na Revolução Francesa, e depois espalhavam morte e destruição por toda a Europa através das guerras do imperador Napoleão (sim, a parte final da Revolução Francesa foi aclamar um imperador). Finalmente, em 1815, as duas revoluções se enfrentaram em Waterloo e Napoleão foi derrotado. A monarquia francesa seria restaurada e a França ainda veria muitas revoluções em 1830, 1848 e 1871. A Revolução Francesa seguiria servindo de inspiração para novas revoluções na Rússia, na China e em Cuba.
Nesse meio tempo surge o marxismo, uma doutrina socialista criada por um alemão mesquinho e ególatra, que misturava ressentimento contra os ricos com ignorância dos fundamentos da economia. As ideias centrais do marxismo são a luta de classes (o conflito de pobres contra ricos é o motor da história), o materialismo (Deus não existe e religiões são ilusões), o determinismo (as ideias de uma pessoa são as ideias de sua classe) e a fé na revolução violenta como único caminho para implantar a justiça social. Marx dependeu da mesada de um amigo rico a vida inteira, esbanjou a fortuna herdada pela mulher e morreu na miséria, depois de engravidar a empregada da família e abandonar a criança. Duas de suas filhas adultas se suicidaram.
O marxismo pode ser descrito como um meme, segundo a definição do biólogo Richard Dawkins: um vírus mental, uma ideia parasita que pula de uma mente para outra. Apesar de ser uma mentira evidente, o socialismo se recusa a morrer. Há pelo menos duas explicações para isso.
Primeiro, como o socialismo concentra poder e riqueza no Estado, as políticas socialistas agradam à maioria dos políticos. Isso acontece inclusive com a maioria dos políticos “de direita” que, muitas vezes, nem conseguem perceber o caráter socialista das medidas que aprovam. O Brasil está cheio desses políticos.
A segunda razão é a eficiência da propaganda socialista, que conta com o apoio da maioria dos professores universitários, intelectuais e artistas.
A ideologia socialista é, ao mesmo tempo, uma religião e a principal forma de ganho econômico de muitos militantes. Política não é um assunto tratado por socialistas no seu tempo livre. Para eles, política é a razão da existência.
Retire a militância da maioria dos socialistas e pouco restará em sua vida. Os cargos que ocupam, as profissões que exercem, as remunerações que recebem, as entrevistas que eles dão, os convites para participar de programas de TV e podcasts, os prêmios, os livros que conseguem publicar, as honrarias, bolsas e financiamentos com que são contemplados, tudo isso está estritamente ligado à militância. Por isso, socialistas são militantes 24 horas por dia e não deixam passar nenhuma oportunidade de empurrar suas pautas.
A sobrevivência deles depende disso.
Por isso, na conversa no metrô, na reunião de condomínio, dando aula no ensino fundamental, orientando uma tese de doutorado, em qualquer momento e lugar, os esquerdistas estão sempre em atividade.
Eles seguem a orientação do guru Saul Alinsky: a questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder.