O funk não explica meio bilhão de reais da Anitta. A diferença entre ela e quem perdeu tudo não é talento, são decisões que quase ninguém percebeu. Clica no link para falar com nosso time de especialistas: https://t.co/VwH0F6yQuC
Atriz Maria Eduarda de Carvalho rebate críticas de Rico e DA AULA para o influenciador sobre a Lei Rouanet:
“Gente, comparar a Lei Rouanet com Bets é como você dizer que um cassino e um hospital são a mesma coisa, só porque os dois movimentam dinheiro. Querido, a Lei Rouanet não é um pix que o governo faz para os artistas, não. Lei Rouanet é uma licença que o governo dá para que as empresas investam em projetos culturais em troca de um abatimento no seu imposto de renda…. Mas, claro, é muito mais fácil influenciadores desviarem o foco do problema do que admitirem que sua fonte de renda é, na verdade, a ruína dos seus seguidores”.
Vilã de novela precisa entender o próprio tamanho. Arminda sempre entendeu. E talvez por isso o último capítulo de Três Graças tenha escolhido encerrar sua trajetória não pela punição, mas pelo espetáculo. Porque personagens como ela precisam sair de cena ocupando todos os espaços poss��veis da dramaturgia.
O que Grazi Massafera faz no desfecho de Arminda impressiona porque existe absoluto domínio de tom. A personagem passa oito anos enganando todos ao redor. A suposta loucura funciona como encenação contínua, construída no detalhe, no olhar vazio, no corpo domesticado. Arminda transforma a própria decadência em teatro íntimo.
Quando sobe lentamente a escadaria da mansão, Grazi entende exatamente o peso da cena que está executando. A direção de Luís Henrique Rios também compreende isso. A câmera respeita o tempo da vilã. Dá espaço para o ritual. Porque Arminda não sobe apenas uma escada. Ela sobe em direção ao próprio mito.
E então vem o mergulho.
A homenagem a Senhora do Destino funciona porque não tenta copiar Nazaré Tedesco. Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgílio Silva usam a referência como linguagem afetiva de novelão. Quando cai no chão e abre os olhos para dizer “era isso que vocês queriam, né?”, a novela encontra algo raro: uma vilã que transforma a própria morte em última provocação.
Só que o grande golpe ainda estava guardado.
“Mas eu não daria esse gostinho, nem que a vaca tussa”, diz ela no alto da escada. Arminda jamais permitiria que sua imagem final fosse fragilidade. Ela precisava controlar até a própria despedida. E controla.
A quebra da quarta parede então sela tudo. “Pronta pro close, Luís Henrique Rios.” Em segundos, Três Graças abandona qualquer compromisso com realismo para abraçar o delírio melodramático que fez a televisão brasileira se tornar tão apaixonante. A novela olha diretamente para o público e diz que sabe exatamente o tamanho da cena que acabou de entregar.
Viva Grazi.
Foto: Reprodução/ Globo
Me desculpe, pessoal, mas isso aqui é arte em estado puro. Aqui #TresGraças foi absolute novela mesmo, uma cena que vai entrar pra história.
E o melhor: a direção entende o que os autores escreveram e não tentou dar outro tom
DESABAFO! 🚨 Tem dia que é muito desanimador para quem trabalha com cultura.
Hoje fui ao Sesc Tijuca ver dois filmes: Amazônia, a Nova Minamata?, de Jorge Bodanzky, e Malês, de Antônio Pitanga. Tudo de graça, num cinema incrível, espaço maravilhoso, aberto, disponível e seguro.
Na primeira sessão: apenas duas pessoas. Na segunda, no máximo dez.
Enquanto isso, passo pelas academias e todas estão lotadas. Gente malhando cinco, seis ou até sete vezes por semana. Fora que tem que corre também...e com roupas caríssimas, relógio que mede tudo... o pacote completo.
O mais triste é perceber que cada vez mais entre gente progressista (porque a periferia tá voando, produzindo, arrasando) as pessoas estão lendo menos e vendo menos. A formação política virou quase toda baseada em conteúdo requentado de segunda mão, cheia de clichê velho, consumido pelas redes sociais.
Amam Conceição Evaristo pelos Reels, mas não conhecem de verdade a potência da literatura dela. Dizem que amam Antônio Pitanga, mas não foram ver Malês no cinema. É triste.
Em vez de malhar sete vezes por semana, que tal malhar cinco? Numa delas, lê um livro. Noutra, vai num cineclube. Com 5 vezes ainda dá pra ser gostoso.
Desculpe o desabafo. Mas é que a pasmaceira complacente às vezes me ultrapassa. Dá trabalho suportar a esperança.
Isso porque estou falando de gente privilegiada, que poderia ser a primeira a estar ali: para escutar, absorver e depois ecoar essas vozes.
Pois é.