Que inveja do futebol argentino! Eles têm, em Messi, um ídolo genial, maduro, eficaz, consistente, verdadeiro, decisivo, reservado, discreto e resiliente.
Tudo que o influencer com síndrome de Peter Pan nunca foi e jamais será.
"Vamos ganhar todas as taças, onde vamos guardá-las???"
O pequeno Braydon fez a pergunta a Pep Guardiola há dez anos.
E eles se reencontraram para a resposta final.
Luís Figo sobre a diferença entre Barcelona e Real Madrid:
“As pessoas sempre me perguntam qual foi a maior diferença entre Barcelona e Real Madrid. Tendo vivido as duas experiências, posso dizer que são dois mundos completamente diferentes.
No Barcelona, o futebol é muito emocional. A conexão com a cidade, com os torcedores e com a identidade do clube é algo que você sente todos os dias. Não é apenas sobre vencer jogos, é sobre representar algo maior que o futebol.
No Real Madrid, a mentalidade é diferente.
Desde o primeiro dia, você entende uma coisa: vencer não é um objetivo, é uma obrigação.
Lembro das minhas primeiras semanas em Madri. Ganhamos uma partida, todos estavam calmos e profissionais… mas no vestiário ninguém comemorava.
Perguntei o motivo.
Um dos jogadores mais experientes olhou para mim e disse: ‘Isso é Madrid. Comemore títulos, não vitórias.’
Aquele momento me mostrou tudo sobre a cultura do clube.
Os dois clubes exigem grandeza… mas de maneiras completamente diferentes.”
OBRIGADO, JAIR BOLSONARO
Não é de hoje que queria escrever essa carta. Bem, na verdade eu a escrevi há algum tempo, porque eu sabia que no dia de hoje, eu estaria absoluta, irrevogável e inconsequentemente, bêbado. Porque hoje é o segundo daqueles três porres épicos, sabe? O primeiro foi quando você saiu, teve até festa lá em casa. O segundo é hoje. O terceiro, espero que demore um pouco.
Como disse, essa carta começou a ser escrita há muito tempo. E esse é o primeiro motivo pelo qual eu tenho a lhe agradecer: a Joyce. Quem é Joyce? Joyce era uma querida que trabalhava comigo. Seu sorriso refletia seu apelido, “Joy", todo mundo adorava a Joy em meados de 2017/2018. Mas de repente, algo mudou dentro dela. Joy ficou raivosa, rancorosa, batia boca com todo mundo no trabalho pra defender um cara que eu só conhecia como uma piada do CQC. Era engraçado ver a Joy virar o Raiva do Divertidamente. Rá, imagina? Pra defender um presidiário como você? Hoje eu olho para ela e os meus Divertidamente são só Nojinho. Nojinho dela, do meu ex-sogro, de antigos amigos, vizinhos, parentes. Tenho nojo. Não convivo, não ouço falar, sequer sei se estão vivos. No final, foi livramento. Obrigado, Jair Bolsonaro.
Obrigado também por me mostrar que antigamente, tudo era melhor. Nisso, a gente concorda 200%. Era muito melhor quando a gente andava nas ruas sem saber nome de porra de milico safado. Quem diabos era Augusto Heleno, Braga Neto, Almirante Garnier Fructis Hidraliss não sei das quantas. Quando a gente tinha orgulho de usar a camisa da Seleção, ou qualquer peça amarela que fosse. Antigamente, a gente podia encontrar os parentes no Natal, os vizinhos no elevador. Até porque, muitos ainda estavam vivos. Era muito melhor quando tínhamos 700 mil pessoas a mais no país. Então, obrigado, por me lembrar disso, Jair Bolsonaro.
Obrigado também por me mostrar quanta gente perversa tem no mundo pagando de “cidadão de bem”. Obrigado pela grande generalização que virou uma lente pela qual enxergo o mundo: chegou falando de Israel, Elon Musk, criptomoeda e o escambau, segue Flávio Augusto, Primo Rico e meu pau de óculos, eu sei que é um grande dum escroto com inclinações fascistas. Sintam-se abraçados. Entre vocês, é claro, porque eu quero distância.
E a última coisa que tenho a lhe agradecer no dia de hoje é pela lição de humanidade e empatia que você me deu. Por eu finalmente entender o que é se colocar no lugar, calçar os sapatos do outro. Eu finalmente entendo a Joy. Entendo meu ex-sogro. E entendo você. E isso, Jair Bolsonaro, chama-se EM-PA-TI-A.
Eu imagino que esteja sofrendo, com raiva, com dor. Você deve estar pensando nas alternativas, que sua idade será um atenuante, que alguma condição clínica bem da mentirosa poderá mantê-lo fora do xilindró por algum tempo, mas por baixo de tantos subterfúgios e mentiras que formam quem você é, você SABE que perdeu. Que talvez tenha direito a uma cela especial, prisão domiciliar e tantos direitos garantidos pela Constituição que você tentou vilipendiar.
Enquanto tento me aproximar de seu pensamento e de sua dor, outra sensação me acomete. Assim como você, agora me sinto isento de qualquer noção de empatia, civilidade, irmandade, cristandade, compaixão. Assim como você, eu não temo Deus algum. Assim como você, agora eu sei o que é odiar, o que é tripudiar da dor alheia, o que é distilar raiva e soberba, o que é ser um grande dum filho da puta. É isso que sou agora, Jair Bolsonaro. E finalmente entendo a Joy, entendo você. Você sente isso o tempo todo?! É como se a minha mente fosse uma mistura de GTA com Death Note sendo escritos no Twitter. Você odeia o tempo todo?! Deus. Tudo o que eu mais queria agora era um Congresso pra tacar fogo, um Debret pra vandalizar, uma Constituição pra rasgar. E sabe o que é pior? É uma sensação boa, inebriante, entorpecente. Meio como o Homem-Aranha com a roupa do Venom. Não pretendo usá-la por muito tempo, mas hoje eu vou me permitir odiar, achincalhar, caçoar e celebrar sua humilhante queda. Amanhã tirarei essas vestes imundas, esse simbionte nojento, e tentarei novamente ser alguém de quem minha filha se orgulhe.
Mas hoje, não. Hoje eu sou você, Jair Bolsonaro. Sou puro ódio, nojo e rancor, sou irracional, sou punitivista, bandido bom é bandido morto, SIM, direitos humanos são o esterco da vagabundagem, espero que você seja torturado como seu ídolo Brilhante Ustra faria. Quem sabe não pinta um clima na cadeia e você vira a putinha de alguém? Convenhamos, você merece, só que não tem Paulo Freire algum pra te defender com papinho de sonho do oprimido. Tô bem de boa sendo seu opressor, tô alinhadíssimo com o pior do fascismo e sorvo com enorme deleite o seu sofrimento e os poucos anos que o separam do fim. Eu espero, do fundo de minha alma podre e rancorosa, que sejam anos dolorosos. Que você sofra e chore, como as mais de 700 mil famílias que você destruiu. Quer que eu faça o quê? Não sou coveiro. Hoje eu sou você. E quero que você se foda. Chega de mimimi.
E obrigado, Jair Bolsonaro.
Você não precisa amar o Lula pra odiar o Bolsonaro.
Bolsonaro foge de qualquer limite de caráter humano, foge de qualquer ideologia política.
Odiar o Bolsonaro é um dever de qualquer ser humano digno.