A realidade está batendo à porta, e ficará mais evidente a cada dia.
Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Ana Campagnolo, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado… nenhum deles demonstrou ter o tamanho político que muitos propagaram.
Esses nomes já não agregam capital político a quem pretende disputar eleições. Pelo contrário: carregam rejeições que podem contaminar quem se aproxima deles, e essa tendência tende a aumentar.
Sempre que surgem pesquisas ou matérias apresentando esses políticos como grandes cabos eleitorais, vejo isso com bastante ceticismo. Muitas dessas narrativas funcionam mais como estratégia de autopromoção do que como um retrato fiel da realidade política.
O tempo, e as urnas, mostrarão quem realmente tem força política e quem vivia apenas de marketing.
Jair Bolsonaro apoia Aninha Ferreira desde 2024.
Michelle não apenas quer vetar a candidatura da Aninha para beneficiar outra, mas aparentemente está disputando queda de braço (e espaço de poder) com o marido.
Michelle descobriu o tamanho da Michelle
A reaproximação de Michelle com Flávio não é um gesto espontâneo de união é um ato de conveniência política.
Durante anos, Michelle ocupou a posição mais confortável possível dentro do bolsonarismo. Ela tinha a boa vontade do público do próprio marido e não sofria o mesmo escrutínio que caiu sobre Bolsonaro e seus filhos.
Não dava entrevistas difíceis, não precisava responder a perguntas hostis, falava em ambientes controlados, diante de plateias que já tinham saído de casa para aplaudi-la.
Nós conhecíamos Michelle Bolsonaro: a primeira-dama elegante, religiosa, recatada e distante das confusões.
Não conhecíamos Michelle, a operadora política.
Existem duas formas de descobrir quem uma figura pública realmente é:
A primeira é a imprensa desmontar a pessoa em mil pedaços, como fez com Bolsonaro e seus filhos.
A segunda é surgir uma briga grande o suficiente para que todos os envolvidos percam o controle da própria imagem.
Com Michelle, aconteceu a segunda.
Nos bastidores, ela construiu um núcleo próprio de poder para além do marido e passou a disputar indicações, espaço e protagonismo até com os filhos dele.
Enquanto tudo acontecia longe do público, funcionava.
Michelle aparecia como santinha, fazia o discurso bonito e depois atropelava quem precisava atropelar nos bastidores.
Bolsonaro deu um all-in.
Escolheu Flávio como seu pré-candidato à Presidência e confirmou essa decisão em carta de próprio punho.
A partir daquele momento, o arranjo anterior que incluia, Tarcisio, Malafaia, Michelle, Moraes, Gilmar, e outras figuras começou a desmoronar.
Michelle precisou sair da política de bastidor e entrar na primeira luta política pública de verdade da sua vida.
E escolheu enfrentar Flávio.
Michelle janjou
Alguém colocou na cabeça de Michelle que ela era maior do que o movimento.
Talvez tenham sido os aliados.
Talvez tenham sido os puxa-sacos.
Talvez tenha sido o aplauso constante.
Não importa.
Quando uma pessoa passa tempo demais ouvindo que é maravilhosa, perfeita, linda, grande e invencível, ela perde a capacidade de medir o próprio tamanho.
Ela janja e Michelle janjou.
Então veio o vídeo, todo produzido, inteiro roteirizado.
Todo pensado nos mínimos detalhes.
O vídeo era inteligente do ponto de vista da comunicação, mas completamente desconectado da realidade política.
Michelle começou atacando Ciro Gomes.
A lógica era simples: a direita já rejeita Ciro. Ao atacá-lo, ela pegava emprestada a simpatia natural do público e se enchia de razão. Depois, com o público emocionalmente do lado dela, transformava o vídeo em um ataque contra a candidatura de Flávio.
Era uma boa estratégia no roteiro, mas foi um desastre diante da realidade.
Nos primeiros minutos, apareceram os puxa-sacos:
“Gênio!”
“Corajosa!”
“Finalmente alguém falou!”
Quando a poeira baixou, o público fez o cálculo mais óbvio possível:
O que a direita ganha com Michelle atacando o candidato escolhido por Bolsonaro?
Nada.
O que o brasileiro ganha com essa disputa?
Nada.
Então o que Michelle deveria ter feito?
Ficado quieta.
A barata voou. 🪳
Os comentários se voltaram contra ela e, no dia seguinte, Michelle apareceu dizendo que não queria brigar.
Como assim não queria brigar?
Você produz um vídeo inteiro para detonar alguém e, depois que o público reage negativamente, diz que não queria confusão?
Não era um pedido de paz.
Era o recuo de quem percebeu que a primeira luta política de verdade estava saindo completamente do controle.
A produção do vídeo chegou a ser atribuída a profissionais ligados ao estilo de comunicação de Nikolas Ferreira. Nikolas negou qualquer participação e declarou que renunciaria ao mandato caso provassem seu envolvimento.
Independentemente de quem apertou o botão da câmera, o cálculo político foi o mesmo.
E deu errado.
A esquete dos Trapalhões
O resultado do ataque foi o enfraquecimento político de Michelle.
Ela deixou a presidência do PL Mulher. Em seguida, alguém do partido vestiu as calças extinguiu a presidência nacional da ala feminina e manteve apenas as estruturas estaduais, tirando da Michelle seu brinquedinho.
Então surgiu o Imparáveis MB.
A antiga equipe de comunicação do PL Mulher apresentou o perfil como um movimento capitaneado por Michelle.
Parecia o nascimento de uma força política autônoma.
Michelle não precisava mais do PL.
Michelle não precisava mais dos Bolsonaro.
Michelle era imparável.
Duas semanas depois, quando a repercussão começou a ficar ruim, apenas 6mil seguidores veio a explicação:
Michelle não criou.
Não pediu para criar.
Não lançou.
Não administra.
Não é proprietária.
E não se tratava de um movimento político, mas de um simples perfil “de homenagem” no Instagram.
A explicação soou como uma esquete dos Trapalhões.
O movimento imparável precisou parar para explicar que Michelle não tinha nada a ver com ele.
A mensagem política foi brutal:
Michelle com Bolsonaro é milhões. Michelle sem Bolsonaro não enche nem um perfil do insta.
A realidade chega nas pesquisas.
Depois veio a pesquisa para o Senado no Distrito Federal.
Michelle apareceu atrás de Leila do Vôlei nos dois cenários em que seu nome foi apresentado.
Além disso, registrou a maior rejeição entre todos os nomes testados, inclusive maior que a dos candidatos do PT.
Como existem duas vagas para o Senado, ela continuava competitiva.
Mas a imagem da eleição garantida foi destruída.
Se existisse apenas uma vaga, Michelle já estaria atrás.
A pessoa que havia entrado na disputa se enxergando como presidenciável começou a correr o risco de transformar uma eleição que parecia um passeio em uma briga real pela sobrevivência política.
Foi aí que a realidade explicou a Michelle o tamanho da Michelle.
Ela perdeu espaço dentro do partido.
Perdeu o controle da narrativa.
Aumentou sua rejeição.
Descobriu que seu movimento autônomo não era tão autônomo.
E viu que talvez nem a eleição para o Senado fosse a coroação garantida que imaginava.
Então chegou a hora da reconciliação.
O perdão mais conveniente do Brasil.
Flávio publicou mais um pedido público de desculpas, deve ser o terceiro do ano que a Michelle o obriga a pedir.
Michelle respondeu com outro vídeo, também cuidadosamente roteirizado, com semblante vazio, lendo teleprompter, dizendo magnânima:
“Eu te desculpo.”
Depois afirmou que os dois deveriam se unir para salvar o Brasil.
Mas como assim?
Ela descobriu agora que o Brasil precisa ser salvo?
No mês passado não precisava?
A eleição não existia?
A candidatura de Flávio não existia?
O país só passou a correr perigo depois que Michelle deixou o PL Mulher, perdeu espaço político e apareceu atrás de Leila do Vôlei?
Que oportuno.
Michelle não pediu desculpas pelo ataque.
Não reconheceu que errou.
Não assumiu que transformou uma divergência partidária em uma guerra pública contra o candidato escolhido pelo próprio marido.
Ela exigiu que Flávio pedisse perdão para voltar por cima:
Eu te desculpo.
Flávio aceitou porque precisa dos votos dela.
Quem pede desculpas na política nem sempre está errado.
Às vezes, está apenas contando votos.
Então tudo bem, Michelle.
Desculpa por termos nascido.
Você é uma rainha.
Uma princesa.
A princesinha do mar.
Agora podemos voltar a falar da eleição?
A realidade venceu.
Michelle não voltou porque Flávio a convenceu, porque descobriu que o ataque estava errado, subitamente compreendeu a importância da união ou ficou solidaria ao sofrimento dos brasileiros no governo Lula.
Ela voltou porque o partido, o público e as pesquisas explicaram de onde vem sua força.
A força de Michelle não nasce de Michelle.
Ela vem de Bolsonaro, do sobrenome, do público bolsonarista.
Vem das pessoas que olhavam para ela e enxergavam a esposa do líder que elas admiravam.
Michelle tentou medir forças com o movimento e descobriu que não era maior do que ele.
Tentou andar sozinha e viu seu tamanho diminuir.
Tentou enfrentar Flávio e acabou obrigada a aceitar uma reconciliação para preservar a própria candidatura.
Não foi Flávio quem venceu essa queda de braço.
Foi a realidade.
Michelle não voltou para salvar o Brasil.
Ela voltou porque descobriu que, sem o bolsonarismo, quem precisava ser salva era ela.
PQP, Caiado, tu tem certeza que o Brasil só tem idiota.
Ministério da Agricultura e Pecuária.
André de Paula / PSD - PE.
Ministério de Minas e Energia.
Alexandre Silveira / PSD - MG.
Qual é o seu Partido Caiado?
Em 89 esse idiota tinha 1%
Depois de 37 anos ele tem 3%.
Felipe Mele sobre as críticas que Neymar vem recebendo.
"Muitos que atacam o Neymar é politicagem. Outros porque falar do Neymar dá like. É fácil demais criticar."
📽️FelipeMeloTV
Eduardo Bolsonaro convocou apoiadores para a Convenção Nacional do PL:
“Vai ser o início da transformação desse país. A Convenção oficializará Flávio Bolsonaro como candidato presidencial que vencerá essa eleição e contará com a presença do presidente argentino Javier Milei.”
🚨ATENÇÃO: Wall Street Journal publica artigo que acusa Alexandre de liderar "golpe de Estado" no Brasil; artigo menciona decisões contra Bolsonaro, censura das redes e anulação das condenações de Lula
Rebeca Ramagem é oficialmente candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Fé, coragem e muito trabalho. Nós nunca desistiremos do nosso Brasil! 🇧🇷
Tudo depende de quem fala.
A mesma frase pode ser “absurda” na boca de um e perfeitamente aceitável na boca de outro desde que seja dita com a dose certa de cinismo e cara de inocente.
No fim, não julgam o que foi dito.
Julgam quem teve a ousadia de dizer.