Às vésperas do Dia da Independência, uma voz de dentro da Igreja Católica fez um chamado direto aos brasileiros. Dom Adair José Guimarães, bispo diocesano de Formosa, em Goiás, convocou a população neste domingo, 6 de setembro, a ocupar as praças do país durante as manifestações de 7 de Setembro contra a corrupção, o autoritarismo e as injustiças.
Dom Adair foi ordenado padre em 1986 e bispo em 2008, por nomeação do papa Bento XVI, para comandar a Diocese de Rubiataba-Mozarlândia. Em fevereiro de 2019, o papa Francisco o transferiu para a Diocese de Formosa, onde tomou posse em 1º de junho daquele ano e permanece como bispo diocesano. Ao longo da trajetória, também exerceu funções na formação de seminaristas, na pastoral vocacional e juvenil, em tribunais eclesiásticos e na estrutura regional da CNBB.
Na mensagem divulgada durante a Semana da Pátria, o bispo começa falando da preocupação dos brasileiros com a economia, as famílias, o futuro dos filhos, a violência, as divisões e aquilo que classificou como uma “corrupção deslavada”. Para ele, a fé cristã não autoriza o cidadão a ignorar o que acontece ao seu redor: “Não basta reclamar do Brasil. Precisamos fazer o bem à nossa pátria”.
“Nesse 7 de setembro, é preciso que os brasileiros encham as praças das nossas cidades, das nossas capitais”, afirmou, antes de pedir que a população diga “basta à corrupção, basta ao autoritarismo, basta às injustiças, basta de ministros corruptos, de políticos corruptos”.
Dom Adair também fez uma advertência aos próprios cidadãos - combater a corrupção exige rejeitar a compra de votos e participar das eleições. Pediu que ninguém deixe de comparecer às urnas e defendeu a escolha de candidatos sem envolvimento com corrupção.
Em meio à gravíssima crise institucional que assola o país, Dom Adair deixa uma reflexão que vai além da política - não haverá mudança no topo sem mudança na base. Combater a corrupção também significa rejeitar a venda do voto, as pequenas desonestidades e recuperar dentro dos lares valores como honestidade, justiça e responsabilidade.
Sem moralidade na sociedade, será impossível exigir moralidade de quem ocupa o poder.