Você sabe quem controla a água e o esgoto de Manaus? É o grupo Aegea, responsável pela Águas de Manaus. No entanto, esse mesmo grupo atua em dezenas de cidades do Brasil, incluindo a Região dos Lagos (RJ), e possui um histórico repleto de problemas graves.
Você já reparou em pessoas que foram demitidas, mas parece que nunca saíram da empresa?
Elas vivem no passado. Todo papo volta pra “na minha época na [Empresa X]”, “a gente fazia assim…”, “o chefe antigo era assim…”. É como se fossem viúvos corporativos: emocionalmente ainda casados com um emprego que já acabou.
A empresa seguiu em frente. Contratou outros, mudou processos, virou a página em poucas semanas. Esqueceu nomes, esqueceu histórias. Mas a pessoa fica ali, presa, carregando a bandeira de uma relação que já não existe mais.
Psicologicamente isso tem nome: é parte do luto profissional. A demissão é vivida como uma perda real (quase como um término de relacionamento ou luto por alguém querido). Algumas pessoas entram num “luto complicado” e ficam ruminando o passado, com dificuldade de aceitar e construir uma nova identidade.
A grande verdade? A empresa já te mandou embora. Ela seguiu. E você também precisa seguir.
Virar a página não é ingratidão. É maturidade. É saúde mental. É abrir espaço pro novo.
Leve o que foi bom como aprendizado. O resto? Deixe lá.
O futuro não mora na empresa antiga. Ele está esperando você construir algo novo.
Afinal, sem transparência, é impossível para o cidadão fiscalizar quem cuida do recurso mais estratégico do país.
Mas quem são os verdadeiros donos da Aegea? O controle principal pertence ao grupo Equipav, mas a Itaúsa (holding do Itaú Unibanco) também entrou com um aporte de R$ 1,3 bilhão e hoje possui cerca de 10% a 13% da empresa, que conta ainda com a presença do fundo soberano de Singapura (GIC). Isso ilustra a financeirização da água: a Aegea tornou-se um "produto" para investidores, com aumentos de capital que chegam a R$ 1,2 bilhão e executivos recebendo remunerações milionárias. Na prática, bancos e o capital financeiro controlam a água, indicando que o objetivo principal não é apenas tratar o esgoto, mas sim entregar altos lucros aos acionistas do Itaú e a fundos internacionais.
Você sabe quem controla a água e o esgoto de Manaus? É o grupo Aegea, responsável pela Águas de Manaus. No entanto, esse mesmo grupo atua em dezenas de cidades do Brasil, incluindo a Região dos Lagos (RJ), e possui um histórico repleto de problemas graves.
Em 2021, a empresa firmou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF), admitindo as irregularidades e pagando uma multa de R$ 439 milhões. Depoimentos em delações premiadas homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) revelaram que a Aegea utilizou milhões em subornos entre 2010 e 2018 para acelerar seu crescimento.
Isso não se trata apenas de má gestão, mas de corrupção sistemática.
Em resposta a esse cenário, em 2026, o Observatório ONDAS entrou com uma petição no STJ pedindo a quebra de sigilo e o acesso aos acordos de colaboração premiada e leniência da empresa. O objetivo é dar à sociedade o direito de conhecer os detalhes dos contratos e as propinas pagas para a compra de influência política que garantiram tantas concessões de água e esgoto no Brasil.
Não foi falta de tempo.
Foram 26 anos e oito alterações no contrato.
O modelo de privatização de água e esgoto em Manaus simplesmente não funcionou.
O que sempre funcionou foram os sucessivos “remendos” feitos para proteger o lucro da empresa.
Manaus, localizada no coração da maior bacia hidrográfica do planeta, continua com igarapés poluídos e contas de água absurdamente altas.
O que os documentos mostram:
O contrato original de 2000 já era ruim. Cada Termo Aditivo foi um remendo que beneficiou a Aegea/Manaus Ambiental e deixou a população pagando caro por um serviço incompleto.
26 anos depois, esgoto tratado ainda ~40%.
Vamos entender, de forma clara e didática, por que a privatização da água e esgoto de Manaus é considerada um dos maiores fracassos da cidade. Vamos do contrato original de 2000 até o 8º Termo Aditivo.
Cada alteração foi uma “aberração” que beneficiou a empresa e prejudicou o povo. Preparado? Começa agora.
Resumo das 8 aberrações principais:
• 8 vezes o contrato foi refeito
• Sempre com “reequilíbrio econômico” a favor da empresa
• ETAs principais construídas pelo poder público (Cosama/Estado)
• Investimentos da privada: basicamente furar ruas pra cobrar mais
• Cobrança de esgoto em lugares onde não tem tratamento
• Lançamentos de efluentes irregulares.
• Omissão da AGEMAN (11/30)