Você é a cara da mansão maromba
Cara de tapado mas pega umas mina pela skin
Barba pra esconder que foi criado pela avó
Orelha estranha
Tatuagem corroída pelo sol
Você é a cara
🚨URGENTE - Tiroteio deixa vários feridos e mortos na sede do ICE, em Dallas, nos EUA, e a polícia suspeita que os crimes tenham sido cometidos por atirador de elite em um telhado
Como disse Yuri Marçal, Eu desafio QUALQUER candomblecista, seja iniciado, seja de obrigação, seja sacerdote ou sacerdote a me apresentar UMA, apenas UMA explicação litúrgica, teológica, fundamentada, que não seja atravessada por transfobia, que explique por que uma mulher trans não pode usar roupas femininas, adereços femininos, baiana, torço, pano da costa e ser tratada no feminino dentro da sala de Candomblé.
UMA. Só UMA.
E sabe por que não existe? Porque isso não é fundamento. Isso não é tradição. Isso não vem dos Orixás, não vem dos Inquices, não vem dos Voduns. Isso vem do racismo, do patriarcado, da moral cristã que foi implantada nas nossas cabeças pela colonização. Isso vem da lógica da casa-grande, do controle sobre corpos, do policiamento das existências dissidentes.
Quem diz que "não pode" não está falando pelos Orixás, está falando pela voz do opressor que introjetaram. Está falando pelo medo, pela ignorância e, sobretudo, pelo conforto que é reproduzir violências em nome de uma tradição que sequer conhecem por completo.
Se fosse pra seguir à risca tudo que é "tradição africana", então derrubem seus barracões e construam tudo de barro, voltem a falar iorubá fluente, plantem tudo que usam, fechem as portas pra qualquer adaptação, porque foi exatamente a ADAPTAÇÃO que permitiu que o Candomblé sobrevivesse na diáspora.
Os mesmos que dizem que uma mulher trans não pode vestir baiana dentro do axé são os que usam elementos de três, quatro, cinco nações diferentes no mesmo barracão. São os mesmos que, quando convém, aceitam mudanças, aceitam adaptações, aceitam jeitos "abrasileirados" do culto, mas quando o assunto é respeitar um corpo trans, aí se agarram no “sempre foi assim”.
Pois então eu pergunto: sempre foi assim pra quem? Pra África? Pra diáspora? Ou pra branquitude que moldou até a forma como vocês acham que devem cultuar?
Os Orixás não reconhecem corpos pelo RG, pela certidão de nascimento ou pelos órgãos genitais. Orixá reconhece energia, ori, caminho e axé. Quem não reconhece é humano limitado, é filho do preconceito, é filho da colonialidade.
O que vocês chamam de hierarquia sagrada, muitas vezes, é só reprodução da hierarquia colonial. E isso não é fundamento. Isso é doença social vestida de pano da costa.
Se não conseguem apresentar UMA justificativa litúrgica que não seja atravessada pela transfobia, então aceitem: o problema nunca foi a roupa, nunca foi o pano, nunca foi a tradição. O problema é vocês.