Quem é incapaz de admirar a grandiosidade do Edifício Copan demonstra um olhar extremamente empobrecido para a arquitetura. O prédio é um dos maiores monumentos da arquitetura brasileira e talvez a expressão mais bem-sucedida do modernismo urbano em São Paulo. Sua forma curva dialoga organicamente com a paisagem do centro, cria movimento, escala humana e identidade visual para a cidade.
O térreo aberto, tomado por lojas, bares e circulação de pessoas, mostra uma concepção urbana muito mais avançada do que os condomínios fechados e torres isoladas produzidos pela especulação imobiliária contemporânea. O Copan não mata a rua, ele alimenta a rua. Ele integra habitação, comércio e vida urbana de maneira viva e coletiva.
É um edifício pensado para a cidade como espaço de convivência humana, não apenas como ativo financeiro da iniciativa privada. Urbanisticamente, continua sendo muito mais sofisticado do que boa parte das torres “de luxo” produzidas hoje, que transformam a cidade em um arquipélago de muros, garagens e isolamento social.