Parte do Brasil vai torcer para a Seleção inglesa sob o pretexto de que o time argentino representa uma nação racista. Preferem envelopar esse discurso do que assumir que esse ódio advém, na verdade, da rivalidade futebolística (o que seria totalmente natural e legítimo!). Ora, se a principal alegação em prol de uma seleção em detrimento da outra é a não relativização dos crimes contra humanidade, por qual motivo há de se torcer então pelo time de um país que matou centenas de milhares de pessoas nos mais diversos pontos do mundo (sobretudo nossos irmãos, o povo preto da África) no processo de colonização? Qual o limite temporal que torna determinado crime - o genocidio de um povo - prescrito na história? Pq o racismo argentino (que é criminoso, absurdo, desprezível e abjeto, por sinal) parece incomodar mais vocês do que o racismo que acontece do seu lado no dia a dia, por um brasileiro a outro brasileiro independentemente do futebol? E, por fim, pq vcs não incluem as pautas sociais na mesma proporção quando essa realidade é aplicada ao seu clube (quando os seus colegas torcedores são racistas, elitistas, homofóbicos ou agressores de outras minorias)?
Sintam o nível desta animação do @bogachev_al que compila o jogo Argentina vs. Egito de ontem em meros 46 segundos. Isto não é infográfico, isto é arte!
ouvir o som da rede e dos chutes de forma perfeita na TV talvez seja o que mais me deixa empolgado sobre a copa do mundo.
e ao mesmo tempo o que mais me entristece na volta pra borracharia daqui a pouco.
mas por curiosidade, no começo da copa eu fui atrás do "mapa de áudio" das partidas e achei tudo muito moderno e interessante.
e como tudo o que ja passou por aqui, esconde uma engenharia bizarra por trás.
e mais ainda: uma parada que tu nunca esperaria que fosse.
lembra do plano de câmeras de posts passados? tem um dele para os microfones também (anexo 2)
mas vamos por partes:
a base de qualquer transmissão de futebol é basicamente o pacote padrão de microfones:
→ microfones de campo, distribuidos ao redor do gramado (aqueles que os caba chutam de vez em quando) que capturam os chutes e os sons da partida;
→ os microfones acoplados nas próprias câmeras
até ai nada que seja muito wow e que não exista em qualquer outro lugar.
mas como a copa é a copa, eles expandem isso de uma forma muito foda:
além da base já mencionada, eles contam com muitos microfones extras de torcida e arrays de audio imersivo espalhados por todo o estádio.
no estádio do kansas, por exemplo, os arrays de captação ambiente ficam no teto, no deck de câmeras e no nível do gramado, o que permite que a transmissão capture literalmente (rs) qualquer coisa que esteja nesse range, ou seja, quase meio que tudo mesmo.
mas o pulo do gato é: a ideia de ter tantos microfones não é simplesmente pra que tudo seja mais alto, mas pra que você consiga sentir a atmosfera melhor. tem uma diferença.
de acordo com tim stapleton, um dos engenheiros responsáveis pelo áudio da hbs em kansas city, o objetivo é tentar tornar o áudio um ativo do storytelling da partida.
isso significa que conforme a bola é tocada, e as jogadas avançam, você é literalmente levado pelos microfones mais próximos da ação. sim. por uma pessoa.
é por isso que tudo parece tão mais foda e tão mais imersivo.
e é isso que eu acho mais lindo da história toda.
você tende a achar que é foda porque os microfones são bons, mas na verdade é foda porque tem uma pessoa ali escolhendo em tempo real qual o som que você vai ouvir.
o futebol é o mesmo de sempre, a diferença é que tem alguém ali construindo a narrativa pra você.
não a toa é o maior evento esportivo do planeta.