Algumas pessoas morreram num balão. Era para ser uma aventura, uma celebração, talvez um sonho antigo tirado do papel. E, no entanto, bastaram poucas horas para a tragédia se tornar manchete e, pior, para virar piada.
Imediatamente surgiram os juízes da internet, prontos para destilar desprezo: “mas também, quem é que sobe num balão?”, “morreram porque foram burros”. Esse tipo de julgamento revela mais sobre quem aponta o dedo do que sobre quem partiu.
Quem chama de burrice o desejo de ver o mundo de cima, de tocar o céu, de colecionar memórias e não só boletos, talvez nunca tenha entendido o que é viver. Viver de verdade.
Com coragem de se arriscar, de sair do chão, de sentir medo e ainda assim seguir. Viver não é sobreviver entre a segurança do sofá e a frieza do sarcasmo. Viver é, às vezes, aceitar que a beleza pode ser perigosa. E mesmo assim ir.
As pessoas que estavam naquele balão não eram burras. Eram humanas. E como tantas outras antes delas, buscaram a vida onde ela parece mais bonita: no alto, no ar, no agora.
Que a morte não apague isso. Que o cinismo não se torne regra. E que a gente ainda saiba reconhecer a grandeza de quem, mesmo com risco, teve a ousadia de voar.