Foram apenas três perguntas simples, que poderiam perfeitamente ter sido recusadas pelas entrevistadas. Regina estava à vontade e queria falar, mas foi tolhida por sua filha e pela assessoria. Quem disse "Para de responder, você é adulta" foi a Gabriela.
Se o assunto realmente estivesse resolvido, não haveria motivos para tanto desconforto. Vale lembrar que Regina não apenas prestou apoio, ela esteve dentro de um governo que fez pouco caso da cultura brasileira e vilanizava a classe artística se utilizando de espantalhos. O governo instrumentalizou a imagem da Regina para, depois, fritá-la. Ela acabou isolada e atacada pela ala ideológica do próprio governo, o que a levou a sair.
É exatamente por isso que a sequência de perguntas do Matheus Rocha, que é um excelente profissional, faz todo o sentido técnico e editorial. As pessoas esquecem que a Ilustrada não é apenas um caderno de cultura, é também um caderno de política cultural.
Primeiro, ele questiona se há um custo pessoal e profissional, o que ela nega, mas o desconforto evidente da filha prova que há, depois, pergunta se ainda há admiração pelo candidato à reeleição e, por fim, se ela voltaria caso fosse chamada novamente para uma função pública. É um tema de extrema relevância.
Ambas desconhecem totalmente o papel do jornalismo, vide aquela fatídica entrevista à CNN Brasil em 2020 quando Regina era secretária da Cultura e deu chilique ao vivo. Daniela Lima aguentou muito as patacoadas que ela estava falando sem parar. Jornalismo não é bajulação. A atriz tem total autonomia para responder ou não às questões, ou será que não tem?
Pedir a cabeça do repórter e jogá-lo na fogueira para o seu 1 milhão de seguidores, apenas por ter vergonha das escolhas da mãe, não tem nada de elegante. Diferente do que disseram alguns lá, como a atriz Ingrid Guimarães, que foi prestar apoio à Gabriela contra o "repórter malvado". Ah, por favor, né?