Existe uma parte em mim que é só minha. Que suporta o caos em silêncio e sobrevive à dor com fé.
Essa parte não precisa ser entendida por ninguém. Ela apenas me mantém viva.
Meu filho tem 4 anos, é autista e não verbal. Esses dias levei ele à pediatra e, na sala de espera, tinha outra criança autista, que aparentava ter uns 10 anos.
Em determinado momento, essa criança provavelmente entrou em crise e agrediu meu filho. Meu filho é extremamente calmo, não sabe reagir a esse tipo de situação e, por ter nascido prematuro, é bem pequeno e magrinho para a idade.
Eu simplesmente afastei a criança dele com toda delicadeza do mundo e falei: “não pode”.
Pra quê.
A mãe da criança ficou FURIOSA comigo, dizendo que eu não podia encostar no filho dela, que ele era autista e que era “normal” ele fazer aquilo.
Eu expliquei que meu filho também é autista. A diferença é que, se um dia ele agredir alguém, eu vou intervir, pedir desculpas e ensinar que aquilo não pode acontecer, mesmo que ele esteja em crise.
Tem mãe que parece usar o diagnóstico do filho como escudo para nunca precisar corrigir comportamento nenhum. Tudo é “porque ele é autista”, tudo é “você precisa entender”, tudo é “ele não tem culpa”.
Peço desculpas ao próximo homem, mas eu não sou mais mulher do processo. Não salvo, não sustento, não ensino, não insisto e não carrego ninguém nas costas. Já dei amor e apoio demais para quem só soube receber. Boas mulheres também cansam.
eu tenho pedido tanto a Deus para que me livre da irritação, das palavras grosseiras, da impaciência com o próximo, da raiva sem motivos, da pressa sem necessidade, da sobrecarga de preocupações, do mau humor, das frustrações, da competitividade que oprime, da ansiedade constante