@samuel_galochas Cabo Verde não tem qualquer comparação com as outras colónias.
So não fazem parte de Portugal por causa dos comunas do PAIGC, que de cabo-verdianos pouco tinham
@BMCPIV Fomos nós que fundamos aquele país, nem indígenas lá existiam quando lá chegamos.
Claro que os apoiamos e temos orgulho neles, mais do que nos espanhóis que existiram centenas de anos de costas voltadas para nós.
@Tomas_Pereira_T Não. O governo está a ter coragem e ao menos a tentar fazer algumas mudanças. Responsabilizo quem não quer sair da merda da cepa torta.
É por causa disto que jovens como eu quase de certeza que vão ter de sair do país ao acabar o curso. Vergonhoso
🇵🇹 Amanhã, dia 3 de junho, Portugal volta a ser chamado às ruas. Chamado à greve. Eu peço-vos para não aderirem.
Não o peço por mim. Eu tenho 50 no lombo. Estou orientado. Tenho o meu caminho feito, as minhas defesas montadas, o meu lugar mais ou menos arrumado neste pequeno condomínio que é o Tugão.
Camaradas, quanto mais proteção houver para quem já está dentro, quanto mais rígido for o sistema, quanto mais difícil for mudar, contratar, crescer, arriscar, despedir quando corre mal e voltar a contratar quando pode correr bem, mais eu próprio consigo levar água ao meu moinho, e acreditem, não estou mal.
O país velho e amarrado protege-me.
Mas eu tenho dois filhos. E é neles que penso.
Penso no país que lhes vou deixar. Também penso nos sonhos que terão de encolher para caberem na nossa realidade. Penso no talento deles, algum, na vontade deles, e depois olho para este país sentado em cima de si próprio, sempre a defender o que existe, sempre a desconfiar de quem quer construir, sempre a boicotar qualquer tentativa de mexer num sistema que já só protege verdadeiramente quem conseguiu apanhar o lugar ao sol e usa os desgraçados para fazerem de figurantes neste grande circo. Idiotas úteis.
E dói. Dói porque eu gostava que eles ficassem.
Gostava que pudessem estudar, trabalhar, amar, comprar casa, ter filhos, abrir empresas, mudar de vida, falhar, recomeçar e envelhecer aqui. Aqui. No país deles. No país dos seus avós. No país da língua em que aprenderam a dizer mamã, papá, e tudo o que se seguiu.
Mas começo a achar que não vai mesmo dar.
O que se está a proteger é o status quo.
⚠️Um status quo de salários baixos. De empresas pequenas, frágeis, sem capital e sem escala para poder competir. De patrões que têm medo de contratar porque contratar é casar e ter o Estado como sogro. De trabalhadores que ficam presos a empregos que já não os fazem crescer. Um status quo onde os protegidos protegem a sua proteção, os instalados protegem a sua instalação, e os que vêm a seguir que esperem, que se amanhem, que emigrem, que voltem para uma visita pelo Natal.
Não me venham dizer que este pacote laboral era uma revolução. Não era. Não ia transformar Portugal na Irlanda. Não ia duplicar salários. Não ia acabar com a precariedade, nem fazer chover a potes produtividade sobre a mona de um país que passou décadas a confundir compaixão com total e completo imobilismo.
Mas era um passo. E pequeno. Pequeno, imperfeito, discutível, incompleto. Sim. Mas um passo na direção certa.
E às vezes os países não morrem por falta de grandes revoluções, antes sim por recusarem todos os pequenos passos. Morrem aos bocados. Um entrave de cada vez. Uma cedência ao medo de cada vez. Uma greve em defesa dos direitos de cada vez. Continuaremos a defenhar. Devagar, que é como Portugal gosta de fazer as suas tragédias.
Eu não hesitarei. Se chegar o dia em que perceba que os meus filhos terão mais futuro longe daqui, compro-lhes o bilhete. De ida. Só de ida.
Com o coração esmagado, mas compro, porque eles não são meus. São do mundo. 💔
Claro que gostava que ficassem. Gostava que Portugal fosse deles também. Gostava que este país não fosse apenas bom para férias e viver a reforma, Gostava que fosse bom para começar. Para arriscar e trabalhar. Para ganhar e crescer. Mas isso exige coragem.
Exige perceber que defender tudo como está não é defender os trabalhadores. É defender os trabalhadores que já estão relativamente defendidos, à custa dos que ainda nem conseguiram entrar ou andam a patinar à espera que um dos mochos que dormem à sombra da bananeira se reforma, ou pior, que a empresa feche portas porque os mochos a boicotaram lentamente, anos e anos a fio.
Exige perceber que um país onde ninguém pode mexer em nada é um país onde nada melhora. Exige perceber que os direitos que não assentam numa economia forte acabam por ser apenas promessas que o vento leva.
Por isso, amanhã, quando vos pedirem para parar o país, pensem bem. Pensem se estão mesmo a defender o futuro. Ou se estão apenas a defender o conforto moral de dizer que defendem o futuro, enquanto o futuro se esgota amanhã.
A escolha é vossa. Mas a fatura, temo bem, será deles, dos nossos filhos.
o dono da cooperativa