Eu nunca tive tanto medo de algo como tenho de lançar esse próximo curta. E olha que já entrei no BBB. Me sinto pulando do precipício mesmo com diversas placas de perigo, sem para quedas, nem chance de sobrevivência. Minha irmã falou que o medo que eu tenho de falar sobre esses temas faz parte do problema. E faz mesmo. Por isso guardei esse desabafo por anos. Falar sobre hipersexualização da mulher, principalmente no meio artistico é tão difícil... Porque é tido como julgamento ou moralismo e a úuuuultima coisa que a gente quer é julgar mulheres, então é melhor não questionar e ficar quieta. Certo? Errado. O problema nunca foram as mulheres. Somos todas vítimas de algo muito maior. Também é dificil falar sobre isso porque cada corpo feminino toma um significado quando é colocado nu ou semi nu publicamente. O meu é incentivado e até tido como "empoderamento". Mas hoje entendo que não é. Ele é inofensivo. Tenho questionado qual a nudez que revoluciona a e qual a nudez que aprisiona. O que o meio pop cobra de nós mulheres pra vender e o que ele cobra dos homens? Porque nossa inteligência é chatisse e nosso corpo é poder? Qual a diferença entre cantar sobre sexualidade feminina e de ser hipersexualizada pra ter a chance de cantar?
Somos uma geração bem específica. Quebramos tabus das nossas ancestrais e temos uma falsa sensação de liberdade. Mas somos mesmo livres? Nosso valor é medido através de uma tela de celular e esses números sem querer ditam nosso comportamento e confundem nossa cabeça.
O que me traz de volta ao medo. Medo de errar com quem importa: Meninas e Mulheres que estão lendo esse texto. Sei que nossas vivências e dores são diferentes mas também sei que ser mulher é ser julgada. Então decidi juntar a coragem que ainda me resta, pra ser julgada, mas pelo menos tentar falar sobre isso. Espero que comece uma conversa mesmo se acabar com a minha carreira já cambaleante de "cantora pop". Aqui está meu terceiro curta: Sexo, poder e arte. Obrigada a todas as mulheres que conversei nos últimos anos (do meio artístico e fora dele) sem saber que nossos papos virariam isso.
A gente quando pensa muito num assunto, o assunto se materializa de várias formas pra vc né?!
Tipo quando vc acha que tá grávida e vc só ver grávida e criança na rua
Quando foi que vc percebeu que a gente vive numa ficção?
Eu, numa aula da faculdade onde um professor falava que a cadeira que a gente via, era fruto do que a gente acreditava ver em coletivo
Acabei de sair da peça ficções com a @veraholtzirreal PERFEITA!