@foioguto Tenho vergonha as vezes de ver o pessoal usando uns termos errados ou tendo uma visão distorcida dos animes, aí lembro que nem todos crescerão com Bunka Pop, e me acalmo😌
@gabyfeerraz Minha professora de História falava mais sobre o racismo e revoltas dos negros lá dos EUA do que os daqui. Não que ela tivesse culpa, só tava seguindo o livro, mas né...
@ltstudie Eu só assistia amvs de anime e jogava Roblox. Mas minha mãe me enchia tanto o saco por causa de medo de eu reprovar(por não fazer as atividades) que eu pedia pro Coronavírus morrer logo e eu voltar pra escola.
Pouca gente se lembra, mas a derrota para a Bélgica em 2018 não apenas tirou o Brasil da Copa. Ela, de certa forma, também derrubou o primeiro ministro do Haiti.
A paixão dos haitianos pela seleção brasileira é bem conhecida. E, em 2018, o governo tentou se aproveitar disso para realizar um substancial aumento no preço dos combustíveis, com o fim de subsídios. O anúncio aconteceu bem na hora do Brasil x Bélgica das quartas de final. Segundo a revista The Economist na época, os políticos imaginaram que a população estaria muito ocupada comemorando uma vitória do Brasil e, assim, não protestaria contra a decisão.
Bem, você sabe o que aconteceu em campo: a arrancada de Romelu Lukaku, o golaço de Kevin de Bruyne, os milagres de Thibaut Courtois. Apenas cinco minutos depois da derrota brasileira, o povo haitiano tomou as ruas, mas não por motivos felizes. Começou a bloquear vias e a queimar pneus, em meio à revolta pela decisão do governo. A concentração das manifestações aconteceu principalmente na região metropolitana de Porto Príncipe.
A gasolina aumentara 38%; o diesel, 47%; e a querosene, 51% – este, um item essencial à população mais pobre, usado largamente nas casas sem energia elétrica. A decisão havia sido tomada a partir de uma solicitação do FMI ainda em fevereiro, em meio a um acordo para o acesso a US$96 milhões em doações, além de empréstimos a juros zero durante os anos seguintes.
A força economizada pelos haitianos para celebrar a classificação do Brasil se tornou impulso para se manifestar. Por alguns dias, ocorreram vários protestos violentos no Haiti. As ruas foram tomadas por carros incendiados e barricadas, enquanto os voos internacionais foram cancelados. Aconteceram também saques e ao menos três pessoas faleceram. Haitianos e turistas precisaram se refugiar em locais seguros. O aumento se tornou o estopim a uma população sofrendo com a altíssima inflação, o baixo poder econômico, o desemprego e a miséria.
“Eles pensaram que o Brasil iria ganhar e, enquanto as pessoas comemoravam, os protestos sobre os combustíveis seriam menores”, apontou o senador Patrice Dumont, ao Miami Herald, na época.
Resultado: oito dias depois, o premiê haitiano Jack Guy Lafontant anunciou a sua renúncia e o governo do presidente Jovenel Moïse voltou atrás na decisão impopular, congelando os aumentos. Em histórias sem relação, o presidente Moïse é o mesmo que foi assassinado três anos depois, em 2021, quando denunciava o envolvimento de figuras públicas locais com o narcotráfico.
Assine o Almanaque da Copa: https://t.co/I0pfXyA8Nb
poderia discorrer por HORAS sobre esse assunto.
insano de ver que demanda tanto esforço e tanta desconstrução para retornarmos à criatividade genuína e livre da infância.