Harry, Zayn, Niall & Louis of One Direction release joint statement paying tribute to Liam Payne:
“We’re completely devastated by the news of Liam’s passing. In time, and when everyone is able to, there will be more to say. But for now, we will take some time to grieve and process the loss of our brother, who we loved dearly. The memories we shared with him will be treasured forever. For now, our thoughts are with his family, his friends, and the fans who loved him alongside us. We will miss him terribly. We love you Liam.”
happy best friend’s day to those people who never left my side when i am alone, to those people who gave me shelter when i am alone under the rain. to those people who stay by my side when i am crying, and throw some corny joke just to make me laugh. 1/2
It’s official, I left my 🤍 in Lisbon. My first time in Portugal and you all made me feel like I was right at home. I’ll seriously never forget the way you treated us, the overwhelming love and passion and hands in the air and dancing and how you screamed every lyric!! Muito obrigada 🇵🇹
📷: Pedro Gomes / @GettyImages
Sobre o 25 de Abril.
Há por aí cada vez mais pessoas a exigir provas de que o 25 de abril realmente serviu-nos para alguma coisa. Por isso aqui vai uma. Tenho andado perdido entre os caixotes de fotografias antigas da minha família. São imensas mas esta é a minha favorita. De um avô que nunca conheci e de uma avó que ainda me fez colo antes de falecer.
Há muita coisa escondida por detrás dos sorrisos desta fotografia: duas vidas de trabalho duro numa pequena mercearia de um bairro totalmente esquecido pelo Estado Novo. O pequeno sótão da loja servia para eles dormirem com mais sete filhos. Sempre que o passado é tema, o meu pai fala-me da pobreza abjeta, das ruas escuras, da terra batida por todo o lado, das casas remediadas, dos pés descalços, da comida racionada, dos banhos de água gelada numa bacia do jardim, da roupa de domingo, dos farrapos da semana, dos irmãos que sonhavam fugir de Portugal, das irmãs "com a rédea bem curta" e de uma infância onde pouco tempo teve para ser criança. Mas sempre com o remate final de que "havia outros que viviam bem pior".
Afinal, havia quem não tivesse a roupa de domingo. Outros entravam na sala de aula com banho há dias por tomar. Outros tantos que nem há escola iam. Muitos com sapato praticamente sem sola e de estômagos vazios até ao jantar. Outros enfiados num navio para combater uma guerra lunática num pedaço de terra a que chamávamos de colónia há demasiado tempo. A minha bisavó, funcionária de uma escola primária e ainda viva, fala-me dos "pobres miúdos" como se já não tivessem crescido. Esses miúdos, que entravam na escola sem pequeno almoço tomado e de roupas sujas. "Havia dias em que eu prória os lavava no tanque da escola antes das aulas começarem e tantas madrugadas passei a embrulhar sardinhas e pedaços de papo seco em jornal, para terem o que comer de manhã". Fala deles como se ainda ali estivessem, presos no tempo, indefesos da miséra, à espera de serem cuidados por quem não tinha obrigação nenhuma de cuidar deles. "Era assim em todo o lado", repete sempre.
Esta fotografia foi tirada uns tempos antes de um cancro acamar o meu avô. A penicilina, que servia para aliviar as dores, era pouca porque era cara e não havia Estado Social que os amparasse. "Tinha praí 16 anos mas ainda me lembro bem dos berros de agonia que ele dava durante a noite" disse o meu pai uma vez. "Foi tão traumatizante que fiz por apagar as memórias do teu avô... é como se não tivesse praticamente existido e das poucas coisas que me ficaram dele, todos estes anos depois, foram os berros". Não se esperava que o curassem, mas o facto é que a total indiferença do regime na altura ajudou a tranformar a memória de um homem de trabalho numa outra coisa qualquer irreconhecível, a definhar numa cama de um quarto que não servia sequer para viver com dignidade, quanto mais para morrer dignamente. "E o mais irónico é que o hospital era logo ali ao lado, mas não era para gente como nós... era assim com quase toda a gente", disse.
Era assim em todo o lado, era assim com quase toda a gente e havia sempre quem estivesse pior. "Mas no fundo não éramos infelizes... porque não conhecíamos outra realidade que senão aquela". Eram filhos de um bairro pobre, herdeiros estatísticos dessa miséria, num país orgulhosamente só e onde a pobreza era vendida pelo regime como uma virtude. Até que a democracia os fez descobrir que ninguém nasce condenado ao bairro de onde veio ao mundo.
Desde miúdo que ouço o quão fácil foram as coisas no dia 25 de Abril. Pelo menos comparado com outros países. Quem passa uma infância inteira a acreditar que o país mudou num dia, quase como que com um estalar de dedos ou golpe mágico, está encaminhado para chegar à vida adulta numa insatisfação alucinada e perpétua. "Se foi tão fácil mudar as coisas no passado, então porque raio não se faz o mesmo hoje". É irónico: conheço tanta gente da minha idade a quem a revolução não lhes diz nada porque "já foi há muito tempo". Parecem não perceber que eles próprios, nós, somos prova viva do quão extremamente próximo esse dia nos é. Que só é distante para quem o afasta e quando vos pedirem provas, simplesmente contem a vossa história.
É porque o 25 de Abril não é essa coisa distante, velharia numa prateleira cheia de outros tantos dias para contar, porque o esforço desse dia esteve longe de terminar às 17:45 com uma rendição no Quartel do Carmo. O esforço persistiu. O esforço fez com que a minha avó não visse os filhos servirem de carne para canhão por uma guerra imoral e deu-lhe o direito a envelhecer com dignidade. O esforço arrumou com a doutrinação tirânica e deu uma educação aos meus pais. O esforço acabou com os banhos de água gelada numa bacia do jardim. O esforço alcatroou, iluminou e saneou as ruas de um bairro há muito esquecido. O esforço vestiu quem passava frio e calçou quem não tinha outra escolha senão andar descalço. O esforço fez com que o hospital, que sempre esteve ali tão perto, deixasse de estar tão distante porque a saúde deixou de ser para alguns e passou a ser um direito de todos. O esforço tirou da cabeça do meu pai a ideia bafienta vigente de que a pobreza em que tinha nascido era uma virtude, uma inevitabilidade digna de romantização e deu-lhe capacidade de ambicionar mais. O esforço tirou a minha família do sótão sobrelotado de uma mercearia num bairro onde a pobreza era herança garantida. O esforço deu a primeira geração de licenciados a uma família onde se começava a trabalhar duro aos 13 anos. O esforço deu-me uma infância onde tive aquilo que até há poucas décadas era considerado um luxo: tempo para ser criança. O esforço persistiu e ainda persiste. Pode até haver quem o queira afastar, o venda como distante ou o sinta como insuficiente. É aquilo que separa o contentamento generalizado da ambição de querer sempre melhor. A maior contradição da democracia é que quanto mais cumpre, mais lhe é exigida. Mas haverá sempre esta e outras tantas fotografias que nos recordam de outras tantas histórias de famílias por este país fora, a quem o 25 de Abril foi bem mais do que a mudança do regime. Foi a única garantia de que as suas vidas finalmente mudavam. São prova do quanto já cumpriu, continua a cumprir e irá certamente cumprir ainda mais.
Ninguém é o bairro em que nasce, mas nunca podemos esquecer o bairro de onde viemos. Eu não esqueço. Especialmente hoje. Viva o 25 de abril, sempre.
microsoft Word is the most sensitive thing ever. you move something half an inch and all the pictures move, 3 new pages inserted, fire alarm goes, thunder and lightning, volcano erupts, stock market collapses.
Your 20s are all about loss. You lose your friends, you learn to lose the idea of what you thought your life would be. You shed the skin of youthful careless. You lose hope, money, even your mind.
But it’ll get better. It’s a rite of passage.