Um dia você vai perceber que ninguém realmente estava te olhando, e que você poderia ter feito tudo o que quisesse.
Entre um gole, um sorriso e a memória das ruas antigas, a gente entende: a vida sempre esteve esperando a nossa coragem.
Mas essa utopia vem sendo ferida: a festa da simplicidade enfrenta a gourmetização. Varandas de bancos, cercadinhos, exclusividades. O sagrado popular virando vitrine. E o que era comum vai sendo recortado — até a fé se vende em parcelas.
No Círio tudo é muito utópico — um tempo em que o ideal da partilha parece possível. A fé, o afeto e o tambaqui se misturam. Na procissão e no pós-procissão, a cidade se iguala em cheiro de maniva e suor de gente.