Meus pecados ainda conversam comigo em silêncio.
No fim, o observador mais íntimo e o juiz mais implacável da minha vida sou eu mesmo.
Cada escolha tem um peso enorme, e carregar a responsabilidade dos próprios passos assusta, mas é o que me ancora no
m
u
n
d
o.
que sensação estranha
parece que estou no meio do oceano
sem norte
e que está entrando água em meu barco o tempo todo e o todo tempo estou com meu balde tirando essa água.
Eu me conheço, mas não entendo metade das coisas que eu sinto.
Sou calmaria, mas não sei explicar a intensidade.
Eu tenho identidade, mas as vezes não sei quem sou.
Eu me amo, mas todo dia queria sair de mim mesmo.
Sou a mpb, mas todo dia eu sou rock.
Eu me devoro.
Estou há dias em silêncio comigo mesmo. Tenho me ignorado o mais possível que consigo. Falo com as pessoas, mas apenas o necessário. Depois volto pro meu silêncio endurecedor e me ignoro. Ignoro minha existência e finjo que não existo. E estou fingindo tanto,
E um longo dia se passou
mas não fiquei contando as horas
pude ter com calma a percepção do tempo
ansioso ou não dedilhei os acordes
senti como era bom voltar a sentir alguma coisa.