O QUE DISSE JES SOBRE AS AUTARQUIAS?
“Nós estávamos conscientes das fragilidades que enfrentaríamos caso partíssemos para as eleições autárquicas sem antes garantir condições mínimas à população rural, sairíamos fustigados, pois, internamente, sabiamos que perderíamos 70% do nosso eleitorado em eleições gerais. A situação nos últimos anos foi-se deteriorando cada vez mais, o fosso da pobreza e a insatisfação social foram-se agravando, não deixando margem de dúvidas que se partíssemos para eleições autárquicas haveria uma grande derrota para o MPLA. Infelizmente, e apesar deste grito vindo da sociedade, os meus camaradas continuavam sedentos para manter o poder sem encontrar soluções que retirasse o povo da situação em que se encontrava. Fomos incapazes em vários aspectos, o medo de perder o poder deixou-nos a todos aterrorizados sem qualquer saída, as soluções que se encontravam passavam por violar as leis existentes e contrariar a vontade da maioria que clamava por uma mudança urgente. Com o camarada Carlos Feijó e o general Kopelipa, numa reunião que tivemos, decidimos remeter esta situação para mais tarde, para que encontrássemos caminhos e outras soluções que viessem acalmar o tumulto e o alvoroço que se estava a instalar, particularmente em 2015, quando a sociedade civil se estava a organizar em grupos para se manifestar com assuntos muito pontuais e reais, o medo foi-se instalando e procurou-se tomar decisões cautelosas que em nada nos prejudicassem”.
Confissões de um Patriota(pág. 120).
E até lá, estou-me nas tintas.