Mais um recital de Thiago Mendes em 2026. Um dos melhores volantes que eu vi com a camisa do Vasco e que faz uma temporada de alto nível. Joga muita bola.
O Vasco está a tanto tempo na merda e se descolou tanto da sua realidade de grandeza como instituição que tem uma geração inteira espantada com os movimentos do BAP contra o Vasco (e somente o Vasco). Afinal, “como pode esse time que não briga por nada incomodar tanto o presidente da principal potência do continente na atualidade?”. Não é isso que a garotada tá sem entender?
BAP e todos eles (os mais velhos, claro) nunca vão admitir isso na sua frente, mas sabem muito bem o que uma eventual recuperação do Vasco pode representar. O sonho deles há 100 anos é de estabelecer uma hegemonia sem fim. Que nossa torcida desapareça e que o Rio só possua um representante real. Eles sabem nossa história tão bem quanto nós mesmos. Sabem das inúmeras demonstrações de grandeza que o Vasco deu desde lá de trás, na construção do maior estádio da America do Sul nos anos 20, da vitória narrativa e política do nosso clube, da necessidade que tiveram de se alinhar ao discurso nacionalista e de fazer uma grande obra de MKT pra se colocar como um clube popular (já que seu berço era o oposto) enquanto o Vasco varria a America e o Mundo nos anos 40 e 50.
Eles sabem do trabalho que tiveram na Radio Nacional, na Globo e no apoio estatal para se colocarem como o “o time do brasileiro”, forçando a narrativa de que o verdadeiro time popular da cidade “era coisa de português”. Sabem do que representaram os gols de Roberto e a figura dele como resistência a essa narrativa que por décadas tentou sepultar os outros times da cidade. Sabem do terror que foi ficar décadas atrás no retrospecto do clássico, de ver Roberto humilhar o maior esquadrão da história deles dia e noite, de ver o Vasco varrendo tudo em todos os esportes como nos anos 90. Tudo isso é sabido por eles, no interior deles. E por isso é interessante que o Vasco se mantenha exatamente como ele está hoje: fraco politicamente, moralmente e desportivamente. Os outros dois da cidade, com todo respeito que merecem (afinal, são gigantescos), nunca conseguiram estabelecer força popular que representasse real ameaça. Ganharam e ganharão títulos, grandes que são, mas jamais terão força popular (e portento econômica) para um dia sonhar com uma hegemonia. Mas o Vasco é diferente. Estamos falando de outra escala.
E acreditem: o BAP vai tentar até as últimas consequências. Vai emparelhar muita gente pra endossar o seu discurso.
Mas e o Vasco, faz o quê quanto a isso? É simples: o Vasco “só” precisa sobreviver nos gramados e fazer o que precisa ser feito fora dele. O resto? A história dos bons dias do clube e do remorso dos urubus - que, apesar de 100 anos de tentativa, nunca conseguiram promover o apagamento e descolamento do Vasco como clube popular e resistente - explica por si só. É só fazer o certo que o futuro tratará de repetir o passado.
Gostaria de entender o motivo do Flamengo, na figura do seu presidente BAP, não se incomodar com o Cruzeiro, que também está em recuperação judicial, gastando até mais que o Vasco, além de ser adversário na Libertadores.
Está bem evidente que o medo do BAP é o Vasco. Ele está cagando e andando para os outros clubes, que também devem, e também estão contratando.