As pessoas querem abafar tudo com sexo sem sentimento: carência, tristeza, validação, solidão e falta de contato humano verdadeiro trocando por prazer puramente mecânico. O sexo performático virou uma espécie de terapia disfarçada de terapia. E ao meu tudo isso é de uma incongruência muito trágica, porque as pessoas tentam preencher o vazio com algo que, isolado (apenas o sexo), só aprofunda ainda mais esse vazio.
Nelson Rodrigues, com sua visão crua, disse uma vez de forma lúcida sobre a tragédia da separação entre sexo e amor:
“No ser humano, sexo é amor. Portanto, os meninos, as meninas deviam ser preparados, educados no amor. […] O homem é triste porque, um dia, separou o Sexo do Amor. Nada mais vil do que o desejo sem amor. A partir do momento da separação, começou o processo de aviltamento que ainda não chegou ao fim. E, assim, o homem tornou-se um impotente do sentimento e, portanto, o anti-homem, a antipessoa.”
Ou seja, as pessoas querem tapar o buraco existencial com o que só o deixa mais fundo e as tornam não humanas. Nelson já sabia: só o amor (e o sexo como sua expressão mais intensa) salva. O resto é só depreciação disfarçada de diversão.