A prática comum e que corrói a credibilidade do nosso mercado, principalmente aos olhos de estrangeiros, não é insider trading de controlador e executivos. É o exercício de “calibrar as expectativas de resultados” em que o CFO ou RI dá aquela assoprada no ouvido dos mais próximos (acionistas e sell side) para não ter grandes movimentos no dia da divulgação. Tem bastante gente que acha que é diferencial estar nesse grupinho que recebe a informação antes. Só que tem lei clara para isso (segue texto abaixo) que foi aperfeiçoado em 2017 para englobar qualquer pessoa fora da empresa que receba a informação e se beneficie dela. A lei prevê pena de reclusão de até 5 anos. A hora que alguém tomar uma punição séria ou for em cana, para na hora essa prática. Vai ser bom para as empresas de capital aberto e para o mercado local em geral. Só falta aplicar a lei…
Lei 13.506/2017
Art. 27-D. Utilizar informação relevante de que tenha conhecimento, ainda não divulgada ao mercado, que seja capaz de propiciar, para si ou para outrem, vantagem indevida, mediante negociação, em nome próprio ou de terceiros, de valores mobiliários:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa de até 3 (três) vezes o montante da vantagem ilícita obtida em decorrência do crime.
§ 1º Incorre na mesma pena quem repassa informação sigilosa relativa a fato relevante a que tenha tido acesso em razão de cargo ou posição que ocupe em emissor de valores mobiliários ou em razão de relação comercial, profissional ou de confiança com o emissor.
§ 2º A pena é aumentada em 1/3 (um terço) se o agente comete o crime prevalecendo-se de informação relevante de que tenha conhecimento e da qual deva manter sigilo.
Sim. É exatamente por isso que negociam a múltiplos tão baixos. E é por isso que a oportunidade existe. A indústria em que essas empresas opera hj é fundamentalmente diferente da indústria em que elas operavam há 3 anos e o “mercado” não incorporou isso nos preços. Na indústria em que elas operavam há 3 anos, empresas de bens de consumo como a Apple eram os maiores clientes. Mês passado a Micron anunciou que vai descontinuar a linha de produtos para a Apple. Na indústria em que operavam há 3 anos, não tinha grandes vantagens em estar na fronteira tecnológica - isso só servia para venderem produtos de nicho (HBM era 5% do faturamento da Micron) - , na indústria atual, estar na fronteira tecnológica e continuar nela é moat que não cai tão rápido…
Nooooooooossa! Olha o que o Musk acabou de falar no call de resultados da SpaceX:
"O fator limitante hoje é memória. A oferta cresce ~20% ao ano. A demanda cresce 200%, talvez mais. Economics 101: o preço sobe, não cai."
Por que isso é relevante para o investidor brasileiro?
Porque as empresas de memória negociam a P/L de 4-6x gerando caminhão de caixa - com o maior comprador incremental de GPUs do planeta declarando publicamente que não existe oferta suficiente.
Isso coloca em perspectiva o quão pouco atraente nossa bolsa se tornou. Ações envelhecidas de serviços, varejo e bens de consumo que negociam a P/L de 8-9x - que em USD são micro caps - só aparentam atratividade na ótica de quem está preso ao mercado local.
O mundo mudou. O custo de oportunidade de ficar olhando só para dentro do Br nunca foi tão alto…
@FariaLimaElevat Quando chegar lá alguém vai fazer o que eu fiz em 2019 - uma apresentação para investidores com o título TINA (There Is No Alternative) dizendo que chegou a hora da Bolsa no Brasil. Vergonha da lembrança e dos colegas que certamente farão o mesmo…
Tem razão! Corrigindo o que escrevi: existe, sim! Só que são raríssimos. Acho que o caso de terras raras é um bom exemplo para tentar traçar paralelos com a indústria de memória. Em terras raras os valuations de produtores que estão assinando off-takes de longo prazo com cash upfront estão na casa de 20x-40x receita futura por lucros contratados que ainda não existem e estão expostos ao risco de execução. As fabricantes de memória estão a 4-6x lucro fwd, produzindo e gerando caixa hj.
Apostar cegamente em qualquer coisa sem a análise completa pode ser tiro no pé. Sempre!
As máquinas chinesas anunciadas de DUV, olhando as especificações, são equivalentes às máquinas da ASML da geração de 2009, e a previsão é produção de 5 máquinas este ano. Ainda não há na China tecnologia para produção de máquinas EUV, que são usadas nas camadas mais críticas e densas do chip.
Não há dúvidas de que a China fará avanços tecnológicos e conseguirá escalar a produção de equipamentos primeiro para fabricação de waffers de DRAM com máquinas DUV mais avançadas, chegará na produção de máquinas EUV , e eventualmente dominará a tecnologia de empilhamento e conexão vertical TSV dos HBM. O ponto é que isso não é um avanço pontual e definitivo em direção a um alvo fixo – típico de commodity, e sim uma corrida em direção a uma fronteira tecnológica que continuará avançando e que hj só tem 3 empresas nela. Essas empresas estão sendo negociadas a valuations equivalente a 4 – 5 anos de geração de caixa, enquanto 60-70% do seu faturamento está sendo contratado com clientes em contratos de 5 anos com depósito em cash upfront de 20%.
Por que a oportunidade? Justamente por que com IA, essa indústria mudou, muita gente não entendeu a mudança e continua avaliando como se fosse uma indústria de commodity...
I just know Sanjay (CEO Micron $MU) is having the best laugh of his life now. In 2022/2023, Apple $AAPL was squeezing $MU out for cheap memory during the downcycle, even below Micron's average cost.
3 years later, the roles are reversed and Apple $AAPL is getting a taste of its own medicine from the Memory Big 3 (Samsung, SK hynix and Micron).
Apple $AAPL went to CXMT to request DRAM for lower prices, only to get rejected by CXMT. They demand atleast the same prices as Samsung and SK hynix, if not higher.
Also, the entire bearcase of CXMT flooding the market with cheap memory is becoming more and more pointless.
Para quem olha Apple $AAPL vale bater o olho nessa tradução de um jornal coreano de hoje. A vida vai ficar mais dura para a cia. A estratégia de amassar fornecedor - estilo Lojas Americanas - que funcionou muito bem durante 15 anos, pode estar se voltando contra a empresa. Micron anunciou que vai descontinuar a fabricação da linha de chips de memória para a empresa. A Apple foi bater nos chineses e tomou essa resposta aí. Suspeito que em breve podem ter um revés grande na relação com a $QCOM também...
US$ 220 bilhões de capex em um ano, e ainda falta capacidade.
Foi o que a Amazon disse na semana passada. E é o resumo da safra de resultados que reduziu a incerteza da tese de AI, camada por camada:
🔹 Silício: nada de novo. Nvidia, TSMC, SK Hynix, Micron já imprimiam caixa há 2 anos. Valor comprovado. ✅
🔹 Cloud: aqui estava o medo - bolha de capacidade, o "fibra ótica de 2000". O sinal veio forte na direção oposta: Azure +43% ("demanda maior que a oferta" - Nadella), AWS +37%, maior crescimento em 18 trimestres, e o capex recorde justificado por demanda contratada - não por corrida cega contra o competidor. Incerteza reduzida. ✅
🔹 Modelos: sem dados públicos, mas o que circula entre VCs e executivos: OpenAI reacelerando receita e Anthropic acima de US$ 70bi anualizados, já gerando caixa. Incerteza menor - ainda que open source possa achatar margens lá na frente. 🟡
🔹 Aplicação: Palantir ontem: +93% a/a, comercial EUA +149%, margem de 62%. O Karp avisou em 2024: o valor vai para chips e ontologia. Tokens viram commodity; quem traduz modelo em decisão captura o valor. ✅
🔹 Clientes finais: a última peça. Empresas comuns mostrando ROIC maior por causa de AI. ❓
Quando essa última evidência aparecer nos resultados, deve começar a fase de aceleração. E possivelmente de euforia...
Desde que o Tim Cook assumiu, a Apple virou uma máquina de otimizar ROIC no curto prazo, mas abriu mão da inovação.
Poucos projetos realmente seguiram em frente. Acertaram ao frear aquele óculos que parecia de mergulho. A visão para a Siri até estava certa, mas até hoje não conseguiram fazer funcionar. O carro elétrico foi cancelado, e o Jony Ive acabou desenhando a Ferrari Luce.
Como Ferrari, acho o carro horroroso. Mas, se tivesse um logo da Apple no capô, provavelmente teria seria um golaço…
Tenho duas preocupações com a $AAPL neste ciclo de IA.
O primeiro, bem óbvio, é que escolheram continuar maximizando ROIC de curto prazo e otimizando alocação de capital em um momento em que ficar atrás na corrida de IA pode ter consequências sérias para a competitividade da cia no longo prazo. Não sei se a mesma receita que funcionou tão bem para o acionista desde que o Tim Cook assumiu é a abordagem mais apropriada para o momento atual.
O segundo é que o poder de barganha que ela teve sobre fornecedores, e que explorou no limite (estilo Lojas Americanas durante mais de uma década 2005-2020 pelo menos), pode estar se voltando contra ela fortemente neste momento. Vide o que está acontecendo na relação com a Micron - em 3 anos passaram de espremer a garganta da Micron para pedinte. Btw, Micron anunciou que pretende descontinuar a linha de produtos para mercado de consumo (celulares, PCs, etc.). Suspeito que algo parecido pode acontecer também com a Qualcomm - pelo pipeline de desenvolvimento da Qualcomm, não duvido que o Tim Cook tenha que voltar pra eles com o pires na mão em menos de um ano. Todas as cias que produzem hardware para IA, e que estão tendo sucesso, tem como característica comum cuidar muito bem do relacionamento no supply chain…