Raquel Lyra ainda não tem tamanho nacional. Tem algo mais raro: densidade. O Brasil está cheio de políticos enormes e ocos, com milhões de seguidores. Ainda é pequena no mapa de Brasília, mas ocupa espaço porque transmite algo que está desaparecendo da política: eixo.
Eixo é diferente de centro. O centro brasileiro virou concessão, fisiologia, água morna. O eixo permanece enquanto os extremos giram. Há algo de Héstia nisso. Na mitologia grega, ela era o fogo imóvel no centro da casa enquanto os outros deuses disputavam poder e vingança. Não precisava vencer ninguém para ser indispensável.
Raquel também tem algo de Atena: inteligência armada. Atena não recusava a guerra; recusava a burrice da guerra. Estratégia, disciplina, força submetida à razão. Raquel se emociona sem parecer governada por si mesma.
Pernambuco seria o lugar perfeito para fabricar mais uma lulista por necessidade eleitoral. Lula nasceu ali e mantém uma relação quase religiosa com parte do eleitorado. Em 2022, Raquel não declarou apoio nem a Lula nem a Bolsonaro. Precisava conversar com o lulista sem virar propriedade de Lula e com o antipetista sem vestir a camisa do bolsonarismo.
Elizabeth I ajuda a entendê-la. Herdou uma Inglaterra dilacerada por facções e recusou-se a tornar-se propriedade de nenhuma delas. Não buscou a média: deu à Coroa gravidade própria. Todos queriam definir Elizabeth; Elizabeth preferiu definir a Inglaterra.
Raquel vem de família política. É filha de um ex-governador e conhece o cheiro da máquina. Mas parece herdeira sem parecer propriedade da herança. Sua eleição encerrou dezesseis anos de domínio do PSB, um coronelismo socialista: socialista na legenda, aristocrático na sucessão e tradicional na administração de sobrenomes, prefeitos, verbas e afetos.
João Campos é a atualização estética dessa tradição. O coronel ganhou um filtro do Instagram. Trocou o chapéu pelo tênis, a varanda pelo TikTok e o cabo eleitoral pelo algoritmo. O poder continua hereditário, mas agora dança e sorri para a câmera.
Raquel veio de Caruaru e quebrou também a liturgia de um Pernambuco governado como extensão do Recife. Existe nela uma humanidade sem manual de identidade. Quando se fala de pobre, não parece preencher uma categoria sociológica. Fala de água, estrada, creche, ônibus, casa. O pobre continua precisando das coisas que os intelectuais substituíram por discursos sobre ele.
Há algo de Angela Merkel nessa resistência à captura. Os adversários se moviam e ela permanecia. Tentavam arrastá-la para uma trincheira e sua força continuava sendo a estabilidade.
Jane Eyre acrescenta uma camada interior: soberania sobre si mesma. Pode amar sem se tornar propriedade, sofrer sem transformar sofrimento em submissão. Raquel transmite essa mesma estrutura anterior à política.
Isso pesa porque perdeu o marido na manhã do primeiro turno da eleição que mudaria sua vida. Marketing fabrica lágrima, cenário e enquadramento. Não fabrica luto. Por isso o programa funciona. Uma mulher sentada numa sala, respirando e olhando para a câmera, gera mais tensão do que cinquenta reels de um prefeito correndo e apontando para a obra.
Nada disso a santifica. O teste é provar que consegue governar Pernambuco sem ser domesticada pelas estruturas que o governam há séculos. O toma lá, dá cá ganha sobrenome, família, prefeito, empresário, deputado e memória eleitoral. Quebrar essa rede vale mais do que inaugurar cem quilômetros de estrada.
Ela conversa com eleitores de Lula sem ser lulista, recebe votos da direita sem ser bolsonarista e ocupa o centro sem parecer gerente do Centrão. Héstia, Atena, Elizabeth, Merkel e Jane Eyre apontam para uma mesma característica: nenhuma delas ficou interessante por estar no meio. Tinham um centro dentro de si.
Raquel Lyra não é um nome “a ser observado”. Observamos meteoros e pesquisas.
Raquel precisa ser pesada.
Ainda não é presidenciável. Mas já parece algo mais raro: uma personalidade política que não pertence a ninguém.
Uma propaganda que foge do óbvio, humaniza e gera conexão com o eleitor. Inovação na comunicação que fortalece a campanha — e mostra que o marketing da mulher é bom! 💜💜
📈Paraná Pesquisas para o Governo de Pernambuco:
🟣Raquel Lyra (PSD): 46,8% (+15,8)
🟡João Campos (PSB): 42,5% (-10,6)
🔴Ivan Moraes (PSOL): 1,3% (+0,4)
Registro TSE n.º PE-00478/2026
*A última pesquisa do instituto foi divulgada em 22/12
Raquel Lyra e João Campos fizeram eventos numa mesma cidade do interior com dois dias de diferença. João, que tem apoio do prefeito, foi fazer “pré”-campanha e Raquel foi inaugurar uma ponte que havia sido destruída pelas chuvas de 2010 e que depois de três mandatos do PSB ainda não tinha sido reconstruída. Essa foi a diferença da recepção dos dois pelo povo da cidade.
Em amarelo os anos que o ex-chefe de João Campos governou o estado. Em roxo os anos Raquel Lyra.
Se for pra comparar crescimento do PIB e do investimento então até João vai ter que votar em Raquel.
Toda minha solidariedade ao casal vítima de agressões por vendedores em Porto de Galinhas. É evidente que a percepção de se tratar de um casal gay estimulou a violência dos agressores em efeito manada. Vamos acompanhar e cobrar a resolução desse caso e a punição aos criminosos.
Segundo o portal da transparência da prefeitura do Recife, em 2025 foram executados R$ 72,5 milhões em festividades e apenas R$ 6,7 milhões com urbanização de areas de risco. João Campos investiu quase 11x mais em festa do que em obra em area de risco, mas ainda tem que o defenda
🚨 Jair Bolsonaro vai ser preso por tentar dar um golpe de Estado e rasgar a vontade popular. Mas a gente sabe: ele já devia estar atrás das grades pelos crimes que cometeu na pandemia, deixando +700 mil brasileiros morrerem enquanto debochava do luto. A justiça tarda, mas chega! ⚖️✊