Você já refletiu como existem dois caminhos diferentes ao se tornar um jogador da NBA?
Um grande prospecto sempre trilhará o caminho mais fácil: minutagem garantida, um grande contrato, patrocinadores...
Por outro lado, um atleta como Gui Santos, brasileiro, que jogava em um sistema aqui no Brasil (FIBA), com regras diferentes da NBA e até proporções de quadra diferentes, draftado no final do 2º round, na 55ª pick, certamente passa por muitos momentos difíceis até chegar o dia de brilhar, como fez ontem, quando registrou 31 pontos e liderou o time na vitória sobre o Brooklyn Nets.
A realidade é sombria para atletas que são obrigados a trilhar a trajetória do Gui Santos.
Historicamente, escolhas de final de draft enfrentam uma taxa de atrito profissional muito grande e desgastante. Isso começa quando assinam contratos não garantidos, passa por longos períodos na G-League para provar algum valor e, quando não provam, são simplesmente esquecidos e apagados da história da NBA. Foi o caso de Patrick Baldwin Jr., um prospecto promissor que caiu no Draft e foi selecionado pelo Warriors um ano antes de Gui Santos. Alguém sequer lembra dele?
Para compreender a resiliência, a força psicológica e a ética de trabalho do Gui Santos, é inevitável refletir sobre suas raízes. Ele é herdeiro de uma forte vocação para o basquete profissional. Seu pai, Deivisson, foi jogador profissional com uma carreira de anos no NBB, e sua mãe, Lucineide, também trilhou caminhos nas quadras. Essa imersão desde a infância na cultura do basquete de alto rendimento certamente trouxe ao Gui uma base ética e técnica que está sendo testada nos mais altos níveis do basquete profissional.
O caminho é tão árduo que me fez lembrar de uma das primeiras entrevistas maduras do Gui Santos como atleta da NBA, onde ele fez uma reflexão sobre como, inicialmente, seu objetivo era apenas conseguir fazer uma cesta na NBA e entrar para a história. Só uma cesta:
"No meu primeiro jogo contra OKC... eu estava apenas sonhando com aquilo porque no Brasil, eu acho que havia apenas 19 jogadores que jogaram em toda a história. E eu ficava tipo 'por favor, faça uma bandeja e você vai estar na história'".
Eu lembro bem que, ainda nessa entrevista à ESPN, em 2023, Gui narrou um pouco das dificuldades do seu processo de adaptação, como os desafios que ele próprio classificou como um "começo muito ruim", onde as barreiras do idioma, a velocidade vertiginosa do jogo e a complexidade tática colocaram em xeque sua confiança.
Em 2025, ele foi ainda mais longe posteriormente e descreveu a paralisia momentânea que o acometeu em seus primeiros anos na liga ao estar diante de jogadores históricos:
"Acho que senti mais isso nos meus primeiros anos. Logo quando cheguei na liga, no meu primeiro ano, eu estava na quadra e pensava 'Caramba, esse é o Luka, esse é o LeBron [James]'... todos esses caras. Você pensa 'Eu não vou ser bom o suficiente'".
Parece uma epifania, mas, para nós brasileiros, um dos pontos de maior conexão com o Gui Santos talvez seja justamente essa forma humanizada de lidar com as coisas. A humanização do herói esportivo que confessa seus medos e inseguranças. E, também por isso, nós torcemos por ele.
As oportunidades de provar de forma definitiva seu valor vieram na temporada 2025-26, e Gui soube aproveitá-las. Por exemplo, no dia 20 de janeiro de 2026, Jimmy Butler sofreu uma ruptura de ACL, uma lesão catastrófica que encerrou abruptamente sua temporada. Isso criou um vácuo imenso na posição de ala. E a situação se deteriorou ainda mais nas semanas seguintes, quando Stephen Curry foi afastado devido a problemas recorrentes no joelho. O pivô Kristaps Porzingis também saiu da rotação por questões de saúde. A lista de desfalques cresceu rapidamente e passou a incluir Moses Moody, Seth Curry, Gary Payton II e Will Richard.
"Esta é provavelmente a equipe mais machucada ao redor da qual já estive em meus 12 anos com os Warriors", disse Steve Kerr.
É na adversidade que o valor de um atleta é provado.
Antes do colapso no elenco, Gui Santos havia passado por 11 partidas com a designação "DNP-CD" (Did Not Play - Coach's Decision), indicando que estava saudável, mas fora da rotação principal. Ainda assim, não permitiu que a frustração o levasse ao fundo do poço. E são nesses momentos que a ética de trabalho se torna base na vida de um atleta. O brasileiro se manteve focado, em forma e concentrado.
Quando a crise de lesões forçou a mão de Steve Kerr, que se viu sem saída a não ser ampliar suas oportunidades, o brasileiro não entrou em quadra para "errar e aprender". Ele entrou pronto para jogar basquete. Entrou pronto para executar.
O sistema de jogo do Golden State Warriors nos últimos anos é, sem dúvidas, um dos mais exigentes intelectualmente na NBA. Baseado no "motion offense", é um sistema que não permite a estagnação de jogadores isolados segurando a bola. Pelo contrário, exige leituras de espaço quase instantâneas, cortes constantes sem a bola, bloqueios de corpo precisos e uma carga física enorme para sustentar esse fluxo.
Jogadores jovens, focados exclusivamente em pontuação, meramente habilidosos com a bola ou que não se dedicam às pequenas ações do jogo, frequentemente fracassam dentro da cultura esportiva do Warriors, gerando atritos com a comissão técnica.
A genialidade do Gui Santos residiu em compreender e aceitar o seu papel dentro desse ambiente extremamente exigente.
Vale ressaltar que as métricas de desempenho da temporada classificaram o papel primário do Gui como "Connector", com funções secundárias de "Spot Up Shooter" e "Mobile Forward".
Em termos simples, isso significa que Gui Santos precisa ser o jogador que recebe a bola sob pressão e, em frações de segundo, toma a decisão correta: seja um passe extra para um arremessador livre na zona morta, um corte para a cesta aproveitando um momento de fragilidade defensiva, ou um arremesso que, idealmente, precisa ser eficiente.
Nesse sentido, segundo o próprio Steve Kerr: "Sem o Jimmy, Gui realmente agarrou a oportunidade, os minutos que demos a ele, mas também o papel dentro do ataque por causa do vazio que o Jimmy deixou... Ele pode criar algo do nada. Ele faz isso de várias maneiras. Pode ser no 1v1, pode ser em cortes recebendo passes".
Ainda mais fascinante é a total ausência de ego na filosofia de jogo do nosso brasileiro. Em um esporte extremamente glamourizado pela pontuação, Gui encontrou valor na execução do trabalho sujo e árduo. Em suas próprias palavras: "A gente ainda tem o melhor jogador de basquete do mundo, na minha opinião [Curry]... meu papel continua sendo o mesmo. Vou fazer o que tiver que ser feito para me manter em quadra, seja fazer ponto, seja pegar rebote, seja fazer bloqueio. Eu faço o trabalho sujo".
A aceitação do trabalho sujo não é uma subvalorização de si mesmo. E, como já disse Kevin Durant, jogadores que abraçam esse papel estão um passo à frente na consciência competitiva. É como se fosse a compreensão madura de que a vitória está acima da vaidade dos números individuais.
Curiosamente, ao focar nos detalhes menores do seu jogo, como defesa no perímetro, bloqueios e decisões rápidas, os números de Gui Santos seguem crescendo de forma orgânica. O que, na minha visão, o consolida não apenas como um jogador esforçado, mas como um atleta de nível NBA e altamente eficiente.
“Algumas pessoas gostam de silêncio na linha de lance livre. Eu não gosto disso”, disse Stephen Curry após o triunfo sobre o Denver Nuggets.
O camisa 30 falava sobre um dos momentos mais marcantes da noite. Faltando pouco mais de dois minutos para o fim, ele sofreu uma falta dura enquanto arremessava para três pontos. O Chase Center ficou em silêncio. Por um instante, o tempo pareceu parar. Draymond Green e Al Horford correram para ajudá-lo a se levantar, e o alívio se espalhou quando a torcida percebeu que seu líder estava bem.
Curry, no entanto, não seguiu para a linha de lances livres. Caminhou até o centro da quadra, parou sobre o logo do Warriors e ergueu os braços, pedindo o barulho da torcida. O gesto incendiou o ginásio. O time perdia por cinco pontos, mas naquele instante o jogo mudou.
O gesto, simbólico e desafiador, reacendeu o espírito competitivo do time. A partir dali, o Warriors retomou a energia para vencer o jogo.
Nos minutos finais, Curry ainda converteu uma bola de três pontos com 21 segundos restantes no relógio, neutralizando um arremesso clutch de Aaron Gordon, que terminaria com 50 pontos, recorde da carreira, e levando a partida para a prorrogação.
No tempo extra, Curry abriu o placar com mais uma cesta de três, Horford converteu outra para virar o jogo, e Jimmy Butler definiu a vitória com um arremesso decisivo no minuto final.
Curry então exibiu sua clássica comemoração “night night”, esperando que Butler o imitasse no centro da quadra. “Mas ele me deixou sozinho”, brincou o astro, sorrindo. “Mesmo assim, gostei do momento, porque ele também sabe o que significa fechar um jogo.”
As contribuições de Butler, Horford, Kuminga e Green foram igualmente decisivas. Butler encerrou a noite com 21 pontos, 5 rebotes, 6 assistências e 3 roubos de bola. Horford marcou 13 pontos, com três bolas de três. Green registrou 13 pontos, 8 rebotes e 8 assistências, enquanto Kuminga somou 14 pontos e 5 rebotes, completando a formação que fechou o jogo ao lado de Curry.
“Senti que, para vencer, precisávamos colocar nossa melhor formação defensiva em quadra, o grupo mais atlético”, explicou o técnico Steve Kerr. “Obviamente, Steph e Jimmy cuidaram do ataque. Foi muito divertido ver esse quinteto, que nunca havia jogado junto, fechar uma partida contra um dos melhores times da liga.”
Os minutos derradeiros, desde o instante em que Curry pediu barulho da torcida até os lances que selaram a vitória, reforçam o compromisso do Golden State Warriors com um basquete competitivo, honesto e meritocrático.
A partida, no entanto, aconteceu sob uma sombra que pairava sobre toda a NBA: um escândalo que ameaça a integridade e até a credibilidade econômica da liga.
Tudo, da bola ao alto aos pontos marcados, pode se tornar uma “prop bet”, as apostas em eventos específicos dentro do jogo. Aquele rebote que escapou das mãos de um jogador dos Nuggets foi acidental ou intencional? Aquele lance livre perdido dos Warriors foi apenas um erro? Até que ponto o que assistimos é genuíno?
A NBA foi sacudida na manhã de quinta-feira com a notícia de que Terry Rozier, armador do Miami Heat, Chauncey Billups, técnico do Portland Trail Blazers, e mais de trinta pessoas, incluindo um associado próximo de LeBron James, foram presos e acusados em um amplo esquema de manipulação e apostas ilegais.
No caso de Rozier, as acusações envolvem simular lesões para favorecer apostadores em “prop bets” e negociar informações internas sobre a disponibilidade de jogadores, dados que influenciam diretamente o mercado de apostas.
Achar que esse escândalo se limita aos nomes já expostos seria ingenuidade. Há um motivo para o tema das apostas ter sido, por tanto tempo, um tabu entre as ligas esportivas. Como esperar que o público acredite no produto se começa a duvidar de sua autenticidade? Como justificar ingressos que ultrapassam mil dólares para Warriors x Nuggets se paira a dúvida sobre a legitimidade do espetáculo?
As apostas deixaram de ser o intocável dos esportes profissionais. Hoje, tornaram-se parceiras oficiais. DraftKings, FanDuel e outras plataformas que mobilizam milhões de pessoas, de adolescentes a idosos, estão de mãos dadas com as ligas. A NBA lucra com elas. Os donos de times lucram com elas. A mídia lucra com publicidade e patrocínio. E as próprias casas de apostas, naturalmente, lucram com o vício que alimentam. Diante disso, surpreende que alguns atletas também queiram sua fatia?
Embora a liga tenha se moldado em torno dessa nova economia, ainda proíbe jogadores e funcionários de apostar em partidas, manipular resultados ou divulgar informações internas, como status de lesões, para fins de lucro. Todos os anos, o departamento jurídico de cada equipe reforça essas regras.
Steve Kerr comentou que os advogados do Warriors estiveram com o grupo há poucos dias. “A liga é muito rígida com isso”, afirmou. “Uma parte grande da reunião foi: ‘se você contar a um amigo que alguém não vai jogar e essa pessoa repassar a informação, você é responsável’. Nós sabemos disso. A liga tem nos mantido informados.”
Stephen Curry também se manifestou sobre o assunto. “Acho que, no geral, todos estão muito atentos ao que fazer e ao que não fazer, entendendo o cenário do esporte hoje. E não é só sobre a NBA, é um território novo para todo mundo. No geral, somos muito responsáveis. A integridade do jogo está bem. Vamos deixar a situação se desenrolar, mas eu não me preocuparia tanto com isso.”
Mesmo em meio a esse clima de incerteza, o Golden State Warriors mostrou mais uma vez por que, dez anos após o início de sua dinastia, continua sendo o principal palco e o termômetro emocional da NBA. Quando as luzes se acendem e a bola sobe, eles ainda são o centro do espetáculo.
Suas atitudes indicam muito obsolescência programada, não é segredo pra ninguém seu próximo passo egoísta e incoerente, mas tem algo de muito belo e poético em como mente pra si próprio
“Copie e cole, ele é incrível, um dos maiores de todos os tempos”.
Steve Kerr.
Como o @cornetawarriors disse ontem, enaltecer e elogiar Stephen Curry é CHOVER NO MOLHADO.
Mas sendo honesto… como ser indiferente a este GÊNIO do basquete fazendo MARAVILHAS aos 37 anos de idade?
A resposta? É apenas IMPOSSÍVEL.
Curry tem sido inacreditável na série contra um Houston Rockets que tem quase todos os mecanismos para lhe oferecer dificuldades.
- Um combo de corpos dos mais variados tamanhos, defensores AFIADOS, seja Amen Thompson, Fred VanVleet, Jabari Smith ou Dillon Brooks.
- Um dos times mais físicos de toda a NBA, uma defesa que não tem vergonha do contato, que é incentivada a isso.
O que não avisaram para a maioria, ou o que a maioria esqueceu?
Todos eles deveriam temer um dos maiores jogadores de basquete MUITO MAIS do que o contrário!
E nesse momento, apenas não tem importado para ele.
Olhe suas médias na série até agora:
- 29.0 PONTOS
- 7.0 ASSISTÊNCIAS
- 6.0 REBOTES
- 2.0 ROUBOS + TOCOS
- 61.8% TS
Sério, o que Curry fez nas duas vitórias do Warriors na série a nível de shot-making, de execução, construção, arremessos difíceis… CONTRA ESSE NÍVEL DE DEFESA? Das coisas mais espetaculares que já vi.
E sobretudo, em uma noite em que Jimmy Butler não jogou e a assustadora versão de Golden State do meio do ano estava lá.
Um dos dados mais impressionantes de toda a pós-temporada, foi de que o Warriors não conseguiu acertar UMA ÚNICA CESTA com o astro no banco durante pouquíssimos minutos na etapa inicial.
Curry sempre foi o sistema Warriors, sua cara e semelhança.
Mas ontem… foi até um pouco mais, em uma batalha de cães contra uma defesa MOEDORA DE CARNE!
Além dos 36 pontos, deu assistências para mais 21… sua gravidade influenciou em quase todos os 104 pontos.
Aliás, ele não tem sido apenas um raro brilho ofensivo para o Warriors… tem sido para TODA A SÉRIE.
Outro número espetacular? Curry marcou 87 pontos em três jogos, quase 30% dos 293 que Golden State tem na série.
A partir daí, se liga na lista dos maiores pontuadores da série:
Alperen Sengun: 58
Jalen Green: 54
Dillon Brooks: 40
Fred VanVleet: 34
Amen Thompson: 30
Tari Eason: 28
Jabari Smith Jr: 28
Jimmy Butler: 28
SÃO SETE JOGADORES DO ROCKETS até que apareça Butler, que praticamente jogou um jogo só.
É insano, tanto na diferença de pontos dele para Sengun e Green, como em pensar que Houston tem 7 dos 9 principais pontuadores da série (por mais que seu ataque não esteja bem) e ainda está perdendo, muito por como Curry está FORA DE CONTROLE.
Um lembrete de um jogador histórico, de alguém que se consolida cada vez mais no grupo de maiores de todos os tempos, e não entre os 10 não, EM UMA ESCALA MAIOR.
E acima de tudo, em uma coisa que não é tão reconhecida, até pelo paralelo óbvio da geração… Stephen Curry está fazendo tudo isso com 37 anos.
Não é normal gente, definitivamente, ainda mais para alguém que não tem necessariamente o físico e o corpo de um tanque de guerra como tem LeBron.
Wardell continua influente e alterando o jogo que ele mesmo mudou e revolucionou, se recusando a passar o bastão, se recusando a desistir de lutar por mais coisas grandes em uma carreira já repleta de momentos grandiosos.
Uma página gringa sempre se refere a Curry como “o maior show dos esportes”.
Definitivamente, quase nada é tão bom quanto ver uma noite deste cidadão DESTRUINDO defesas rivais e deixando defensores ATÔNITOS, torcedores INCRÉDULOS.
Essa é a revolução de Curry, selvagem e bela… e é um privilégio que a gente ainda possa ver tudo isso acontecendo em 2025.
Como ele mesmo disse após o jogo:
“Não sei quanto tempo tenho ainda na quadra de basquete, então sou grato e vou viver o momento intensamente”.
Nós também.