Já está à venda, meus amigos, e pessoas vagamente conhecidas porém simpáticas. Comprem de Natal pros seus primos nerds. E agradeço os retuites!
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De repente, não mais que de repente, eu me lembrei de duas bienais do livro das quais não participei (a Record alegou que eu não me encaixava no perfil): numa o tema era o feminismo e, na outra, a negritude.
15 min depois, incomodado com o fracasso, Faulkner se aproxima de Lygia Fagundes Telles e tenta de novo: "Se os seus contos forem tão grandes quanto os seus seios, eu não vou ler, porque eles vão ser... (faz gesto com as mãos) grandes demais..." (pisca, é arrastado pra longe).
Quando esteve em São Paulo, em 1954, William Faulkner (25.9.1897-6.7.1962), o genial autor de "O som e a fúria" disse o seguinte para Lygia Fagundes Telles (1918-2022):
“Se seus contos forem tão bonitos quanto seus olhos, a senhora é, certamente, uma grande escritora”.
Eu não estava preparando para isso.
Durante os protestos pela morte do Henry Nowak, um manifestante gritou:
“EU SOU NEGRO! FIQUEM ATRÁS DE MIM!”
E a polícia efetivamente parou de atacar.
You don't understand 20th century history if you don't understand that at some point millions of normal people believed in something as perfectly irrational and even absurd as the advent of "Socialist man."
Poucas coisas são tão infantis do que se irritar com a preferência literária dos outros. A casa literatura tem tantas moradas que não é possível que em cada um de nós não habite um pouquinho do bom e do mau gosto.
"For I keep the true function of literature exposed under a perpetual light. This function is to make me happy. The only difference between good and bad literature is that the first administers happiness to me, and the second does not.”
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“A successful poem (and, by the way, a successful work of any art) is one that has lifted its “consumer” from his or her current level of pleasure to a higher one. There is no loophole from this inflexible axiom, no escape door opened by any theory of art. “Please or perish!”
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Questão técnica: retratar defeitos num personagem é muito mais fácil do que retratar virtudes. A verossimilitude do mal é maior do que a do bem. Personagens maus saem mais redondos do que personagens bons. Qualquer um que já tenha tentado escrever ficção sabe disso.
Por dois reais, se você tem kindle você compra a obra completa de Fernando Pessoa. Isso só é possível graças à internet. Não falem mais mal da Internet, filisteus!
Dou aula de Sociologia há tempo suficiente para citar trechos de Foucault de cor, e ainda assim travo a porta do carro quando o sinal fecha no lugar errado. Não moro onde o crime manda. Moro num apartamento de classe média alta, num bairro onde o medo é abstrato o bastante para render teses bonitas sobre soberania brasileira. Digo isto antes de qualquer coisa, porque a indignação que vou criticar é também a minha, e ela sai mais barata de onde eu falo.
A nota do governo separa duas coisas: o terror que busca lucro e o terror que busca ideia. Facção entra na primeira gaveta –tráfico, arma, dinheiro— e por isso não seria terrorismo de verdade, só crime grande. Crime organizado. Terrorismo? Nunca.
A distinção é limpa. É falsa. É estúpida.
Quem controla quem entra e sai de uma rua governa aquela rua. Decide o toque de recolher, cobra imposto, executa sentença. Manda. Ou seja, tem poder político. Faz, em escala de quarteirão, o que o Estado faz em escala de país. Chamar isso de mero "comércio" é a parte conveniente da nota.
Santo Agostinho já tinha dito isso, com menos pudor: removida a justiça, reino é quadrilha que deu certo --e quadrilha é reino que não deu.
A esquerda, de todos, deveria ser a última a comprá-la: foi ela que passou um século ensinando que economia e política são a mesma carne, que não existe lucro inocente de mando. Marx não precisava de bandeira para enxergar dominação no bolso da burguesia. Por que, justo agora, o dinheiro passou a provar inocência política?
Dirão que facção não tem projeto de país, só caixa –e é verdade, em parte. Só que projeto de país é luxo de quem já tem o Estado garantido. Quem manda num beco não precisa de utopia; precisa do beco.
O que, de fato, agride não é o erro conceitual. É o tom. Esse sim mais preocupado com politicagem ideológica.
A mesma classe intelectual que fareja autoritarismo em cada relação intersubjetiva descobriu, de repente, um apreço comovente pela palavra "soberania". Aqui, declamada do palacete, do apartamento bem ventilado, sobre um país onde a soberania do Estado termina na entrada de centenas de comunidades. Indignar-se com o vocabulário é confortável. Custa uma coluna e o moralismo seletivo.
Eu também me indigno barato, e sei disso. Falo de Bourdieu numa sala de aula segura com no máximo alunos sonolentos e volto para casa por esquinas que escolho com cuidado. Só não consigo dizer "Brasil soberano" em voz alta sem antes lembrar que, enquanto eu escrevia esta frase, um desconhecido levou um tiro por um celular, e ninguém ali estava interessado na minha definição de terrorismo.