O enterro do “espírito do Alasca” e o esgotamento da paciência de Moscou
O ataque de drones ucranianos a um dormitório escolar em Lugansk, que matou 21 estudantes em pleno sono e feriu dezenas de outros, foi a proverbial gota d’água para a paciência de Moscou. A Rússia retaliou de imediato com o mais pesado ataque de mísseis a alvos em Kiev e o Ministério de Relações Exteriores divulgou uma advertência para que diplomatas e cidadãos estrangeiros deixem a cidade o quanto antes.
Na segunda-feira 25, o chanceler Sergei Lavrov falou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e reforçou o aviso, aproveitando para recordar o encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump no Alasca, em agosto passado, lamentando que o entendimento obtido na ocasião tenha sido sabotado por Kiev e seus apoiadores europeus.
Parece mesmo que o Kremlin não está para brincadeiras. Os próximos dias deverão ser tensos, com uma escalada bélica na Ucrânia e um impasse simultâneo no Golfo Pérsico.
O CINISMO AMAZÔNICO DE LULA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que teme uma investida dos EUA de Donald Trump na Amazônia, porque, segundo ele, o País está desguarnecido e não deu atenção ao tema. “Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele, quem afirma que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?” – afirmou.
Entre Lula e Trump, é difícil saber quem é o mais cínico. De fato, a Amazônia já foi invadida, desde há muito, mas: 1) pelos exércitos irregulares das ONGs ambientais e indigenistas protegidos pelo governo do PT e seus órgãos setoriais recheados de militantes disfarçados de técnicos – Ministério do Meio Ambiente, Ibama, ICMBio e Funai; e 2) pelas facções do crime organizado, principalmente, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que já têm forte presença em mais de um terço dos municípios da Amazônia Legal.
Enquanto Lula exibe o seu pseudopatriotismo de fachada, o governo concentra esforços em reprimir toda sorte de atividades produtivas na região, cuja escassez ajuda a abrir caminho para a criminalidade.
Impasse en la “trampa de Tucídides”
Durante la reciente visita del presidente estadounidense Donald Trump a China el presidente Xi Jinping le cuestionó a su invitado:
“¿Podrán China y Estados Unidos superar la llamada «trampa de Tucídides» e inaugurar un nuevo paradigma en las relaciones entre grandes potencias? ¿Deberíamos ser socios, no adversarios, buscando el éxito mutuo, prosperando juntos y forjando un camino propicio para la coexistencia de las grandes potencias?”
La referencia a la Trampa de Tucídides se refiere al concepto creado por el historiador griego, según el cualcuando una potencia emergente, en este caso China, sustituye una potencia descendente, en este caso los EUA, a través de un conflicto armado. En la era nuclear actual, este conflicto seria aparentemente impensable porqueevidentemente un conflicto global implicaría en la destrucción total de la civilización humana.
En la realidad no estamos apenas en un conflicto bipolar de dos grandes potencias económicas y si en un orden tripolar de grandes potencias nucleares encabezadas por la Federación Rusa, China y los EUA, en el camino de la formación de un escenario multipolar. Y en ese mundo, que carece del principio de disuasión, la posibilidad de que los conflictos en Irán y principalmente Ucrania evolucionen a un confronto nuclear crecen a la luz del día.
El mundo durante la Guerra Fria entre los EUA y la Unión Soviética fue, irónicamente, un sistema de seguridad global más confiable. La doctrina de la Destrucción Mutuamente Asegurada (MAD, por sus siglas en inglés), especialmente después de la crisis de los misiles en Cuba en 1962, estableció un sólido sistema de disuasión nuclear. La caída del Muro de Berlín en 1988 y a seguir la disolución de la Unión Soviética, abrió en los líderes del bloque “atlanticista” encabezado por los EUelucubraciones insanas sobre la posibilidad de la disolución de Rusia, transformada en republiquetassaqueables de sus enormes recursos naturales. La reemergencia de Rusia a partir del año 2000 echó a tierra esta vana esperanza que oxigenaría el decrepito sistema financiero atlántico. La guerra por delegación (proxy war) en Ucrania es un canto sangriento del cisne de esas fuerzas oligarcas enloquecidas.
La guerra no provocada contra Irán promovida por los EUA e Israel tiene, en el fondo, idéntico propósito para controlar sus enormes recursos naturales y mantener la ya inviable posición de Israel como la punta de lanza de los intereses del Occidente “atlanticista” en el Medio Oriente. La respuesta misilística hipersónica inesperada de la Republica iraní, no solo derrumbo esas pretensiones neocoloniales, mas colocó en jaque las mismascapacidades militares de los EUA e Israel.
La insistencia occidental en esa estrategia militar para sostener un sistema monetario y financiero decrepito, que llevó a eliminar los tratados de armas estratégicas de corto, mediano y largo alcance, con ataques terroristas contra bombarderos y radares estratégicos en territorio ruso, abrió una fase del conflicto global en que las armas nucleares poden ser tácticamente utilizadas. De eso se trata el virtual ultimatum nuclear de Rusia emitido por el profesor Sergei Karaganov, que nuestros lectores podrán ver en esta edición.
Solo superando este mundo tripolar carente de disuasión es que podemos pensar un mundo multipolar basado en los principios del bien común y la convivencia pacífica de las naciones soberanas. Antes de eso, son apenas buenas intenciones
“Doutrina nuclear Karaganov” entra em fase operacional
Nas últimas semanas, o cientista político russo Sergei Karaganov, que tem vínculos estreitos com as lideranças de Moscou, tem alertado que a paciência estratégica de seu país com as potências europeias da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e seu apoio irrestrito à Ucrânia está mais que esgotada. Uma das possibilidades de retaliação levantadas por ele seriam ataques pontuais a alvos europeus engajados no fornecimento de armamentos, logística e apoio de inteligência às forças de Kiev, se preciso, com armas nucleares táticas.
Na terça-feira 19, em meio a um aumento do número de ataques ucranianos com drones ao país, a Rússia iniciou um grande exercício militar de três dias, para “preparação e uso de forças nucleares em caso de ameaça de agressão”.
O Ministério da Defesa russo informou que os exercícios envolvem 64 mil militares, 200 lançadores de mísseis, inclusive nucleares, 140 aviões, 73 navios e 13 submarinos, e inclui o treinamento de lançamento de armas nucleares táticas.
Segundo a agência Reuters, o vice-chanceler Sergei Ryabkov afirmou que os riscos de um embate direto entre a Rússia e a OTAN estão aumentando, em paralelo com a crescente narrativa nas capitais europeias sobre a “iminente ameaça de uma guerra de alta intensidade com a Rússia”.
Talvez, em sua insânia, os europeus estejam incorrendo em um caso típico de profecia autocumprida.
SARMAT 2: El mensaje nuclear ruso es real.
El martes 12, Rusia realizó una prueba de fuego real de su nuevo misil balístico intercontinental RS-28 Sarmat (Satan II, según la clasificación occidental), considerado el más potente del mundo. Con un alcance de 35.000 kilómetros, una velocidad de Mach 26 (26 veces la velocidad del sonido) y la capacidad de transportar hasta 16 ojivas de reentrada independientes, incluido el planeador hipersónico Avangard, el Sarmat puede alcanzar objetivos en cualquier lugar del planeta y superar cualquier defensa antimisiles existente.
En un discurso pronunciado en el Instituto de Tecnología Térmica de Moscú, el presidente Vladimir Putin destacó las características del misil y afirmó: «Sin duda, continuaremos modernizando y desarrollando nuestras fuerzas nucleares estratégicas, creando sistemas de misiles con capacidades de combate cada vez mayores, capaces de penetrar todos los sistemas antimisiles balísticos actuales y futuros». Para los observadores más perspicaces, no pasó desapercibido que la prueba tuvo lugar al mismo tiempo que el politólogo y asesor del gobierno ruso, Sergei Karaganov, proponía, en entrevistas, ataques directos contra las potencias occidentales involucradas en la guerra de Ucrania, lo que muchos consideran un ultimátum virtual a la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN).
O ultimato nuclear de Moscou
A Rússia chegou ao limite da tolerância com a interferência direta do Ocidente na guerra com a Ucrânia e parece disposta a elevar a escalada bélica a um novo e potencialmente perigosíssimo nível, alvejando objetivos militares e civis das potências europeias mais engajadas, como o Reino Unido, Alemanha, França e Polônia. Em último caso, o uso de armas nucleares táticas não estaria descartado.
O recado em tom de ultimato foi transmitido por Sergei Karaganov, diretor da Faculdade de Economia Mundial e Assuntos Internacionais da Universidade Estatal de Moscou, presidente honorário do Presidium do Conselho de Política Externa e de Defesa e alto conselheiro das lideranças de Moscou, em entrevistas ao cientista político norueguês Glenn Diesen, em seu canal no Youtube, e à jornalista Yuliya Novitskaya, no sítio New Eastern Outlook. Falando a esta última, ele foi enfático:
“(...) Se os europeus continuarem a guerrear contra nós (e nós estamos guerreando contra a Europa, e a Europa está guerreando contra nós, embora evitemos dizer isso timidamente), então, precisaremos partir para ações concretas – e não em relação à Ucrânia. Por muitos anos, a Ucrânia foi transformada em uma adaga apontada para o peito da Rússia. Não queríamos admitir isso. Fomos tolos e fracos. Agora, esse povo infeliz, com lavagem cerebral e parcialmente fraternal, está na situação em que se encontra. Mas a raiz do mal está no Ocidente. Portanto, precisaremos atacar o Ocidente.
“(...) O cenário mais simples é começar atacando com mísseis convencionais, armas convencionais, munições convencionais contra alvos simbólicos, contra centros logísticos e contra bases militares, ou seja, ataques que possam fazer o público refletir. Se eles não pararem, a próxima onda de ataques virá. Caso eles respondam e não cessem, então haverá um uso limitado, porém significativo, de armas nucleares contra alvos militares e civis e, é claro, principalmente contra os locais onde essas elites se reúnem.”
É de muito bom alvitre que as elites europeias citadas por ele prestem a devida atenção ao recado.
O que Trump já destruiu não volta mais
Uma das maiores ironias da atualidade é o papel altamente disruptivo do presidente Donald Trump no desmonte da estrutura “globalista” que vinha dando as cartas no Ocidente e em grande parte do planeta, no último meio século.
Começando pelos próprios EUA, onde já deu um golpe de graça no aparato montado em torno da “descarbonização” da economia e das “finanças verdes”, herdado de seus antecessores e que não foi capaz de confrontar adequadamente no primeiro mandato. O mesmo vale para a rede de incentivos às ideologias identitárias e “woke”, que também se espraiava entre órgãos governamentais, fundações privadas e até mesmo universidades.
No plano externo, apesar das promessas de campanha de manter o país fora das “guerras intermináveis”, não foi capaz ou não quis resistir ao lobby sionista e às pressões do premier israelense Benjamin Netanyahu, e acabou se lançando na desastrosa aventura bélica contra o Irã. Independentemente do desfecho do confronto, dois resultados já se destacam: o escancaramento dos limites do poderio militar estadunidense para impor os seus desígnios políticos; e a conversão instantânea do Irã em uma virtual superpotência global, mesmo sem dispor de um arsenal nuclear (que, sem dúvida, teria bloqueado a insanidade de Trump e “Bibi”).
E, como as proverbiais palavras lançadas ao vento da sabedoria popular, o que Donald já destruiu não terá volta.
O escândalo do “Banco Gângster”
A decisão do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de ampliar a sua delação premiada à Polícia Federal, promete ser o rastilho do que alguns comentaristas já qualificam como a maior crise institucional do Brasil nas últimas décadas. De fato, é cada vez mais evidente que o banco de Vorcaro, cujo nome mais adequado seria “Banco Gângster” (copyright para o presidente Franklin Roosevelt, que chamava os banqueiros estadunidenses de “banksters”), foi concebido desde o início como uma colossal arapuca para explorar os desvãos do sistema financeiro estabelecido no eixo Faria Lima-Banco Central, devidamente “protegida” por uma vasta teia de altos representantes nos três poderes da República, alguns já identificados e outros que ainda devem emergir das investigações.
E os abalos precursores sugerem que o terremoto principal será dos grandes.
Na Colômbia, “100 AÑOS DE SOLIDÃO” para a transição energética
A Colômbia, terra natal do mestre do realismo mágico, Gabriel García Márquez, foi o palco da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada em abril em Santa Marta, mas que bem poderia ter sido realizado na imaginária Macondo de “Cem anos de solidão”, dado o inevitável nível de dissonância cognitiva dos participantes.
O evento, organizado pelos governos da Colômbia e da Holanda, foi uma espécie de prêmio de consolação para os adeptos da “descarbonização” da economia mundial, que esperavam sair da conferência climática COP30, realizada em Belém (PA), em novembro, com um “mapa do caminho” para a substituição acelerada dos combustíveis fósseis. Compareceram representantes de 57 países, Brasil inclusive, que produziram as seguintes resoluções:
- a elaboração de “mapas do caminho” nacionais;
- foco nas emissões da produção dos combustíveis fósseis, sendo a Noruega e a Margem Equatorial Brasileira citados como exemplos;
- busca de recursos a fundo perdido dos países industrializados para o Sul Global, sem a correspondente geração de dívidas;
- criação do Painel Científico para a Transição Energética Global, para “assessorar” os governos engajados.
A contribuição “científica” veio de uma reunião na Universidade de Magdalena, de onde saíram as seguintes recomendações:
- interrupção de novos projetos de combustíveis fósseis;
- redução das emissões de metano (leia-se pecuária);
- aceleração da eletrificação;
- fim dos subsídios ao setor petroleiro.
Segundo os debatedores, as propostas se sustentam em evidências econômicas que, supostamente, apontam para o declínio acelerado da indústria do petróleo. Como não se sabe onde foram buscar tais dados, só podemos imaginar que decidiram criar uma espécie de realismo mágico para seus delírios tecnológicos sobre a transição energética.
Entre a multipolaridade e o “fim dos tempos” apocalíptico.
Em um oportuno artigo intitulado “A falácia mecanicista – por que o Ocidente falha na geopolítica com tanta frequência”, o ex-diplomata e ex-analista do MI-6 britânico Alastair Crooke afirma sem rodeios que a lente da racionalidade secular do Ocidente não é adequada para entender o conflito Israel-Palestina. Para ele, é evidente que o futuro da região está sendo cada vez mais decidido por símbolos religiosos – “[a mesquita de] Al-Aqsa versus o Terceiro Templo”.
Crooke com a palavra: “(...) Em Israel, as eleições nacionais de novembro de 2022 trouxeram uma nova liderança comprometida com a fundação de Israel na ‘Terra de (Grande) Israel’, deslocando a população não judaica e implementando a lei haláquica [referente aos costumes ditados na Torá e pela tradição rabínica].
“A plataforma do novo governo era uma expressão de um propósito escatológico e messiânico, com uma teleologia de buscar um caminho rumo à Redenção messiânica. Não era secular, nem expressa em tons iluministas.
“Meu argumento... é que as formas de pensar seculares e mecanicistas ocidentais não compreendem essas mudanças fundamentais. O Ocidente insiste em aplicar seus preceitos conceituais ocidentalizados a algo — o messianismo e a busca pela Redenção — que está fora do escopo da consciência ocidental pós-moderna de hoje. Entendemos bem a política de poder, mas a escatologia é, em grande parte, um livro fechado para a maioria dos ocidentais seculares.”
Por outro lado, ele afirma que “os próprios EUA estão longe de serem imunes às correntes do idealismo messiânico, do milenarismo e do maniqueísmo”. Citando o historiador Michael Vlahos, observa: “Desde a sua fundação, os EUA têm buscado, com fervor religioso ardente, um chamado superior para redimir a humanidade, punir os ímpios e batizar um milênio de ouro na Terra. A América tem se mantido firme em sua visão única de missão divina como o ‘Novo Israel de Deus’.”
Quer dizer, “os EUA não são apenas ‘messiânicos’ em caráter... mas manifestam uma visão implicitamente bíblica, proclamando a sua fé na natureza predestinada de sua passagem. Uma ‘nação escolhida’, divinamente eleita para agir em nome da Providência como Redentora do mundo.”
Não obstante, o que Alastair Crooke sinaliza é o fim da era dominada pela supremacia do pensamento mecanicista consolidado pelo Iluminismo ocidental, grosso modo, os últimos três séculos e meio. Sistema que, cada vez mais se mostra incapaz de explicar fenômenos que apontam para a metafísica, inclusive a própria revolução islâmica e a consequente resiliência do Irã no embate com duas das maiores potência bélicas do mundo, o ressurgimento da Rússia ortodoxa e a expansão do catolicismo nos próprios EUA, em grande medida, impulsionada pela imigração hispânica.
Em essência, uma encruzilhada entre uma multipolaridade real e o “fim dos tempos” ansiado e trabalhado por fundamentalistas travestidos de vanguardeiros da civilização.
@InterstellarUAP The Baltic Anomaly has a rocky constitution, but it is probably an artificial structure of the megalithic kind. So, it must have been built at least 12,000 years ago or even earlier, when that region of the Baltic Sea was dry land still. If this is true, who built it and why?
O clamor por uma autoridade internacional legítima
Editorial do jornal Página Iberoamericana, abril de 2026
No marco da chamada Operação Fúria Épica, a guerra de escolha desfechada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a voz do Papa Leão XIV desencadeou a fúria do presidente Donald Trump, que considerou intolerável ter a sua pretensão de ser uma autoridade universal, governante do destino da humanidade e detentor do poder de “aniquilar uma civilização”.
Assim como alertam os oráculos nas tragédias gregas, os deuses levam à loucura os arrogantes – aqueles que se consideram deuses – antes de destruí-los. Nenhum outro destino parece aguardar Trump e seu aliado, o arquibelicista premier Benjamin Netanyahu, que subestimaram a dimensão das suas intenções nefastas e superestimaram a sua própria capacidade de concretizá-las.
Durante a vigília pela paz realizada em 11 de abril, diante da ameaça iminente de um conflito generalizado no Oriente Médio, o Pontífice dispensou o protocolo diplomático para declarar com veemência:
“Elevemos o olhar! Ressurjamo-nos dentre os escombros! Nada pode nos acorrentar a um destino predeterminado, nem mesmo neste mundo onde os túmulos parecem insuficientes porque a vida continua sendo crucificada, sem justiça e sem misericórdia. Que os nossos pensamentos, palavras e ações rompam as correntes demoníacas do mal e se coloquem a serviço do Reino de Deus; um Reino onde não há lugar para espadas, drones, vinganças ou a banalização do mal, mas apenas para dignidade, compreensão e perdão.”
Fazendo um retrato pouco velado do presidente dos EUA e de seu homólogo israelense, prosseguiu Leão XIV:
“Aqui encontramos um baluarte contra esse delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo. Já chega de idolatria do ego e do dinheiro! Chega de exibição de força! Chega de guerra! A verdadeira grandeza se manifesta no serviço à vida. São João XXIII escreveu com simplicidade evangélica que a paz beneficia a todos: ‘cada pessoa, lares, nações, toda a família humana’. E, ecoando as palavras categóricas de Pio XII, acrescentou: ‘Nada se perde com a paz; tudo pode se perder com a guerra.’
“A guerra divide, a esperança une. A prepotência pisoteia, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Um pouco de fé – apenas um pouquinho, queridos irmãos e irmãs – basta para enfrentarmos juntos, como humanidade e com a humanidade, esta hora dramática daHistória.”
Que legado nos oferece este despertar de consciências? O próprio papa oferece um fio condutor. Em primeiro lugar, ele observa que, sob o jugo da globalização financeira e da adoração ao dinheiro, o Direito Internacional foi reduzido a cinzas.
Portanto, é profundamente significativa a menção ao seu predecessor, Paulo VI, que, em sua profética encíclica Populorum progressio, advertiu que desenvolvimento e justiça são os novos nomes da paz. Sem esses dois pilares no cerne das relações internacionais, apenas o abismo nos aguarda. Estabelecer uma autoridade internacional legítima, que cultive a virtude da justiça e o bem comum,se apresenta hoje como o imperativo universal para exorcizar os demônios do orgulho e do poder absoluto.
Trump afoga o globalismo em Ormuz
Os desdobramentos da guerra de escolha desfechada pelos EUA e Israel contra o Irã estão acelerando a olhos vistos o inexorável declínio da agenda globalista encabeçada pela alta finança especulativa internacional e baseada na hegemonia política e militar dos EUA para a implementar a chamada “ordem baseada em regras”.
Por ironia, essa tendência se acelerou após o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca, cujo governo iniciou o desmonte da agenda da “descarbonização” da economia e das “finanças verdes” associadas a ela. Além disso, recolocou na pauta econômica o Sistema Nacional ou Sistema Americano de Economia Política de Alexander Hamilton & cia., o conjunto de diretrizes que lançou as bases para transformar os EUA na maior potência mundial, em tudo contrário ao neoliberalismo prevalecente no último meio século, como representantes estadunidenses explicitaram na última reunião do Fórum de Davos, em janeiro último, estarrecendo seus interlocutores do maior convescote oligárquico global.
Agora, o mesmo Trump aprofunda a sua condição de elemento disruptivo interno do sistema globalista, ao entrar numa guerra sem qualquer vantagem clara para os EUA, na qual os limites do poderio militar estadunidense têm sido claramente expostos ao mundo. E, junto com ele, as vulnerabilidades das estruturas produtivas baseadas em longas cadeias de suprimentos internacionais, orientadas para a maximização dos resultados financeiros e dependentes de insumos – petróleo, gás natural, fertilizantes, enxofre, hélio e outros – concentrados em certas regiões críticas, como o Golfo Pérsico, cujo tráfego marítimo tem sido drasticamente limitado desde o início da guerra, no final de fevereiro.
E é ainda mais irônico que, ao provocar um bloqueio seletivo do Estreito de Ormuz, pelo qual passam cerca de 20% do petróleo e gás natural consumidos no planeta, a guerra de Trump e seu parceiro (para alguns, controlador), o premier israelense Benjamin Netanyahu, estejam demonstrando que a grande dependência mundial dos combustíveis fósseis não poderá ser reduzida tão cedo.
Trump pode até não ter afundado toda a Marinha do Irã, como costuma jactar-se em suas postagens desconexas na rede Truth Social, mas, seguramente, está contribuindo bastante para afogar o globalismo nas águas do estreito.
@eduardoafvieira Você deve ter magníficas fontes de informação. As agências de inteligência dos EUA dizem desde 2007 que o Irã abandonou o seu programa nuclear militar desde 2004, quando o aiatolá Khamenei emitiu uma fatwa contrária a armas de destruição em massa. Deveria avisá-las.
“New York Times” dá o recado do “Establishment”: Vance é a saída.
Na medida em que o presidente Donald Trump demonstra uma indisfarçável incoerência e um desequilíbrio emocional em seus pronunciamentos públicos e nas redes sociais, a figura do vice-presidente J.D. Vance começa a despontar como uma possível saída para o imbróglio estratégico, político, econômico e moral em que Trump mergulhou o país com a desastrosa guerra de escolha contra o Irã, sobre a qual ninguém contesta ter sido deflagrada em favor de Israel.
Na terça-feira 8 de abril, enquanto era anunciado o frágil esboço de trégua na guerra, o jornal “The New York Times” publicou uma contundente reportagem intitulada “Como Trump levou os EUA à guerra com o Irã”. Com base em depoimentos de testemunhas oculares dos fatos, o texto descreve as duas reuniões críticas na Sala de Situação da Casa Branca, em 11 e 12 de fevereiro, nas quais a guerra foi discutida e decidida. Na primeira, o destaque foi a presença do premier israelense Benjamin Netanyahu, que levou a tiracolo o diretor do Mossad, David Barnea, e vários altos oficiais militares, que “venderam” aos estadunidenses a tese de que, após as sangrentas manifestações populares de janeiro, o regime de Teerã estava suficientemente fragilizado para que a sua “decapitação” em uma ação militar promoveria um levante popular capaz de derrubá-lo.
Na segunda reunião, sem a presença dos israelenses, o diretor da CIA John Ratcliffe, o secretário de Estado Marco Rubio e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, contestaram o prognóstico otimista, usando inclusive palavras incisivas, como “farsesco”, “bobagem” e outras.
Vance, que esteve ausente da primeira reunião, por estar fora do país, reiterou a Trump a sua posição contrária à guerra, mas afirmando que o apoiaria em qualquer decisão.
Um detalhe curioso foi a ausência de Tulsi Gabbard, a diretora de Inteligência Nacional, que, oficialmente, representa o consenso das 17 agências de inteligência dos EUA. Detalhe mais relevante, na medida em que um chefe de inteligência estrangeiro foi ouvido em detalhes sobre o seu plano mirabolante. E ainda mais intrigante, pela presença em ambas as reuniões do genro de Trump, Jared Kushner, e de seu amigo e sócio de empreendimentos imobiliários Steve Witkoff, que têm sido os seus “enviados especiais” para negociações críticas no exterior desde o início do seu mandato, mas não poucos observadores consideram como agentes de influência de Israel.
A longa reportagem do “NYT”, que já estava preparada há semanas, para ser divulgada no momento oportuno, ressalta a posição antiguerra de Vance e pode ser vista como um posicionamento de setores importantes do “Establishment” estadunidense, que têm no jornal um importante porta-voz midiático e parecem considerar o vice-presidente como alguém capaz de reduzir as turbulências que sacodem os EUA.
Em conclusão, Vance encabeçará a delegação estadunidense que irá a Islamabad, Paquistão, para discutir oficialmente a trégua com o Irã. Mas não estará só; com ele, estarão Kushner e Witkoff, em lugar, por exemplo, do secretário de Estado Rubio. Seja como for, parece que o recado do “Establishment” foi dado.
A reportagem do “NYT” está neste link: https://t.co/GMiRXkFjDv
@augustodefranco Com toda essa certeza, você deveria informar as agências de inteligência dos EUA, que desde 2007 afirmam que o Irã encerrou o seu programa nuclear militar depois que o aiatolá Khamenei emitiu uma fatwa contra armas de destruição em massa.
Expurgos estalinistas no Pentágono
As demissões de três oficiais-generais dos EUA, inclusive o chefe do Estado-Maior do Exército e o capelão-chefe da força, anunciadas ontem pelo secretário de Guerra Pete Hegseth, sugerem não apenas o expurgo de oficiais contrários a operações terrestres no Irã, mas também um nível de paranoia na cúpula do governo Trump que lembra os expurgos promovidos pelo ditador soviético Josef Stálin no Exército Vermelho, em 1937-38. Como o próprio presidente demonstrou em seu pronunciamento da véspera, seu governo está desorientado pelo rumo e a duração de sua guerra de escolha, que deveria durar alguns dias e já vai para a sexta semana, sem que o Irã aceite a sua derrota, como exige em seus “briefings” diários a porta-voz da Casa Branca, refletindo o alheamento da realidade de seu chefe. E, aparentemente, a resposta será dobrar a aposta com operações terrestres extremamente arriscadas.
Para completar o dia, também foi demitida a procuradora-geral (cargo equivalente ao de ministro da Justiça) Pam Bondi, por “motivos pessoais”.
Netanyahu, um Barrabás da era nuclear
As últimas declarações do premier Benjamin Netanyahu sobre converter Israel em uma “superpotência global”, uma “super-Esparta” nuclearizada, o apresentam como um falso messias que pretende expandir o império sionista à custa de vários países vizinhos com o delirante projeto do “Grande Israel”.
Mas se ele aprecia as comparações históricas, melhor seria começar por ele próprio, bem podendo ser comparado a Barrabás, que pretendia uma revolução social contra o domínio romano e nunca entendeu a natureza e o propósito da mensagem de Jesus Cristo, assim como Judas Iscariotes.
Aliás, os cristãos sionistas que ainda apoiam os delírios e a brutalidade de “Bibi” padecem das mesmas ilusões e merecem a mesma comparação com os dois personagens bíblicos.
Quanto a “Bibi”, seu projeto hegemônico já está sendo colocado em xeque (provavelmente, mate) pelos mísseis iranianos.