A gente se ilude com o tamanho do Brasil.
São 213 milhões de pessoas, mas o mercado real de quase todo produto é BEM menor que isso.
Pega um Spotify da vida, que qualquer pessoa com cartão de crédito poderia assinar...
No Brasil, cerca de 101 milhões de pessoas têm cartão de crédito, quase metade da população, esse já é o teto, não os 213 milhões.
Em cima de um produto de R$12,90/mês, dá um TAM (mercado total endereçável) de aproximadamente 1,5 bilhão de reais por ano.
Mais de 1 bilhão, só no BR!
Infelizmente eu não tenho Spotify, e talvez você tamb��m não.
Só que o TAM é um teto teórico, não o que você captura, ele serve pra dar noção de universo.
Não é à toa que muitos investidores olham isso de cara, e alguns nem analisam um produto com TAM abaixo de 1 bilhão de reais.
Vou usar o RepareCar, que sei de cabeça, mas você aí aplica para o seu.
No Brasil existem cerca de 118 mil oficinas, se eu olho só as de reparação mecânica, que é o meu público hoje, são por volta de 76 mil.
Esse é o TAM mais honesto.
No plano mais barato, esse universo daria algo perto de R$137 milhões por ano, só isso já me torna uma tese pouco sexy pra muito fundo.
Mas o número que importa não é o TAM, é o SOM, o que eu realmente consigo capturar.
O SAM (que tá ali no meio) é o pedaço que meu modelo alcança de forma realista, é cerca de 40% disso, perto de 47 mil oficinas.
Capturar 1 a 5% do SAM nos primeiros 36 meses me daria entre 470 e 2.350 oficinas, num cenário de 3%, são 1.414 oficinas, ou R$1,6 milh��o de ARR.
Só que o SOM não nasce desse percentual chutado igual eu fiz agora, ele vem da minha capacidade real de tração, ativação, suporte e retenção.
Em outras palavras, do meu CAC, da ativação, do quanto aguento de suporte e do meu LTV.
Hoje a gente coloca com tranquilidade 10 novas oficinas por dia, isso se eu tiver que fazer demo de 30 minutos pra todas.
Isso dá 280 por mês ou se preferir 3.360 por ano.
Sem contratar ninguém, isso seria cerca de 7% do meu SAM em 12 meses, subindo o alvo de R$1,6 milhão para perto de R$3,9 milhões de ARR.
O produto já está parcialmente validado por quem usa.
Então meu desafio agora não é o produto, é achar canais que tragam oficinas de forma consistente, com custo igual ou menor que meu CAC atual, ou subir meu LTV.
Esse é o meu gargalo hoje. Você não muda o teu TAM, ele é o que é. O que você muda é quanto do teu SAM você converte e retém, e é aí que mora o jogo.
Onde tá o seu gargalo?
Oi, pessoal! Tudo bem? 😊
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Meus colegas da usabilidade que me desculpem, mas UX não é sobre deixar as coisas fáceis.
Eu sei, toda vez que alguém encontra algo difícil de fazer numa interface diz algo como:
"Essa UX não está boa"
E isso PODE ser verdade, mas apesar da sigla literalmente significar "Experiência do Usuário" ela leva em conta 3 fatores que um produto precisa para ter:
1. Humanamente desejável = Pq se não servir em nada o usuário não há o que ser feito nele.
2. Tecnicamente viável = Pq se algo não dá para ser feito você pode usar a experiência para ajudar, pense no background loading que fez o Instagram parecer ser o mais rápido do mercado.
3. Financeiramente sustentável = E é aqui onde a maioria esquece que a experiência precisa servir.
E servir o negócio significa entender que ele precisa gerar lucro para continuar gerando aquela experiência.
Quando o Google te avisa que seu espaço para fotos tá se esgotando e depois só te deixa apagar uma por uma sem uma ferramenta inteligente para limpar espaço ela tá usando atrito como estratégia para vender o upgrade deles.
O atrito pode ser usado de várias formas.
1. Prevenindo erros = Você pode usar atrito pedindo que um usuário insira o nome do arquivo que estiver apagando definitivamente se isso for importante.
2. Para gerar senso de propriedade = Quando você tem algum trabalho personalizando um produto isso gera o efeito IKEA, onde você valoriza algo por ele ter seu esforço lá e parecer mais seu.
3. Para aumentar percepção de valor = Uma lista de espera, ou um programa fechado pode gerar senso de exclusividade em um produto, isso inclusive trazer mais pessoas exatamente pelo esforço.
4. Segurança = Desde exigir uma senha mais segura do seu usuário ou pedir que ele utilize um 2FA podem gerar algum atrito na vida do seu usuário, mas em contrapartida reduzir a vulnerabilidade daquela conta.
5. Por diversão = Já fez um código tipo "cheat" em jogo que deixou as coisas tão fáceis que tiraram o brilho do jogo?
Pois é, isso não é a toa, as vezes algum atrito pode tornar as coisas divertidas e inclusive aumentar a retenção dos usuários, pensa por exemplo na forma que o Duolingo faz tudo com apenas um card de cada vez ao invés de informações mais complexas e teóricas.
Trabalhei no Paypal literalmente desenhando checkouts para os maiores ecommerces e marcas no Brasil.
Foram centenas deles, não tenho nem um número para precisar, eis um pouco do que aprendi:
1. No checkout menos é mais, cada input extra é menos conversão, peça o MÍNIMO que puder.
2. Checkout é o momento onde a maior parte dos drops acontecem (cerca de 70%), qualquer surpresa negativa nova é motivo para cancelar.
- Frete caro? Abandona
- Pagou frete? Abandona
- Taxa de serviço? Abandona
- Cobrou embalagem? Abandona tb.
Qualquer realzinho a mais deve estar embutido no produto, nunca em taxa extra escondida.
3. Mostre sua segurança, parece bobo, mas até ícone de cadeado escrito "compra segura" aumenta conversão.
4 . Se você tiver um desconto extra mostre no carrinho, essa ancoragem pode jogar a seu favor.
5. CNPJ ajuda a converter mais, o simples dado estar ali mostra uma empresa real para muita gente.
6. Quando possível use fotos do produto, mesmo se ele for digital, use sua imaginação.
7. Barreira e carga cognitiva são dois conceitos importantes, divida o que for possível
8. Quando no mobile use inputs apropriados (Ex: Teclado numérico para inserir telefone).
9. Sim, você pode meter prova social no checkout e dá diferença.
10. Teste, essa é uma página como outra qualquer e diferentes ICPs terão diferentes percepções de risco.