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⚫️⚪️ | O Corinthians foi oficialmente notificado pela Polícia Civil de São Paulo em 26 de fevereiro, no inquérito que apura o envolvimento de dirigentes e funcionários do clube com grupos de cambistas. A investigação está sob responsabilidade da 4ª Delegacia de Polícia de Lavagem e Ocultação de Ativos Ilícitos por Meios Eletrônicos (DCCIBER-DEIC) e segue em segredo de Justiça.
Em resposta, o clube enviou um documento de seis páginas explicando como funciona a distribuição de ingressos. No entanto, segundo apuração da Gazeta Esportiva, a diretoria omitiu dados relevantes e confirmou práticas que ajudam a entender a dificuldade que torcedores enfrentam para conseguir bilhetes, especialmente os mais fiéis e adimplentes do programa Fiel Torcedor.
O Corinthians admitiu, por exemplo, que 7.298 ingressos são repassados a organizadas via o plano “Minha Torcida”, sendo 4.444 destinados apenas à Gaviões da Fiel. O clube também reconheceu o uso do login “Torcida 2”, que, segundo a diretoria, é usado em “jogos de maior apelo”, mas planilhas internas mostram que ele é utilizado em todas as partidas, liberando cerca de 1.200 entradas fora dos planos oficiais.
O clube ainda relatou à Polícia que o departamento de futebol pode dispor de até 1.500 ingressos por jogo, mesmo com um quadro de 96 pessoas (incluindo jogadores e funcionários). Isso daria uma média de 15 ingressos por pessoa. O setor “Minha Cadeira” também foi citado, com 3 mil ingressos, mas a diretoria omitiu que ao menos 180 dessas entradas têm saído como cortesias ou são vendidas por fora, sem passar pelo sistema do Fiel Torcedor.
Na partida contra o Santos, por exemplo, mais de mil ingressos de setores populares foram classificados como corporativos, quando em tese esse tipo de bilhete é destinado a camarotes, patrocinadores e parceiros. A reportagem apurou que até mesmo membros do clube social têm tido acesso a bilhetes fora da plataforma do Fiel Torcedor, com links de pagamento enviados por funcionários do clube, sem qualquer critério público.
Outra revelação preocupante é que o clube afirmou que todas as cortesias são nominais, mas documentos acessados pela Gazeta mostram registros como “Cortesia 1”, “Cortesia 2”, sem qualquer identificação pessoal.
O contrato do Corinthians com a OneFan, responsável pela gestão do Fiel Torcedor, também mostra inconsistências: o clube afirma que o plano abrange todos os ingressos disponíveis, mas no contrato, os setores “Minha Torcida”, “Minha Cadeira”, camarotes e ingressos de sócios do clube social não são contabilizados no Fiel Torcedor.
Nos últimos meses, as denúncias se multiplicaram. Torcedores registraram mais de 30 boletins de ocorrência por não conseguirem comprar ingressos, mesmo com planos atualizados e altos níveis de pontuação. As investigações continuam em andamento, e a Polícia pode convocar novos depoimentos nas próximas semanas.
📸 Rodrigo Coca / Ag. Corinthians