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#CensuraNaoTSE
Ninguém imagina o peso real de dar a cara a tapa até sentir a própria vida inteira exposta na ponta de um clique. Entre o primeiro turno e o desfecho da eleição, vivi os vinte dias mais assustadores da minha existência. Enquanto o país acompanhava o sufoco das pesquisas e assistia a uma máquina implacável tentando destruir a campanha do Lula, uma tempestade silenciosa me consumia por dentro. Eu não sou uma figura pública e esta rede social é o único espaço que realmente uso, mas foi justamente aqui que a minha consciência me impediu de ficar calado.
Foi por não suportar a omissão que mergulhei de cabeça na guerra jurídica daquele segundo turno. Eu não conseguia apenas assistir de longe, então acompanhava cada processo em tempo real, entrava nas ações, peticionava e fazia questão de trazer a verdade a público. Quando eu publicava aqui as petições e as decisões judiciais na íntegra, estava escancarando o que tentavam esconder nos subterrâneos do poder, e sei que muita gente grande detestou ver suas manobras expostas dessa maneira. O problema é que nos autos de um processo não existe escudo nem anonimato. Meu nome e meu sobrenome estavam lá, cravados em cada folha, permitindo que qualquer pessoa chegasse até mim e à minha vida com meia dúzia de cliques.
Essa vulnerabilidade não começou ali, ela era o ápice de uma conta que já vinha sendo acumulada lá de trás. Muita gente desconhece, mas eu e o André já tínhamos comprado brigas gigantescas em diversas ações populares contra Jair Bolsonaro, enfrentando desde as crueldades na pandemia até o indulto a Daniel Silveira. Foi essa mesma recusa em cruzar os braços que nos levou, mais tarde, no dia 8 de janeiro, a pedir a cassação do Ibaneis Rocha. A gente sabia o que precisava ser feito, mas cada nova assinatura nossa nos processos parecia desenhar um alvo maior nas nossas costas.
O que transformava essa exposição em puro terror era saber exatamente com quem estávamos lidando. Por ter amigos jornalistas e advogados, as conversas de bastidores sempre chegam até mim e a gente acaba descobrindo o que nunca sai na imprensa. Mais do que isso, eu conheço o advogado do Queiroz lá do episódio de Atibaia, o que me fez enxergar de perto como funcionam as entranhas e os bastidores da milícia. Eu sabia quem estava do outro lado daquela trincheira. Não eram adversários políticos comuns fazendo campanha, era gente tomada pela raiva, gente perigosa que tornava o risco à nossa integridade física absolutamente real e palpável.
O preço de carregar essa verdade vinha cobrar a conta quando a noite caía e a casa inteira silenciava. Durante o dia, eu vestia a armadura da coragem para sustentar a firmeza aqui, mas de madrugada eu desabava. Foram noites intermináveis em que o sono simplesmente não vinha e o medo me sufocava. Eu chorava escondido no escuro, mordendo o choro e engolindo o soluço para que ninguém ao meu redor acordasse ou percebesse o tamanho da minha angústia. Era uma solidão cortante carregar aquele pavor em silêncio, tentando proteger quem eu amava enquanto esperava o amanhecer sem saber o que poderia acontecer conosco pelos próximos 4 anos.
Porém, o pesadelo finalmente acabou. Olhar para trás e perceber que atravessamos aquela escuridão traz uma paz que mal cabe no peito. Se tudo isso que estamos vivendo agora for um sonho, por favor, não me acordem. Valeu cada lágrima engolida e cada noite em claro, porque a esperança derrotou o medo e o povo venceu.
A vitória lançou Lula à uma posição de liderança mundial semelhante a de Mandela, e o Brasil ao centro do debate geopolítico, como exemplo de luta democrática.
Não foi pouca coisa.