Carta Aberta de Adriano Leite Ribeiro, Adriano Imperador, ao portal @TPTBrasil.
- A morte do meu pai mudou a minha vida pra sempre. Até hoje é um assunto que ainda não consegui resolver. E pra tu ver como são as coisas, a merda toda começou aqui, na comunidade que eu considero tanto.
A Vila Cruzeiro não é o melhor lugar do mundo. Muito pelo contrário.
É perigoso pra caramba. A vida é dura. As pessoas sofrem. Muitos amigos precisam seguir outros caminhos. Olha pro lado que tu percebe. Se eu for parar pra contar todos os conhecidos que já se foram, a gente vai ficar aqui falando por dias e dias… Que papai do céu os abençoe. Pode perguntar pra qualquer um aqui. Quem tem a oportunidade acaba indo morar em outro lugar.
Nada a ver com a confusão. A bala entrou pela testa e ficou alojada na nuca dele. Os médicos não tinham como remover. Depois disso, a vida da minha família nunca mais foi a mesma. Meu pai passou a ter convulsões frequentes.
Tu já viu uma pessoa sofrendo um ataque epiléptico na tua frente? Ah, então não queira ver, negão.
É assustador.
Eu tinha 10 anos quando meu pai foi baleado. Cresci convivendo com as crises dele. O Mirinho nunca mais conseguiu trabalhar. A responsabilidade de sustentar a casa caiu toda nas costas da minha mãe. E o que ela fez? Se virou. Contou com a ajuda dos vizinhos. A família representou. Aqui todo mundo vive com pouco. Ninguém tem nada sobrando. E mesmo assim, minha mãe não ficou sozinha. Sempre tinha alguém dando uma força pra ela.
Um vizinho apareceu com uma caixa grande de ovos, certo dia, e falou: “Rosilda, vende para levantar um trocado. Assim você consegue comprar um lanche para o Adriano”. Só que ela não tinha dinheiro para pagar o vizinho. “Não se preocupa, irmã. Vende os ovos e depois você me paga.” Era assim, cara. Te juro.
Outro vizinho arrumou um bujão de gás pra ela. “Rosilda, vende esse aqui. Metade é seu, metade é meu.” E lá ia a minha mãe tentar descolar mais um trocado trabalhando duro todo dia. Meu pai ficava em casa. E minha mãe correndo por dois, enquanto minha avó me levava para os treinos.
Uma das minhas tias conseguiu um trampo fichada e que dava tíquete-refeição. Ela entregava os papeizinhos para a minha mãe. “Rosilda, é pouco, mas dá para pelo menos comprar um biscoito pro Adriano.”
Sem essas pessoas eu não seria nada.
📷: Sam Robles/The Players' Tribune
Perca o hábito de beber. Muitas vezes, associamos o ato de beber a momentos de lazer ou celebração, mas isso pode condicionar nossa mente a querer álcool em todas essas situações. Pergunte a si mesmo: você realmente precisa de álcool para se divertir?