Nelson Rodrigues previu a mediocridade da Inglaterra logo após o título roubado deles.
Nessa coluna, ele tira um sarro do "cronista que foi à Inglaterra e quer fazer do futebol brasileira uma miserável colônia do futebol inglês". Mais atual impossível.
Os jogadores notaram na hora o toque da bola na câmera, no jogo da Inglaterra. A imagem mostra uma trajetória super esquisita, o jogo teve uma dinâmica super incomum (ela cai limpa para um jogador, sem disputa), tecnologia independente aponta variação no movimento.
Mas a tecnologia da Adidas disse que a bola não mexeu. Então vamos confiar cegamente nela, contra todas as evidências, de novo.
Ta todo mundo errado. A única certa é a tecnologia da bola, a infalível.
E assim se decidem dois jogos-chave da Copa.
Aproveito esse gráfico maravilhoso para dizer algo que vem me incomodando há um tempo: a cobertura esportiva no Brasil parece ter parado no tempo.
E a Copa do Mundo é o maior espelho disso.
Esses dias, um ex-diretor do SporTV criticou o canal por ter deixado de ser vanguarda, ter perdido a identidade. E acho que o problema não tá só no canal. Longe disso.
Ao menos o que acessei durante a Copa até aqui é tudo muito igual, pasteurizado. Em texto, vídeo, redes sociais. É a mesma cobertura que se fazia em 2010, mas pior, com menos braços e menos tempo/liberdade para conteúdo de fôlego.
No vídeo, é mesa redonda/sofá em 90% do tempo. O resto é fala povo. Às vezes sai uma coisa legal, tipo a entrevista do pai do Vozinha, mas não é todo mundo que nasce com o carisma do Tiago Medeiros ou do Defante.
O GE deu um furo mundial, hiper relevante, mas a pauta praticamente morreu aí (li um bom texto no UOl sobre a coletiva pré-jogo, pra ser justo).
Mas não lembro de nada que eu tenha visto e pensado: "caralho, que legal". Tem os bons especiais do O Globo, que já tem sido vanguarda há um tempo, mas que fica restrito aos assinantes e acaba não influenciando outros veículos.
Os melhores repórteres viraram comentaristas e têm que participar de trocentos programas e gravar um milhão de vídeos e ver não sei quantos jogos. Óbvio, não sobra tempo para um grande furo.
As redações têm sido enxugadas e, na falta de braço, ninguém tem o direito de fazer uma matéria de fôlego. Tem que produzir em volume. Para atender as métricas de audiência, os canais ficam horas e horas no ar com conteúdo repetitivo e não dá tempo de produzir conteúdo original.
É debate, polêmica, debate, polêmica. E quem quiser algo diferente que vá consumir conteúdo na gringa.
Acho muito que a gente precisa rever a rota. Todo mundo. Mas se ninguém reconhece o problema nem tá afim de conversar sobre, aí fica bem difícil.
0 - Since the introduction of yellow and red cards at the 1970 edition, no player has ever received a red card and gone on to play in his team's next match at the FIFA World Cup.
Unprecedented.
Only a low IQ non-technical person thinks that a wireless sensor inside a ball with a shitty polling rate that is kicked around for hours is precise enough within low millisecond range to register a string of hair on the ball’s surface, yet magically immune to the pressure wave of someone missing it by 2mm and do all of this over the air in real time across hundreds of meters.
It's an accelerometer. It picks up vibrations and pressure changes from EVERYTHING nearby, even it hitting an insect in the air, then FIFA decides which spike counts as a ‘touch’.
Como alguns não entederam, cabe uma nota: eu gosto muito mais de futebol do que de um clube de futebol, e o futebol de clubes anda extremamente enfadonho, modorrento, burocrático, repetitivo, não há comparação com o jogo de seleções que estamos vendo, de qualidades cristalinas.
🇧🇷 A primeira vitória de virada num mata-mata desde Brasil x Inglaterra de 2002
A primeira vitória de virada num mata-mata depois do intervalo em todo o pós-guerra
out of the 495 possible outcomes of the world cup group stage, the one which ended up happening is the one designated by FIFA before the tournament as "Option 67"
Esse final de Áustria x Argélia foi igual aquele evento de luta livre que o cara quebra a cadeira na cabeça do outro e surge com uma motosserra no ringue.
Todo mundo fica uaaaaau e depois os dois tão "nossa, que roteiro inédito que nós fizemos!" nos bastidores.