Não anseio por acertos de contas, nem por um perdão que talvez eu sequer julgue merecer. O que desejo é mais simples e sagrado: a paz de ser feliz. Agradeço àquela que fui, pois ela entregou cada gota de sua alma ao que acreditava. De peito aberto e alma limpa, eu me despeço.
Não jogo fora o passado por rejeição, mas por reverência ao futuro que me espera. Deixo de lado os fragmentos do que vivemos para que eu possa, finalmente, respirar o novo. Sei que partes de quem eu já fui sempre habitarão em mim, feito cicatrizes silenciosas.
Estou cansada de caber em espaços pequenos, de me sentir rasa quando sei que sou abismo. Estou exausta de esperar a minha vez de ser intensidade, enquanto a vida passa em tons de cinza.
É estranho como você ainda mora em mim.
Agora me afogo em memórias que não sabem partir, lembranças que pesam, que queimam, que insistem.
Se eu já não te quero mais, por que você ainda me atravessa?
Por que meu coração ainda repete, em segredo,
que eu te queria tão perto de mim?
Eu me sinto perdida dentro de mim mesma, nos meus sentimentos e pensamentos. Sinto como se estivesse deslocada da vida, apenas seguindo sem saber exatamente para onde ir. Não sei em que momento me perdi, nem quando vou me reencontrar, mas espero que essas dúvidas, se dissipem.
Eu me olho no espelho esperando me sentir mais quente,
mas nada do que vejo parece suficiente.
Talvez o problema não esteja na imagem refletida,
mas no peso das vozes que ecoam na minha vida.
Quem sabe um dia eu me olhe e sinta, de repente, que ser bonita é só ser gente.
Eu me olho no espelho e não me sinto bonita,
me encaro e não vejo nada que grita.
Eu me olho no espelho e não me sinto atraente,
procuro em mim algo diferente.
O que me fere, não são palavras duras, mas a indiferença, esse vazio gelado que se instala nos gestos de quem não vê, não sente, não se importa. E diante disso, uma vontade imensa de chorar, não por fraqueza, mas porque existe uma dor que só o silêncio entende.
Há um nó na minha garganta. Um peso silencioso que me aperta por dentro, como se eu carregasse lágrimas antigas que nunca souberam cair. Sinto-me deslocada, como se nenhum lugar realmente me abrigasse, como se eu estivesse sempre de passagem, mesmo quando parada.
É estranho essa sensação de que algo se desfaz sem nunca ter existido de verdade. Como se um sonho que eu nem tive tempo de sonhar por completo estivesse escorregando pelas minhas mãos. Fico tentando encontrar onde foi que me perdi onde foi que nós nos perdemos, ou a ideia de nós
Talvez eu tema a rejeição. Talvez eu tema a entrega. Talvez seja o medo de me perder em você e não saber mais voltar. Mas, apesar de tudo, eu ainda te quero. E, se eu não fugir antes, talvez um dia eu tenha coragem de ficar.
Eu te quero e te temo na mesma intensidade. Quando penso em te tocar, minha pele se aquece, mas minhas mãos hesitam. Meu coração dispara ao imaginar teus lábios nos meus, mas algo dentro de mim recua, como se o desejo e o medo fossem forças opostas me puxando ao mesmo tempo.
Eu queria mais… Mas percebo, pelo suspiro das tuas palavras, que seremos apenas aquele instante roubado (o instante em que meus lábios encontraram os teus, saciando, por um breve e eterno segundo, um desejo que há tempos dormia em mim.
O desejo no olhar é uma chama silenciosa que comunica sem palavras, carregando uma promessa intensa. O beijo apaixonado é a expressão desse desejo, uma entrega onde se mistura urgência e prazer. O toque, suave e perigoso, é o limite entre carinho e a perda de controle.
E nós ficamos, parados, na ruína do que construímos sozinhos. Quebrados, não pelo engano do outro, mas pela traição do próprio desejo. É um abismo que se abre dentro de nós: não pela falta de sinais, mas pelo excesso de significado que ousamos colocar onde só havia o silêncio.
Queria te escrever algo que fosse significativo, tanto pra mim, quanto pra você. Mas não consegui escrever nada que não me fizesse chorar, desesperadamente a noite inteira, até desmaiar de cansaço.
- LT