A Revolução Francesa e a decapitação das Carmelitas
17 de julho de 1794. Dezesseis religiosas carmelitas do convento de Compiègne foram acusadas e julgadas, sem processo jurídico, de fanatismo religioso e conspiração contra a República.
Quando foram presas, fizeram um voto de martírio, jurando sacrificar-se com alegria, em nome de Deus, para que a loucura da Revolução cessasse.
As freiras foram colocadas em carroças, e os revolucionários na praça vibravam com a chegada de cada uma delas. Porém, quando perceberam que eram religiosas, a multidão foi se calando até que se instaurou um silêncio absoluto.
Os revolucionários contratavam mulheres para “puxarem” os demais a gritar e comemorar as mortes na guilhotina, mas até elas se silenciaram.
O único som que se ouvia na praça era o das irmãs cantando Veni Creator Spiritus.
Nas execuções, foram as únicas, entre todos os condenados, a entrarem de corpo ereto, sem precisarem ser arrastadas de suas celas móveis. A Madre Teresa de Santo Agostinho, a mais velha de todas, pediu ao carrasco que a deixasse por último, para que assim pudesse dar seus conselhos finais às suas ovelhas.
O povo não acreditava no que estava vendo. Surge então uma voz no meio da multidão, que grita:
“Si ces femmes ne vont pas tout droit au paradis, alors il n’y a pas de paradis.” “Se essas mulheres não vão direto para o paraíso, então o paraíso não existe.”
Eram anjos, como descreveram as testemunhas oculares.
As carmelitas esboçavam um sorriso sereno no rosto diante do encontro com a morte, e o silêncio na praça só aumentava.
A Madre, mais velha, necessitou da ajuda dos carrascos para subir os degraus. Eles choravam, e ela lhes disse:
“Meus amigos, eu vos perdoo de todo o meu coração, tal como desejo que Deus me perdoe.”
A última guilhotinada silenciou o canto angelical da Madre, e a praça permaneceu em profundo silêncio.
Os frutos do martírio
Encontraram-se muitos registros do impacto que elas provocaram naqueles que presenciaram a fé dessas mártires ao se recusarem a negar Cristo. Alguns retomaram a prática na Igreja, outros se tornaram religiosos, e alguns fugiram da loucura revolucionária.
Dez dias depois, com a queda de Robespierre, encerrou-se o Reinado do Terror.
Viva Cristo Rei.