@lbertozzi Sim, exatamente. Revê a identidade, não o lance como um todo. Inclusive o Rafa até tweetou agora pouco q o lance foi parado meramente pra essa revisão dos cartões; a falta não foi invertida quando a bola voltou a jogo
@lbertozzi Mas realmente a regra fica meio ambígua pra esses casos, não? Se "apenas a identidade de quem cometeu a infração pode ser revista", então em tese poderia reverter o cartão do Read pro Almiron mas a falta originalmente marcada teria q se manter, supostamente
Sobre o OVNI no Paraná, só agora tive tempo de assistir aos vídeos e analisar o caso com a calma que ele exige.
Diante de toda a repercussão, vale olhar para as evidências disponíveis sob uma perspectiva científica e, claro, cética.
A principal evidência apresentada consiste em vídeos gravados à noite com um celular utilizando um alto nível de zoom, aparentemente digital.
Esse tipo de registro possui limitações importantes. Fontes luminosas distantes frequentemente sofrem distorções causadas pelo zoom, pela compressão da imagem, pela turbulência atmosférica e pelas próprias limitações dos sensores das câmeras.
Como consequência, objetos comuns podem parecer muito diferentes do que realmente são. Luzes de aeronaves, drones, balões, torres de comunicação, refletores, corpos celestes brilhantes ou outras fontes luminosas distantes podem adquirir uma aparência incomum quando filmados nessas condições.
Além disso, os vídeos não permitem determinar com precisão a distância, o tamanho, a velocidade ou a altitude do objeto. Sem essas informações, qualquer conclusão definitiva se torna impossível.
Outro ponto muito citado são os sons estranhos relatados durante o avistamento.
Mas relatos de sons incomuns possuem valor limitado como evidência. Ambientes rurais e regiões com relevo acidentado podem produzir ecos, reverberações e distorções acústicas que dificultam enormemente a identificação da origem de um som.
Também existem inúmeras fontes naturais possíveis, como aves, mamíferos, insetos e anfíbios, além de atividades humanas ocorrendo a quilômetros de distância.
Sem registros acústicos de qualidade e sem análise técnica, não há elementos suficientes para associar esses sons a algo extraordinário.
Também é importante lembrar que testemunhos, embora relevantes como ponto de partida para uma investigação, não constituem prova.
Décadas de estudos em psicologia demonstram que percepção, memória e interpretação são processos sujeitos a erros. Em situações de surpresa, medo ou expectativa, é comum que o cérebro complete lacunas com interpretações influenciadas por crenças, experiências pessoais e referências culturais.
Isso não significa que a testemunha esteja mentindo, nem estou sugerindo isso. Significa apenas que relatos humanos, por mais sinceros que sejam, não substituem evidências objetivas e verificáveis. Dizer “eu vi” não significa automaticamente que “é”.
Outro erro muito comum é assumir que OVNI significa nave alienígena.
Na realidade, OVNI significa apenas Objeto Voador Não Identificado. Atualmente, muitas instituições utilizam o termo UAP (Fenômeno Anômalo Não Identificado).
A palavra-chave aqui é “não identificado”.
Ela não significa “alienígena”. Significa apenas que a natureza do fenômeno ainda não foi determinada.
Historicamente, a maioria dos casos inicialmente classificados como OVNIs acabou recebendo explicações convencionais após investigações mais detalhadas, incluindo aeronaves, balões, drones, fenômenos atmosféricos, corpos celestes e erros de observação.
Do ponto de vista científico, existe uma enorme diferença entre afirmar “não sabemos o que é” e afirmar “é uma nave extraterrestre”.
E aqui chegamos a outro ponto importante.
A possibilidade de vida inteligente fora da Terra é levada muito a sério pela comunidade científica. O problema não é admitir essa possibilidade. O problema é concluir que um objeto luminoso observado no céu seja necessariamente uma nave interestelar.
A estrela mais próxima da Terra além do Sol, Proxima Centauri, está a cerca de 4,24 anos-luz de distância, aproximadamente 40 trilhões de quilômetros.
Mesmo uma nave hipotética capaz de atingir 99% da velocidade da luz — algo muito além de qualquer tecnologia humana conhecida — levaria mais de quatro anos para percorrer essa distância, considerando apenas a estrela mais próxima.
Além disso, seriam necessários avanços extraordinários em geração de energia, proteção contra radiação, resistência estrutural e navegação interestelar.
Nada disso torna civilizações extraterrestres impossíveis. Apenas mostra que uma visita interestelar é uma hipótese extremamente complexa e extraordinária.
A própria FAB já se manifestou sobre o caso.
Segundo a instituição, não houve detecção de objetos anômalos pelos sistemas de monitoramento aéreo nem registros compatíveis nos aeroportos da região.
Isso não prova que nada foi observado. Mas reduz a probabilidade de que se tratasse de uma grande aeronave desconhecida operando no espaço aéreo monitorado.
Diante de tudo isso, vale lembrar um princípio fundamental da ciência conhecido como Navalha de Occam: quando existem várias explicações possíveis para um fenômeno, a que exige menos pressupostos costuma ser a mais provável até que evidências indiquem o contrário.
No caso de Campo Largo, hipóteses como luzes distantes, fenômenos atmosféricos, drones, aeronaves, erros de percepção ou limitações da câmera exigem muito menos suposições do que a hipótese de uma civilização extraterrestre ter atravessado o espaço interestelar para chegar à Terra.
Isso nos leva a uma das frases mais conhecidas de Carl Sagan:
“Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.”
A visita de uma civilização alienígena à Terra seria talvez a descoberta mais importante da história da humanidade. Por isso, a evidência necessária para sustentar essa conclusão deveria ser igualmente extraordinária: múltiplos registros independentes de alta qualidade, dados instrumentais verificáveis, confirmações por radar e evidências físicas passíveis de análise.
Até o momento, nada disso foi apresentado neste caso.
O caso de Campo Largo permanece, na melhor das hipóteses, um fenômeno não identificado.
As evidências disponíveis atualmente consistem em relatos pessoais e vídeos noturnos de qualidade limitada, insuficientes para determinar a natureza do objeto observado.
Isso não prova que a explicação seja conhecida. Mas também não fornece qualquer evidência concreta de origem extraterrestre.
A conclusão mais compatível com o método científico é simples: não existem dados suficientes para saber o que foi observado.
Em ciência, admitir “não sabemos” é muitas vezes a resposta mais honesta e rigorosa que se pode oferecer.
As pessoas não se contentam com o amargor da vida e gostam de inventar situações hipotéticas (com problemas facilmente releváveis) pra poderem ficar descontentes tbm no mundo das ideias. Fascinante
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Boa sorte! 🍀
Parem de dizer que o Brasil “perdeu” a patente da polilaminina porque o governo não pagou.
Essa é uma das maiores fake news recentes sobre ciência no país. E tem muita gente inteligente repetindo isso.
em algum grau. Diante do trauma da fosfoetanolamina e da ânsia por heróis que o Brasil carrega, a única postura que fora demonstrada pela bióloga para superar tais estigmas é a torcida para que dessa vez, sim, funcionará. E infelizmente vilanizando quem é - corretamente - cético.
Assisti agora a entrevista completa da Drª. Tatiana Sampaio no Roda Viva. Se fosse para escolher uma única palavra para definir o programa, seria "decepcionante".
A impressão que tive é que, embora a convidada fosse uma professora doutora e líder de um projeto científico [+]
Claramente a doutora tem noção do procedimento científico devido. Diversas de suas colocações são mais sóbrias e reiteram tal posição. Importante que as tenha afirmado - assim como se retratado sobre a patente internacional - mesmo que colocações posteriores a contradigam, [+]