GRAVE: PM-SP é acusada de obrigar jovens presos a usar camiseta do PT em Piracicaba. Guilherme Derrite, senador eleito pelo PL e ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio, divulgou as imagens, via @monicabergamo https://t.co/Rjczwbobdu
Eu sou daqueles que acredita que responsabilidade fiscal é condição sine qua non para o desenvolvimento socioeconômico, em boa parte por questões de alocação eficiente de recursos e porque tenho horror à inflação.
Dito isso, há ajustes bons e ajustes ruins. Eu sinto que boa parte dos ajustes que a galera do mercado está pedindo está considerando apenas os efeitos de primeira ordem e contábeis, mas não os efeitos macroeconômicos.
E vamos deixar uma coisa bem clara, a gente vai ter que mexer na previdência, seja nos gastos, seja na receita, e vai ter que buscar uma racionalização melhor dos gastos sociais (eu, pessoalmente, defendo unificar todos dentro de uma renda básica cidadã com pontos, em que a transferência se dará em função de cada caso). Mas a forma e a intensidade importam muito.
E aí tem um problema enorme. Quando se bate o olho nos relatórios fiscais, de fato, gasto previdenciário é enorme e domina o orçamento, seguido de gastos sociais. Só que, isso se dá, em boa parte, porque política industrial está pulverizada em diversas mini-rubricas e, mais importante, muito forte no parafiscal. O mesmo vale pro agro e para incentivos perversos dentro do Simples Nacional.
A questão é, gastos sociais, como o Bolsa Família, possuem impacto multiplicador altíssimo, isso é, o efeito sobre o PIB corrente é bem forte. Gastos em educação e saúde afetam capital humano e produtividade, o que, por sua vez, afetam o crescimento no longo prazo. Já a política industrial, agrícola e de benefícios às elites deprime o PIB potencial, a produtividade e a alocação eficiente de recursos, que afeta o PIB corrente.
O problema é que a trajetória de estabilização da dívida depende de 4 fatores: a evolução do PIB real, a evolução da taxa de juros real, a evolução do resultado primário e a relação dívida/PIB presente. O ajuste fiscal que muitos no mercado estão pedindo e é o que o Flávio promete em portas fechadas (se ele vai entregar, eu duvido) afeta a trajetória de resultado primário apenas, mas pode deprimir a trajetória do PIB no longo prazo e, por mais que reduza r* via ancoragem das expectativas, pode levar a um efeito de segunda ordem que o aumente graças aos efeitos sobre produtividade, turnover no mercado de trabalho, volatilidade, etc. de forma que o ajuste no primário necessário para sustentar a dívida seja insuficiente e isso leve a um aumento na taxa de juros em t+2, de forma que a gente cai em um cenário a la Paulo Guedes: explosão da desigualdade e pobreza, crescimento qualitativamente ruim ou estagnação, erosão fiscal e a necessidade de usar inflação para erodir a dívida.
@FelipeTadewald Se o Pablo Marçal disse a gente pode cravar com 100% de acerto que é tudo balela. Agora assim, quem entrega seu rico dinheirinho pra um cara que acredita em Pablo Marçal vai ter mais rentabilidade no tigrinho