Enquanto se fala de exames e atrelados não se fala de 78 mil euros em estantes de livros, indemnizações à ex-CEO da TAP, do impacto da imigração e da falta de água em Almada.
Tal como na guerra na política a dimensão comunicacional pode ser determinante. Também é interessante observar quem é o alvo de quem.
☢️ Reflexão da Cooperativa: A era do Pós-verdade
A expressão já andava por aí, claro, mastigada em conferências, painéis e outros viveiros do género, mas há quem tenha a coragem de a pôr em cima da mesa despida de preconceito. A Teresa Nogueira Pinto fez isso. Atirou-a ali, nos estúdios da SiC Notícias, como um estalo bem assente nas ventas para quem quis apanhar.
A pós-verdade não é simplesmente a mentira. A mentira é muito artesanal. O relógio dos 21 milhões da Martins encaixa aqui. Pronto. A pós-verdade é mais fina. Não se limita a torcer a realidade; prepara-lhe uma maquilhagem moral, põe-lhe uma luz favorável e depois diz-nos sem vergonha na cara que aquilo não é propaganda, é responsabilidade social travestida de verdade absoluta.
⚠️Veja-se isto do tempo. Há calor? Pumba, é a maior vaga de calor de sempre. Mas "sempre", desde quando? Desde que Adão saiu à rua sem o panamá na mona? Desde que há estações meteorológicas, séries estatísticas e critérios minimamente decentes para avaliar? Não interessa. O "sempre" televisivo não é uma unidade temporal; é uma marreta emocional que arreia no telespetador sem dó nem piedade. É até o telespectador aceitar que uma tarde abafada em maio tem o mesmo estatuto metafísico do terramoto de 1755.
Agora já temos para esta semana o jato polar. Dito assim, parece que o céu mandou vir um F-16, cortesia do Trump, para bombardear os santos populares. O jato polar, pobre coitado, existe há muito tempo. Mas agora chega-nos embrulhado em linguagem de emergência, pronto a assustar neste grande teatro da ansiedade climática, que fervilha! Não se trata de negar que o clima muda, que há aquecimento, que há fenómenos extremos, que há dados e riscos reais. Trata-se é de recusar a conversão da meteorologia numa narrativa apocalíptica. Coisas diferentes.
A pós-verdade vive precisamente aí: não no facto isolado, mas na moldura. Um fenómeno normal pode ser vendido como anomalia bíblica. Uma série curta pode ser servida como eternidade. Uma variação atmosférica, perfeitamente aceitável num horizonte temporal mais larginho, pode ser apresentada como prova de que o mundo acaba depois dos 2 minutos de pub. Quem não aceita é um herege, negacionista, cúmplice do carvão, e inimigo das criancinhas a quem pretendemos estragar o planeta,
Na política, o mecanismo é igual, só muda o cheiro. A operação Imergente, com buscas na sede do PS e em autarquias de Lisboa e arredores, trouxe outra vez suspeitas, contratos, assessores, juntas, câmaras, amigos, empresas, favores, etc. Mas há uma coisa que já não depende de sentença, a encenação moral. Quando o caso toca nos virtuosos oficiais da nossa República, começa logo a contextualização para não dramatizar o cenário. É o sistema. É a judicialização da política. É a extrema-direita à espreita. É preciso cuidado muito com o populismo. É preciso não alimentar narrativas perigosas.
Traduzindo do pós-verdadês para português corrente! Se cheira a esturro nos nossos, não se acende a luz; ficamos no escuro da sociologia. De repente, aquilo que em qualquer adversário seria corrupção sistémica passa a ser um fenómeno complexo. O que noutros seria uma rede clientelar transforma-se em normalidade de quem governa há muito tempo. O que nos outros exigiria demissões,manifestos e o Pacheco Pereira a tremer de indignação em prime, nos socialistas é só uma gripezinha, chata, mas compreensível, sobretudo pela fadiga do poder. Tudo normal, portanto. E diz que pode acontecer a qualquer um!
➡️➡️E aqui a pós-verdade atinge a sua forma mais sebosa. Não é dizer que nada aconteceu. É pior. É sugerir que, se aconteceu, é normal. E se é normal, não convém dramatizar. E se não convém dramatizar, é porque dramatizar ajuda o Chega. Portanto, por uma elegante ginástica moral, o problema deixa de ser a falta de ética dos que se apresentaram durante anos como proprietários da decência pública. O problema passa a ser o eleitor que olha para a alternativa errada. Não a cangalhada do PREC, essa já está com os pés para a cova, cabe tudo num fraasquinho de formol. Estamos a falar do Chega, evidentemente, esse fantasma utilíssimo que serve para absolver tudo o que o sistema faz, porque qualquer crítica ao sistema pode, horror dos horrores, beneficiar quem está fora dele.
É uma chantagem perfeita. Primeiro degradam a confiança. Depois avisam-nos de que desconfiar é perigoso. Primeiro normalizam a promiscuidade. Depois explicam que denunciar a promiscuidade é populismo. Transformam o Estado na sua quintinha, assessorias, contratos e capelinhas. Depois aparecem a pedir responsabilidade democrática ao povo.⬅️⬅️
A pós-verdade não é a mentira que se conta, é a mentira que se permite. É a mentira que ganha estatuto de ambiente de base. É quando a indecência deixa de provocar escândalo e passa a merecer enquadramento para se tornar aceitável. É quando a mesma elite que vê fascismo num cartaz, apocalipse num dia quente e emergência civilizacional numa mudança de direção do vento, olha sem vergonha para os próprios alçapões.
⚠️Por isso o conceito é magnífico. Explica o nosso tempo como poucas palavras explicam, um tempo em que a verdade já não precisa de ser destruída; basta ser administrada. Uma gota de emoção aqui, uma pitada de medo ali, um rodapé histérico, uma indignação seletiva, uma absolvição preventiva, e pronto, a realidade entra bruta e sai domesticada à vontade de quem pode, como quer.
Para vossa eventual reflexão.
o dono da cooperativa
Nota: a Teresa veio para ficar.🤟
fotografia: SiC Notícias
✯🍉☭🚩 Este sobressalto patriótico da esquerda com a base das Lajes é ternurento, não é? Portugal, que durante o resto do ano é uma espécie de avaria histórica povoada por gente labrega, do café com cheirinho, do bigodes que carrega forte na mulher, cheio de preconceito, transforma-se subitamente numa virgem atlântica ultrajada sempre que aparece um americano numa esquina.
É bonito de ver. Estou comovido com este patriotismo!
⚠️É a mesma malta que olha para a cultura portuguesa como quem encontra bolor no frigorífico, que acha a tradição uma cena suspeita a puxar para o cringe, a bandeira uma cafonice do c@ralho, o povo uma massa bronca e a história nacional um cadastro em vários fascículos, século após século, descobre agora isto da soberania. Mas descobre-a com aquela virtude nacionalista muito específica lá deles de quem não está propriamente a defender Portugal; está só a usar Portugal para bater na América.
Este patriotismo não vem do peito. Vem do fígado!!
Atenção, escrutinar o governo é legítimo. Saber o que foi pedido, autorizado e em que termos é obrigatório. Portugal não é uma bomba de gasolina da NATO ao serviço do Trump com sotaque dos Açores. O problema é outro, é esta fúria selectiva, este nacionalismo em regime esporádico, que só aparece quando dá jeito ao velho ódio esquerdalho.
A esquerda não gosta de Portugal. Usa Portugal. Usa como se fosse tijolo para atirar à cabeça do eterno inimigo de estimação. O Portugal real, com portugueses reais, tradições reais, defeitos reais e uma cultura que não tirou uma licença woke , esse dá-lhes muita urticária. Mas o Portugal abstrato, vítima da América, esse, ui, já serve bem.
É por isso que este chinfrim das Lajes tem uma certa graça! Ver a esquerda a fazer-se de guardiã da dignidade nacional é como ver um pirómano preocupado com a manutenção da frota automóvel dos bombeiros!
Camaradas, amar Portugal não é berrar contra os americanos nas Lajes e depois passar o resto do ano a tratar os portugueses como material avariado. Isso não é patriotismo, é teatro, e daqueles mesmo baratuchos.
o dono da cooperativa
Aqui há uns meses tivemos discursos, intervenções e directos porque um actor levou um estalo à saida de um teatro. Hoje, 48 horas depois de um atentado terrorista que podia ter ferido/morto dezenas de pessoas incluindo mulheres e crianças temos futebol e fado.
Depois ficam surpresos que a polarização aumente e haja Trumps a governar.
⚠️ [A forma mais inteligente de genocídio é convencer uma sociedade a não ter filhos].
Reflexão da Cooperativa: Jessie Buckley, falou da filha, da maternidade, daquele caos lindo que não cabe nos manuais da virtude contemporânea.
Durante as últimas décadas a afirmação da mulher foi sendo, pouco a pouco, associada à distância, distância da família, da maternidade, até de vínculos que, curiosamente, sempre sustentaram a própria sociedade. Como se crescer implicasse necessariamente romper. Como se a realização tivesse de ser, por definição, um afastamento. Criou-se um equívoco elegante, o de que integrar dimensões diferentes da vida seria uma espécie de fraqueza, uma cedência, um resquício de um passado que convém deixar para trás.
Começou a desenhar-se um estranho pudor em relação ao que é essencial. A maternidade passou a ser tratada como uma escolha menor, ou pelo menos como uma coisa que exige justificação. Ao mesmo tempo, as alternativas ao modelo tradicional foram sendo celebradas com uma intensidade que, por vezes, dizia mais sobre reação do que sobre convicção. O amor passou a ser gay, a família, um conceito opressor do vil patriarcado.
E assim se foi construindo um cenário em que valorizar a família passou a ser antiquado, démodé, reacionário.
➡️Por isso é que o discurso da Jessie causou tanto desconforto. Não porque tenha sido radical, mas precisamente porque não foi. Porque recusou a lógica do conflito. Porque não colocou a maternidade contra nada, apenas a afirmou, inteira, sem pedir desculpa perante as outras mulheres por ser mãe, com orgulho. Feliz.⬅️
Há também um outro hábito progressista que convém tratar com alguma honestidade, essa tendência para generalizar o pior como se fosse representativo. Há homens maus, sem dúvida. Sempre houve, sempre haverá. Mas transformar a exceção em regra pode ser intelectualmente confortável, mas pouco sério, e muito menos útil. A vida continua a lembrar-nos uma evidência simples, que a qualidade das relações não depende de clichês, depende de escolhas. Escolher bem nunca foi uma forma de submissão, é, pelo contrário, uma forma exigente de liberdade.
Na minha opinião camaradas, o grande erro não foi a luta pelos direitos, inevitável e justa. Foi a tentação de redefinir valores substituindo respeito por validação, construção por confronto, complementaridade por competição. Como se a dignidade tivesse de ser conquistada contra alguém, em vez de ser construída com alguém.🥸
A família não é um conceito ultrapassado, nem uma relíquia para quem não conseguiu acompanhar o tempo. É uma estrutura imperfeita, como tudo o que é humano, mas estrutural, ainda assim. E dentro dela, homem e mulher não são adversários nem peças de um qualquer jogo ideológico. São realidades distintas que, quando bem alinhadas, se reforçam mutuamente. Há complementaridade, claro, mas há também uma espécie de redundância silenciosa, aquela capacidade de um segurar quando o outro falha, de um avançar quando o outro hesita. Não se trata de hierarquia, trata-se de equilíbrio. E esse equilíbrio assenta, inevitavelmente, numa base que nenhuma teoria consegue substituir, o Respeito.
Respeito por si próprio, antes de mais. Respeito pelo outro, que não é uma extensão de nós nem um inimigo a vencer. E respeito pelo próximo, também, porque a vida é intergeracional, eterna na perpetuação dos nossos próprios genes.
Para vossa eventual reflexão.
o dono da cooperativa
@Zeh_Gato@chateaufiesta De facto não percebo estes gajos… o que é que eles pensam? Que ajudam a equipa com isto? Querem fazer o inferno da luz de antigamente? Que tenham tomates e façam isso durante o “show de luz e som” quando os jogadores estão a entrar, mas não … até nisso são cobardes…
Paradoxos:
Aqueles que agora estão tão preocupados com um atentado terrorista em Portugal ou nas Lages são os mesmos que menorizam o patrocínio de terrorismo feito pelo Irão ao longo de 47 anos e que causou centenas de milhares de mortos.
@benficabygb este racismo no futebol é igualzinho aos guarda-redes atirarem-se para o chão. Haverá alguns que de facto estão magoados, mas todos sabemos porque é que a maioria o faz, mas… não se pode dizer nada porque nunca se sabe. É só não ter vergonha na cara e jogar com as regras…
@o_colecionador este racismo no futebol é igualzinho ao guarda-redes atirarem-se para o chão. Haverá 2 ou 3 que de facto estão magoados, mas todos sabemos porque é que a maioria o faz, mas… não se pode dizer nada. É só jogar com as regras e não ter vergonha na cara. Prove me wrong…
A direita pôs a esquerda a defender esse grande direito das mulheres que é usar burqa. E a esquerda cai nestas coisas que nem patinhos. A continuarem assim talvez sejam 20% do parlamento nas próximas legislativas.
Onde tem estado toda esta gente nos últimos 2 anos em Gaza ?
Só víamos mulheres pobres, crianças sujas e muito magras a pedir comer com um panela na mão aos gritos de fome.
Agora de repente aparecem estes matulões bem tratados e gordos, de onde?