O futuro é construído por nossas escolhas diárias, inconstantes e mutáveis. Cada evento influencia todos os subsequentes, por fim, o futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas um lugar que estivemos criando desde então
Tallis Gomes é menos alguém a ser levado a sério politicamente e mais um sintoma de uma direita monarquista intelectualmente simplória. No fundo, dá até certa pena ver gente assim sendo projetada para um debate para o qual claramente não foi preparada. G. Freire e sua turma têm alguma responsabilidade nisso.
Correção: podem até cair, mas não por isso.
A leitura personalista transforma tudo em coragem, covardia ou qualidade das nomeações. Kassio e Mendonça são mais interessantes como demonstração de um problema institucional.
O desenho brasileiro concentra poder em corporações capazes não apenas de proteger seus membros, mas de distribuir assimetricamente o custo do conflito. Quem avança amparado pelo bloco dilui o risco entre muitos. Quem rompe com ele concentra o risco em si.
Isso ajuda a entender tanto a disposição de Moraes e sua ala para ir para o pau quanto a dificuldade de produzir dissidência interna. Não é necessário supor coragem extraordinária de uns ou fraqueza extraordinária de outros. O sistema torna a ousadia coletiva barata e a dissidência individual cara.
Esse talvez seja o aspecto mais perverso do corporativismo institucional brasileiro. Ele não apenas protege depois do excesso. Ele reduz, antes dele, o preço esperado de cometê-lo.
Moraes vai cair porque apostou alto demais.
O bolsonarismo vai cair porque nunca foi forte o bastante pra sustentar o que pretendia construir.
E essa fraqueza também aparece nas escolhas que fez para o STF.
Kassio e Mendonça são sintomas de um projeto que chegou ao poder sem produzir a estatura institucional correspondente.
Fracos, inexpressivos, minguados...
No Brasil, uma foto de você cometendo um crime talvez não baste. Pedirão o vídeo. Com o vídeo, perguntarão pelo contexto. Com o contexto, pelas testemunhas. Com as testemunhas, pela cadeia de custódia. Com a cadeia de custódia, pela competência de quem produziu a prova. Com tudo isso, pela regularidade do procedimento que permitiu descobrir tudo isso.
E, se você ocupar a cadeira certa, chega-se à etapa final da sofisticação jurídica brasileira. Você participa da discussão sobre as regras pelas quais poderão investigar você e vota na solução processual que prefere.
Não faltam provas infinitamente. Existe um ponto a partir do qual a exigência de prova deixa de servir à descoberta da verdade e passa a servir à impossibilidade de descobri-la.
Moraes votou no procedimento que o alcança. Gilmar propôs mudar o procedimento que o alcança. Dino pediu mais tempo para decidir qual procedimento deve alcançá-lo.
O mérito, esse inconveniente, ficou para depois.
@luizcbasilio Há um salto enorme entre reconhecer influências esotéricas em Hegel e atribuir a elas a causalidade histórica dos totalitarismos modernos. Genealogia intelectual não é destino político, e analogia teológica não substitui demonstração histórica.
@luizcbasilio Belo texto. Concordo com a crítica ao risco de elevar categorias contingentes da física newtoniana ao estatuto de necessidade transcendental. Mas acho que Kant ainda estava menos preocupado com a estrutura do ser do que com as condições pelas quais organizamos a experiência
Seja radical, tenha princípios, seja absoluto, seja o que os burgueses chamam de extremista; dê-se sem contar ou calcular, não aceite o que se chama de “realidade da vida” e certifique-se de que você não é aceito por essa “vida”, nunca desista do princípio do combate.
O direito de apreciar a divina Arte é inerente ao homem, que, deleitando-se na beleza da mesma, pode, ainda que brevemente, estar livre das dores do mundo.
Sala São Paulo, 2021
Eventualmente, a vida inteligente se tornará principalmente digital, (exceto) possivelmente para a infraestrutura biológica de baixo nível necessária para sustentar a consciência humana.
Human degeneracy is imminent, each one flees as the ultimate alarm sounds: "it's the end!", cried the common man. We already knew it, we just did not know when.