O filme mais estranho que você nunca viu e que prova que o nonsense pode ser genial
Em plena década de 1980, longe do brilho épico de Star Wars, o cinema soviético apresentou uma ficção científica muito mais estranha e, talvez por isso, mais reveladora.
Em 1986, Georgiy Daneliya levou às telas Kin-dza-dza!, um filme que parece caótico à primeira vista, mas que esconde uma lógica própria, desconfortável e precisa.
Tudo começa com um evento banal que rapidamente sai do controle: dois homens são transportados para Pluk, um planeta árido onde nada funciona como deveria - ou talvez funcione exatamente como uma crítica exagerada do nosso próprio mundo.
Ali, status social depende da cor da roupa. Máquinas sofisticadas parecem feitas de restos. A linguagem se reduz a poucas palavras, como “Koo”, repetida até perder o sentido. E, acima de tudo, a empatia praticamente desapareceu.
A comparação com Mad Max surge pelo visual desolado; já o espírito lembra o humor caótico do Monty Python. Mas Kin-dza-dza! não é apenas uma soma dessas influências. Ele usa o absurdo como disfarce para algo mais sério: uma crítica silenciosa ao autoritarismo, às hierarquias arbitrárias e à lógica distorcida de sistemas fechados.
Talvez por isso tenha passado pela censura soviética sem levantar suspeitas imediatas. E talvez por isso tenha sobrevivido tão bem ao tempo.
Stanley Kubrick era obcecado por simetria e perspectiva. Ele preferia recriar ambientes inteiros em estúdio só para controlar cada linha do quadro: portas, móveis, janelas, tudo era pensado para cair exatamente no centro da composição.
Em O Sétimo Selo (1957), a Morte não é só ameaça. Ela é presença constante. A única certeza no meio da peste, da guerra, da dúvida. Bergman transforma a Morte em interlocutora porque, no fundo, é ela que dá contorno à vida.