"NÃO TENHO MEDO DE NINGUÉM!" Sabe qual é o problema dessa frase, Kim? Não é que ela seja mentira. É que ela chega tarde demais pra ser levada a sério por qualquer pessoa que tenha acompanhado a sequência dos seus atos nos últimos anos. Coragem tem um componente que nenhum marqueteiro consegue fabricar e nenhum grito em caixa alta consegue simular: o relógio. E o relógio é implacável. Em 29 de agosto de 2019, está registrado nos anais da Câmara dos Deputados, você subiu à tribuna e disse com a própria boca: "foi aprovado um destaque de minha autoria que basicamente derruba um veto parcial do Presidente da República". O destaque que você apresentou junto com o líder do DEM viabilizou a votação em separado que derrubou o veto à Lei 13.834 por 326 a 84, criando pena de 2 a 8 anos por denunciação caluniosa eleitoral, o dobro de um homicídio culposo. Você colocou nas mãos do sistema jurídico brasileiro um instrumento punitivo contra quem denuncia, e depois assistiu em silêncio enquanto o mesmo sistema usava instrumentos punitivos cada vez mais brutais contra jornalistas, contra influenciadores, contra cidadãos comuns que ousavam questionar o poder. Não estou dizendo que a lei era idêntica ao inquérito das fake news. Estou dizendo que você demonstrou com esse ato que a sua inclinação natural nunca foi proteger quem fala, foi punir quem fala errado segundo critérios que o próprio Estado define. E essa inclinação explica tudo que veio depois. Enquanto Moraes derrubava canais, censurava jornalistas e transformava inquérito sigiloso em instrumento de perseguição pessoal, você estava ocupado se autodeclarando "da direita antibolsonarista" como se isso fosse medalha de honra e não confissão pública de que o seu inimigo principal nunca foi o sistema que perseguia, era quem incomodava a sua marca política dentro da direita. Cada vez que você atacava quem denunciava os abusos do STF, cada vez que chamava de radical quem pedia impeachment, cada vez que fornecia a narrativa de que questionar o Supremo era antidemocrático, você dava ao sistema exatamente o que ele mais precisava: legitimidade vinda de dentro do campo adversário. Um editorial da Folha contra a direita vale pouco porque todo mundo sabe de onde vem. Mas quando alguém que se diz de direita repete a mesma narrativa, isso vale ouro, porque neutraliza a resistência interna e isola quem luta. Você fez esse serviço de graça durante anos, Kim, e fez com convicção ou com cálculo, tanto faz, porque o efeito prático é o mesmo. E agora que o Banco Master escancarou o que qualquer observador atento já sabia, que Moraes trocava mensagens com banqueiro fraudador no dia da prisão, que a esposa dele embolsa 129 milhões, que 35 senadores de 9 partidos assinaram CPI, que impeachment foi protocolado, que a convocação pra depor cara a cara já está na mesa, agora que o custo político de atacar Moraes caiu a zero e defender Moraes virou suicídio eleitoral, agora você aparece com letras garrafais gritando que não tem medo de ninguém e que vai pra cima de todos. Olavo identificava esse fenômeno com uma clareza que cortava como navalha: em toda crise existe o sujeito que passa a guerra inteira calculando e no dia que a vitória se torna inevitável aparece na linha de frente com um fuzil que nunca disparou reivindicando o heroísmo de quem sangrou de verdade. Esse sujeito é mais nocivo que o inimigo declarado, porque o inimigo declarado pelo menos você sabe onde está. Esse se infiltra entre os vencedores e corrompe a vitória por dentro, transformando em capital político próprio o sacrifício que outros fizeram enquanto ele assistia de camarote. Você não entrou na política pra combater bandido nenhum. Você entrou pra construir uma marca, e a marca sempre ditou cada posição que você assumiu. E a internet, Kim, essa mesma internet que você agora usa pra gritar em caixa alta, é a mesma que guarda cada vídeo, cada entrevista, cada discurso no plenário, cada destaque apresentado, cada posição tomada e cada silêncio calculado. Nada desaparece. E nenhuma quantidade de letras garrafais reescreve o que o relógio já registrou.
Hoje, 17 de setembro, é aniversário da invasão soviética da Polônia. Duas semanas após Hitler invadir o país, Stálin, com base no acordo estabelecido no Protocolo Secreto do Pacto Ribbentrop-Molotov, também entrou na Polônia.
As linhas demarcatórias já haviam sido definidas, mas o avanço relâmpago dos nazistas pegou Stálin de surpresa, obrigando-o a antecipar a invasão para alcançar a linha prometida no pacto.
A Polônia foi dividida em duas esferas de influência e, nos meses seguintes, ambos os regimes se empenharam em “decapitar” a sociedade polonesa: eliminaram intelectuais, o alto comando militar e profissionais liberais em todo o país. Além disso, iniciaram uma troca de prisioneiros: os soviéticos enviavam judeus poloneses e alemães étnicos para o lado nazista e recebiam, em troca, partidários e simpatizantes da causa comunista.
O mais irônico é que, embora os nazistas estivessem confinando judeus em guetos e assassinando inimigos políticos, muitos comunistas que migraram para o lado soviético ficaram tão assustados com a desumanidade do regime que fugiram de volta para o lado nazista.
Comunistas como Marian Spychalski e Władysław Gomułka fugiram para o lado nazista e conseguiram sobreviver à guerra. Na verdade, cerca de 5.000 de seus camaradas comunistas poloneses - praticamente toda a militância ativa do partido - já haviam sido vítimas dos expurgos de Stálin. Os únicos poupados foram aqueles que se encontravam em prisões polonesas e, mais tarde, em prisões nazistas.
Mesmo assim, os dois acabaram se tornando altos dirigentes do Estado comunista polonês do pós-guerra: Spychalski como ministro da Defesa e Gomułka como primeiro-secretário do Partido Comunista.
@Maiconmwx@saramacciel Pelo contrário, como pastor, entendo que será mais salutar para o processo de restauração que ele fique longe do lugar onde tem influência. É mais salutar tanto eticamente, como emocionalmente.
@LuizX60@taoquei1 Todos os dias venezuelanos atravessavam essas fronteiras sem nenhuma resistência deles e só agora eles se preocupam com "fugitivos do regime"? E isto é razão para avançarem além da fronteira sem qualquer comunicação prévia ou pedido de autorização?
@adrianodos75@taoquei1 Conversa fiada! Uma coisa é uma manifestação civil, outra, bem diferente elé um exercício militar que foi anunciado publicamente, no qual o exército invade o território de outra nação sem nenhum consentimento prévio.
@isabelagraton@eusoua_cin @khelvyad @kallipareios Não, desculpe, mas vc está enganada. Portugueses e espanhóis são considerados latinos pelos demais europeus. Esse fato é bem conhecido e beeeem anterior ao advento da IA.
@isabelagraton@eusoua_cin @khelvyad @kallipareios Portugueses e espanhóis não apenas são considerados latinos como são discriminados pelos demais europeus.