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📉 MOMENTO HISTÓRICO: Fim do Ciclo Secular Deflacionário: O Que Isso Significa? A I.A. não vai nos salvar?!
Escrevi sobre o mercado estar entrando neste momento na letra K (https://t.co/XYtLchFyBY) e comentei que estávamos nos aproximando de uma mudança profunda no regime macroeconômico.
Um ponto de inflexão que marcaria o fim da lógica anterior — onde imprimir dinheiro e cortar juros resolvia quase tudo — e o início de uma nova era em que essas mesmas ferramentas passam a gerar efeitos colaterais severos. A estrutura de crescimento baseada em dívida barata e estímulo infinito não apenas estava se esgotando, como se tornaria inviável. E que a tecnologia, por mais revolucionária que seja — inclusive a inteligência artificial —, não será capaz de impedir essa transição. Pelo menos, não no ritmo em que os desequilíbrios se acumulam.
Mas é ainda mais intenso que “apenas isso”. Porque estamos em transição não apenas de um regime inflacionário/deflacionário, mas de uma fase terminal do superciclo de crédito global, o que invariavelmente termina em colapso de ativos de risco seguido por um novo regime monetário. Como SEMPRE ocorreu ao longo da história e não, dessa vez não é diferente.
Agora estamos realmente perto disso, e pediram para explicar, logo, vou tentar - em um post - explicar forças gigantescas, o que é um desafio, mas vamos nessa. Vou dividir em etapas.
I) O Ciclo que Estamos Deixando para Trás
Por mais de quatro décadas, o mundo viveu um ciclo secular deflacionário — caracterizado por:
-Juros em queda constante
-Inflação estruturalmente baixa
-Crescimento com base em expansão de crédito barato
-Globalização barateando tudo
-Demografia jovem impulsionando consumo
-E, sim, também a tecnologia aumentando produtividade
Esse ciclo permitiu políticas monetárias extremamente acomodatícias, com bancos centrais podendo injetar liquidez quase sem consequências inflacionárias. O mercado se acostumou a isso. Esse foi o “normal”.
Mas esse ciclo está terminando.
II) O Fim do Business Cycle
Estamos diante do encerramento de um ciclo completo — o que se convencionou chamar de "business cycle" tradicional. Isso significa que não se trata apenas de uma recessão pontual ou de uma desaceleração passageira. O que se esgota é o modelo de crescimento cíclico baseado na combinação entre dívida crescente, política monetária afrouxada em tempos difíceis, e um retorno subsequente à expansão.
Esse modelo vinha funcionando por décadas, em parte porque as forças deflacionárias globais (China, demografia, tecnologia) permitiam que as autoridades estimulassem sem grandes consequências inflacionárias. Porém, agora entramos em uma fase em que:
-O endividamento atingiu níveis insustentáveis;
-A inflação é estrutural, não conjuntural;
-E a política monetária perdeu sua eficácia.
A cada novo ciclo, era necessário um estímulo maior para gerar o mesmo efeito. O sistema ficou viciado em intervenção. Até que… esgotou.
III) No fim as coisas aceleram
O que era exceção virou norma: injeção de liquidez, afrouxamento monetário, QE, salvamento de setores inteiros. A crise de 2008 foi o marco da transição: os bancos centrais deixaram de ser bombeiros para se tornarem a própria estrutura de sustentação da economia.
O que antes era uma resposta emergencial virou política permanente.
QE deixou de ser ferramenta pontual e virou política estrutural. Juros zero passaram de estímulo temporário a condição quase perpétua. O mercado passou a funcionar somente com base na expectativa de que haverá apoio — sempre.
Durante a pandemia, isso ficou escancarado: o mercado colapsou em março de 2020 e, em semanas, bancos centrais despejaram trilhões. O efeito foi imediato — uma alta parabólica nos ativos financeiros. Ali, ficou claro que o sistema havia se viciado em liquidez.
Mas agora os efeitos colaterais bateram na porta: inflação persistente, distorção de preços relativos, zombificação de empresas, bolhas em múltiplos ativos. Esse modelo não é mais sustentável. E o colapso fiscal que se aproxima será o ponto final desse vício.
**Importante observar**: antes de uma reversão tão profunda, os mercados costumam viver um último suspiro de euforia — um blow-off top, onde tudo parece funcionar, os valuations disparam, o otimismo volta a dominar, e as vozes mais cautelosas parecem deslocadas. Isso é característico dos momentos que precedem quebras sistêmicas. O risco maior não está no pânico, mas no otimismo irracional — na falsa sensação de que "dessa vez é diferente". E é exatamente isso que muitos setores estamos vivendo agora.
Fiz um post sobre a euforia que vejo no mercado, listei nas leituras complementares abaixo.
Mas hoje é assim: “Tá ruim? Só ativar QE”.
Isso NÃO é normal!
Não é normal o valuation atual de nada. Não é normal o nível de dívida de agora. Não é normal o volume de dinheiro emitido nos últimos anos. Não é normal existir uma “moeda” chamada fartcoin. Não é normal você estar doido para investir no meme que mais vai multiplicar, mesmo sabendo que ele é um lixo completo.
Não é normal investir em algo que não dá retorno nenhum, só pq no futuro o mundo terá mais dinheiro, e então alguém vai pagar mais caro de você.
Isso NÃO é normal!
Já estamos nos 45’ do segundo tempo, indo para o tempo extra.
IV) Como chegamos nisso de dinheiro fácil?
Vários pilares principais sustentaram o regime anterior, destaco três:
-China: o ingresso da China na OMC em 2001 criou uma gigantesca força deflacionária global. Mão de obra barata e produção em escala inundaram o Ocidente com bens acessíveis.
-Demografia jovem: baby boomers ativos, força de trabalho crescendo, consumo em alta.
-Estabilidade geopolítica e integração global: o mundo estava em paz relativa, e as cadeias globais funcionavam com eficiência.
Esses três elementos e outros, criaram um mundo onde o crescimento parecia eterno e fácil. Mas era um castelo de cartas apoiado em fundamentos que não apenas estão mudando… já mudaram.
V) O Que Está Acabando?
1) Demografia virou o jogo
Populações estão envelhecendo.
Força de trabalho encolhe.
Pressão inflacionária em serviços e saúde.
2) Desglobalização e protecionismo
Cadeias globais sendo substituídas por produção local.
Aumento de custos, tarifas e ineficiências.
3) Mudança energética estrutural
A transição para energia limpa é cara e essa energia também é mais cara.
CAPEX massivo = pressão nos custos.
4) Endividamento público insustentável
Mundo inteiro endividado, destaque para EUA com >120% do PIB em dívida.
Divida + Juro alto = explosão do custo fiscal.
O Tesouro dependerá do Fed para rolar a dívida. E isso é perigoso demais.
VI) A Era da Dívida Barata Está Morrendo
O modelo antigo funcionava porque:
-Inflação era baixa
-Juros podiam cair indefinidamente
-A dívida crescia mais lentamente que o PIB
-O sistema parecia sustentável
Agora:
-Estoque de dívida explodiu (privado e público)
-Juros não podem cair porque a inflação é estrutural
-O custo da rolagem virou um problema real
-O mercado está perdendo confiança na solvência fiscal
-O Fed está sem opção: se imprimir, inflaciona; se não imprimir, quebra
Esse é o beco sem saída sistêmico clássico. Um ponto em que qualquer saída óbvia… já não serve mais. E a única solução real vem de onde sempre veio ao longo da história: ruptura. Uma nova arquitetura. Um novo sistema. Mas antes disso, o que vem é dor.
VI) Mas e a IA? "Dessa vez é diferente?"
Essa frase é conhecida de ciclos de euforia. A tecnologia, sim, é transformadora. Mas:
-A internet não salvou a bolha .com de 2000
-A IA não vai salvar um sistema macro em colapso fiscal
-A IA não paga conta, na verdade, ela gera MAIS contas, MAIS investimento. Não a toa veja o que está ocorrendo com Nvidia.
Pense assim:
A IA reduz o custo de uma empresa, um call center por exemplo. Mas isso não impede:
• Um governo de imprimir trilhões.
• O sistema de saúde de encarecer com a população envelhecendo.
• A energia de subir porque as fontes renováveis ainda não têm base eficiente.
• Os juros de explodirem por falta de confiança fiscal.
A IA é parte da solução de longo prazo, mas não resolve a crise de curto. Aliás, em um primeiro momento, ela até piora a situação fiscal com seus CAPEX altíssimos e aumento de concentração de riqueza.
VII) E quais são essas forças que sobrepõem a IA?
1. Excesso de dívida → O sistema está sobrecarregado. Para manter a roda girando, governos terão que escolher entre:
• Quebrar (default)
• Inflacionar (mais provável)
• Subir impostos agressivamente (política suicida)
2. Mudança demográfica → Menos jovens trabalhando, mais idosos consumindo recursos do Estado. Isso gera inflação por desequilíbrio estrutural.
3. Desglobalização → O mundo está se afastando do modelo “China fabrica, o Ocidente consome”. Isso eleva custos de produção e reduz eficiência.
4. Transição energética → Trocar petróleo por energia verde custa caro no curto prazo. Energia cara = produção cara = inflação.
5. Perda de confiança fiscal → Quando investidores duvidam da capacidade de um país rolar sua dívida, exigem juros mais altos. Isso retroalimenta a inflação.
VIII) As 3 Fases
Aqui é suposição. Mas vamos lá, ainda que a IA realmente tiver o efeito que todos esperamos teríamos as 3 ondas clássicas
FASE 1: Inflação estrutural
Dívida alta, juros altos, fiscal apertado
Inflação causada por energia, protecionismo, demografia
IA ainda com impacto pequeno de redução de custos, e aumento de CAPEX
FASE 2: Deflação tecnológica
Supondo que realmente ocorra o esperado com a IA e mudamos o nível produtivo:
IA começa a demitir em massa, aumentar eficiência
Redução de custos, desemprego, desaquecimento da demanda
Economia em estagnação, estilo Japão
Sim, os preços estabilizam, e caem. Junto com a quantidade de empregos, junto com setores inteiros quebrando.
Será que sobrepõe todo o resto? Não sabemos. Sinceramente, acho difícil, mas não é improvável termos a fase 2.
FASE 3: ⚠️ Mas se tivemos a fase 2, isso tende ser seguido de uma reação inflacionária (dependendo da resposta política)
E ai teremos um tremendo aumento de pressão populista. O governo ficaria quieto? Se sim, ninguém se reelegeria. Logo, se os governos:
• Imprimirem dinheiro para socorrer desempregados (estilo renda universal (UBI) ou auxílios amplos)
• Aumentarem gastos públicos para conter a revolta social
• Acelerarem o endividamento para manter a economia respirando
👉 A inflação pode voltar pela porta fiscal.
Conclusão sobre a IA: Tudo que está distante não sabemos. A onda 2 é distante mas parece mais próxima. A onda 3 é ainda mais distante. O fato é, sim estamos em transição para algo novo no futuro. Mas algo já estourou no presente. O mundo que você conhecia em termos macroeconômicos está morrendo. O ciclo secular deflacionário está chegando ao fim, e com ele, todas as lógicas que aprendemos sobre como os mercados funcionam.
No curto prazo a IA será relevante, sim. Mas não o suficiente para conter as forças titânicas que já estão em movimento.
IX) Um Novo Regime Monetário?
Não vou entrar em outros elementos que vejo estarem sendo desenhados por baixo dos panos, já ficou enorme e é assunto complexo demais. Deixo para cenas dos próximos capítulos.
Só te digo que tem forças no mercado que enxergam isso, e querem se beneficiar, em detrimento de você.
Esse tipo de transição não é inédito. Ela costuma vir após uma grande contração de ativos, com falência de instituições e reestruturação das regras do jogo.
ENFIM...
Estamos vivos para assistir história se desenhar em tempo real diante dos nossos olhos.
Se seguir esses passos mesmo, será então fácil ir alocando de acordo? Não. Te asseguro que diante de você está a fase mais desafiadora de sua vida como investidor, fácil foi até agora. Não a toa temos o VIX em patamares nulos na maior parte do tempo. Não será assim, pós crash. Estamos perto? Sim. Mas é nesta fase final que se fazem a maior parte dos ganhos, afinal, é também a hora de maior risco. (claro: sempre os dois andam colados)
Aproveite para aprender. Tenho feito o meu melhor aqui para ajudar. Olhando as principais forças que movem o mercado em tempo real, pois sei quão crítico é o momento.
- Estou acertando o traçado macro? Pergunta para a turma que segue Mental Hedge.
- Estou acertando no micro? Pergunta para a turma.
- Será que mudo de opinião de hora em hora como alguns que parecem a telesena, entrando nas euforias, medos, etc? Já sabe né, pergunta pra turma?
Dei fundos, alvos, $BTC, $ETH, inicio de $Altseason, falo de micro, macro, países, moedas. Vou continuar acertando sempre? Isso te respondo: não. Mas enquanto estiver aqui vou ajudar, #cravandoeandando. Estarei para sempre? Não.
Entenda que este não foi um post de alvos, de mercado, de algo especifico, e sim de contexto. O resto já está postado no X. Se isso te interessa de verdade, compartilhe. Assim sei quem realmente valoriza essa leitura.
Ou ainda, o famoso: gostou e concorda? Compartilha. Se discorda diga o porquê.
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🧠 Aqui estão quatro leituras importantes que completam esse cenário:
💣 Por que o Japão é uma bomba-relógio global? → Leia aqui: https://t.co/gBpaHsX1Su
♟️ Xadrez 4D global e a armadilha monetária do Japão — como isso pode ser o estopim da próxima fase → Leia aqui: https://t.co/gBpaHsX1Su
🥇 Movimentações estratégicas no ouro e Treasuries — e o que Trump tentou evitar através de sua “falsa” guerra tarifária → Leia aqui: https://t.co/QHhBHG7tuY
📉 A Nova Era dos Juros Altos? Ou o FED será forçado a cortar porque o fiscal dos EUA não aguenta mais → Leia aqui: https://t.co/41e5DME9C7
🔍 As últimas análises sobre de onde viemos e sobre o momento que estamos — onde mostrei com antecedência pontos de virada no macro e no mercado cripto. Sem firula, com o “bagulho vai ficar louco” mais técnico possível → Leia aqui: https://t.co/1zsHZxU1RO
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