Qual o problema de uma pessoa trans usar o banheiro em paz?
Se for a possibilidade ínfima de alguém fingindo ser trans praticar violência sexual, cadê a comoção pra proibir que os inúmeros agressores "fantasiados" de padres ou pastores fiquem sozinhos com crianças em igrejas?
As estatísticas demonstram que esses casos são muito mais preocupantes e frequentes.
Aliás, até o número de pessoas que fingem ser trans para assediar alguém num banheiro é extremamente baixo. Quase zero. E ele é IRRELEVANTE no debate sério sobre a segurança de mulheres e meninas.
Sabem por que esse número é irrelevante? Porque um agressor sexual decidido a atacar alguém num banheiro não precisa fingir ser trans para entrar nesse banheiro.
Ele simplesmente vai entrar no banheiro, cometer um crime bárbaro e sair de lá como se nada tivesse acontecido.
E, pra vítima buscar justiça, ela vai precisar acionar a polícia pra TALVEZ preservarem as imagens de câmera de segurança externas, pra TALVEZ se importarem com o caso dela, pra TALVEZ investigarem, pra TALVEZ chegarem no agressor, pra TALVEZ ele ser indiciado pela polícia, processado pelo Ministério Público, julgado e condenado pela Justiça.
Não estou dizendo que é impossível uma mulher trans cometer uma violência num banheiro. Assim como não é impossível que uma violência seja cometida por uma mulher lésbica, por um homem gay, por uma mulher grávida ou por uma idosa. Nenhuma possibilidade é impossível.
Mas, no debate da segurança dentro de banheiros, todas essas possibilidades são estatísticamente irrelevantes. A maioria absoluta e esmagadora dos casos de violência sexual em banheiros são cometidos por homens cisgênero heterossexuais.
Mas a extrema-direita não pode combater homens abusadores, não pode apoiar a educação contra a violência de gênero ou mecanismos de defesa e acesso à justiça efetivos para mulheres e meninas. Eles perderiam muitos eleitores.
Restou o pânico moral e a pauta inventada. Desde quando o direito de determinada população de fazer um xixi em paz é um debate nacional?
Essa não é uma preocupação real do povo brasileiro. Mas como a extrema-direita é incapaz de atender às preocupações reais, precisam inventar problemas para oferecer soluções. Precisam colocar um alvo na testa de determinadas populações pra oferecer armas e ódio às outras.
E o que a atriz Cássia Kis fez foi justamente isso. Com um bônus: quem sabe assim ela deixa de ser esquecida e irrelevante até no bolsonarismo.
Meu mandato está à disposição da vítima para tudo que nos for possível.
A vítima foi perseguida na chegada ao trabalho. Ela entra no prédio correndo e passa por baixo da catraca para fugir do ex-marido, que aparece logo atrás.
🚨 URGENTE 🚨
O Senado deve votar HOJE o Projeto de Lei que criminaliza a misoginia.
Isso tem o potencial de coibir o machismo, o movimento red pill e colocar, no banco dos réus, quem propaga o ódio e a violência contra as mulheres e meninas.
Mas tem senador CONTRA a proposta, e toda a pressão é necessária nesse momento para garantir que um Projeto tão importante seja aprovado.
Primeiramente, era pra proposta de criminalização da misoginia já ter sido aprovada em outubro, 5 meses atrás.
Mas o grupo de Flávio Bolsonaro no Senado apresentou um recurso contra o que era para ser a última votação da proposta, fazendo com que ela tenha que ser votada novamente hoje, no Plenário.
Os senadores que assinaram o recurso foram: Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Marcos Rogério (PL-RO), Magno Malta (PL-ES), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Rogério Marinho (PL-RN), Márcio Bittar (União-AC), Alan Rick (União-AC), Carlos Portinho (PL-RJ), Jorge Seif (PL-SC) e Wilder Morais (PL-GO).
Sim, todos que apresentaram recurso contra a criminalização da misoginia são homens "de bem", da turma que agora finge se preocupar com a Presidência da Comissão da Mulher da Câmara.
E não são só eles que são contra a proposta. Eles são os que tiveram coragem de assinar o recurso.
O microfone do Senado aceita qualquer coisa, e a extrema-direita é sempre cheia de desculpas pra não combater a violência contra a mulher.
Por isso, cobre os senadores que assinaram esse recurso nojento nas redes sociais e faça press��o para que eles não tentem impedir a votação de hoje.
E, além disso, cada estado conta com três senadores, e é essencial que todo mundo cobre os senadores do seu próprio estado para que eles tenham a decência de enfrentar e denunciar a misoginia, o machismo, o movimento red pill e a crescente violência contra as mulheres do nosso país.
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Mário Quintana