Pregamos um Deus que resolve, que abençoa, que prospera, que cura, que liberta financeiramente. Tudo isso pode até estar parcialmente correto, mas é tragicamente insuficiente.
Resumindo: a submissão bíblica não é machismo com versículo. É estrutura com propósito. O problema nunca foi o texto. Foi o marido que leu só a metade que lhe convinha.
Bíblia aberta até o fim, meu irmão. Até o fim.
Submissão feminina." Duas palavras capazes de esvaziar um culto, incendiar um grupo de WhatsApp e render processos cancelatórios nas redes.
Mas e se o problema não fosse o texto bíblico, e sim a forma como ele foi lido por séculos?
O resultado quando os dois papéis funcionam como Deus ordenou? É fácil se submeter a quem nos ama de verdade. E é fácil amar quem confia em nós.
O casamento cristão não é campo de batalha por poder. É aliança. Aliança exige papéis, e papéis exigem humildade dos dois lados.
Quando Paulo descreve os tempos difíceis em 2 Timóteo 3, qual é a primeira característica que ele lista?
"Os homens serão amantes de si mesmos."
Não amantes de menos. Amantes demais. Philautoi. Afeto desordenado, virado pra dentro, sufocando todos os outros.
Agora pensa comigo.
Se o homem é assim por natureza, o que acontece quando ele tenta se amar ainda mais?
Está alimentando exatamente aquilo que a Bíblia identifica como o seu maior problema. É como dar açúcar a um diabético e chamar isso de tratamento.
Jeremias 17.9. O coração é enganoso e desesperadamente corrupto.
Romanos 3. Ninguém é justo, ninguém busca a Deus, ninguém faz o bem.
Catecismo Maior de Westminster, pergunta 25. Corrupção total. Não parcial. Nada de ilhas saudáveis no continente da alma.
O cristão olha pra isso e precisa fazer uma pergunta simples.
Isso é verdade?
A teologia reformada, fiel ao texto bíblico, sempre respondeu o que hoje soa quase ofensivo: o problema do ser humano não é amar-se de menos. É amar-se demais.
A receita é sempre a mesma. Mães que abortam porque não se amam o suficiente. Jovens que cometem crimes porque foram pouco valorizados. Casamentos que fracassam porque um dos dois não aprendeu a se amar primeiro.
E a solução vem embrulhada no mesmo papel: ame-se mais.