Musk tenta desestabilizar o governo brasileiro ao instigar manifestação em março com fake news, como se houvesse algum clamor irrefreável pela derrubada de Lula. Compartilhou imagens de tuíte mostrando manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016.
A interferência de Elon Musk fomentando em suas redes mobilização da ultradireita para impeachment de Lula representa um grave incidente diplomático Brasil-EUA, pois Musk ocupa cargo no governo estadunidense. Se comporta como o segundo na hierarquia governamental de Trump.
Governo Lula convive mal com os militares, como se viu na fala do Ministro da Defesa José Múcio no programa Roda Viva, segunda-feira, 10. Fala-se em troca de ministros e Múcio prestigiado, mesmo trombando a todo tempo com o governo que deveria respeitar.
"Opala do ex-presidente JK atravessou a pista e bateu em um caminhão'. "Adolescente morre em troca de tiros com a PM". Narrativas desse naipe povoam o imaginário de que nada disso aconteceu assim.
Dúvida? JK morreu pelas mãos da ditadura civil-militar? O dia 22/08/1976 com morte do ex-presidente JK e do seu motorista Geraldo Oliveira poderá ser reescrito com a reabertura das investigações pelo governo Lula,.
Com o mundo acabando em Fogo, Vento, Água, Fumaça governos terão que rever estratégia de fincar pé em 2 canoas. Tudo caminha para os extremos e o capitalismo resiste. Mas qual capitalismo?
No caso brasileiro, a explicação de crise no capitalismo mundo afora está simplificada e resumida na minuta do golpe admitida por Bolsonaro em seu discurso de 23 minutos na Paulista. A resposta da ultradireita ao colapso capitalista é ditadura golpista.
Fala-se em números extremos de bolsonaristas no ato em defesa da anistia pra Jair Bolsonaro. Negar que mais de 180 mil pessoas em 10 quarteiroēs da avenida não importam, é como imaginar que o boxeador aposentado não é capaz de enfiar a mão nas fuças do influencer.
Imaginar que vencer nas urnas seria o fim do bolsonarismo é não desconfiar que há mudanças há muito no mundo. A ultradireita saiu das sombras porque não há projeto de sociedade da esquerda dando respostas à crise do capitalismo. Há paliativos insuficientes para o caos social.
Daquele momento especial quando não há o que fazer diante do que não foi feito. A esquerda brasileira nas cordas diante de sua incapacidade de colocar 60 mil na Paulista na comemoração da vitória eleitoral em outubro de 2022. A saída é Lula chamar ato nas próximas semanas.
A conta de Bolsonaro é trabalhar pela anistia. Sua prisão depois do ato na Paulista pauta a ultradireita nas redes sociais, mobilizando bolsonaristas. O ato também tenta aglutinar bolsonaristas para as eleições municipais que são outra arena de disputa Lula versus Bolsonaro.
A prisão de Jair Bolsonaro por sua relação umbilical com a tentativa de golpe materializada no 8/01 precisa ser lenta e sustentável na perspectiva de que provas sejam irrefutáveis, inquestionáveis e apontem responsáveis e suas participações individualizadas. Defendem juristas.
Discursos no ato deste domingo podem ter passado do aceitável pelo STF. Bolsonaro confirmou que sabia da minuta do golpe. Uma prisão agora poderá alimentar o discurso de perseguição ao ex-presidente que se colocará como vítima.
Desse imbróglio mundial Lula repete que se trata de genocídio militares versus civis palestinos encurralados num canto de Gaza, um campo de concentração. Lula se diz apenas o líder do Sul Global. Pede passagem pra liderar um novo mundo. Qual?
Lula ocupa o vazio de grandes lideranças mundiais. Perceber o movimento sincronizado entre parte do empresariado e mídia hegemônica cercando Lula é escancarar que o Brasil é importantíssimo no jogo de poder mundial e não somente produtor de comida e matéria-prima. Um fazendão.
Joe Biden recuou de apoiar a guerra de Netanyahu com medo de comprometer sua reeleição e risco de derrotas no Congresso, como mais grana para matar palestino.