Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não esta nele. Porque tudo que há no mundo - as paixões da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens - não provem do Pai, mas do mundo. O mundo e sua cobiça passam, mas quem faz a vontade de Deus vive para sempre.
JOÃO 2:15-17
“A velha fórmula política, enfatizando os direitos do homem, parece decadente. Ao invés do individualismo, sinônimo de excesso de liberdade, e do comunismo, uma nova mentalidade para a escravidão, deve prevalecer a perfeita coordenação de todas as iniciativas, circunscritas na órbita do Estado; e as organizações de classe devem ser reconhecidas como colaboradoras da administração pública”.
- Getúlio Vargas
"A nossa tradição revolucionária, liberal, demagógica, é antes aparente e limitada a focos de fácil profilaxia política: no íntimo, o que o grosso do que se pode chamar "povo brasileiro" ainda goza é a pressão sobre ele de um governo másculo e corajosamente autocrático."
- Gilberto Freyre
"A quem obedece hoje a democracia? É ao interesse da maioria? A Erika Hilton representa a maioria do povo brasileiro? A agenda do PSOL é a agenda da maioria?"
- Aldo Rebelo
"Os nossos graves problemas sociais, as favelas, os meninos de rua, a prostituição, a fome, o desemprego, o tráfico de entorpecentes, a violência, o seqüestro, sem dúvida exigem solução, mas é ao governo e à própria sociedade brasileira, através de suas organizações, inclusive a Igreja, que cabe dar essa solução. Por ocasião da chacina de presos em São Paulo, na cadeia do Carandiru,74 veio ao Brasil um representante da Anistia Internacional que passou a interrogar pessoas, ouvir os presos, entrevistar o governador. Por fim, com espalhafato, ele concluiu seu relatório pessoal. Eu, por mim, não permitiria essa ação. Dir-lhe-ia:
"Vá cuidar do seu país! Aqui quem vai resolver o problema somos nós, e não vocês!" Não dou direito ao estrangeiro de vir aqui ditar regras do que devemos fazer com os nossos problemas. Nós é que temos que resolvê-los. Duvido muito da sinceridade dessa gente. Pode ser que eu esteja apaixonado nessa questão, mas não rezo por essa cartilha"
- Ernesto Geisel
"O Sertão é mais do que um lugar: é uma revelação. Nele, o homem é reduzido ao essencial, e a vida aparece sem máscaras. O Sertão é o palco onde o Brasil mostra sua alma. A paisagem é dura, mas nela mora a poesia. A miséria é grande, mas nela vive uma dignidade antiga. O Sertão é a nossa porta para o mistério. É nele que a alma brasileira se prova, se purifica e se reconhece.”
- Ariano Suassuna
“Nossa preocupação é que o Brasil tenha um projeto de retomada do crescimento integrado para o país. Ele só volta a crescer com investimentos, mas o público está dificultado pela situação fiscal e o privado travado por uma crise de confiança e burocracia”
- Aldo Rebelo
A NOBREZA HIPÓCRITA NA CRENÇA E DEFESA ABSOLUTA NA JUSTIÇA - O CURIOSO CASO DE FLAMENGO x LIBRA E SUA COBERTURA ...
Antes de entrar no tema, é preciso esclarecer: não sou advogado, embora seja doutor, e tampouco sou jornalista esportivo. Entendo, inclusive, que a denominação “jornalista esportivo” não é legítima. Deveria ser apenas “jornalista”. Jornalistas famosos, hoje no esporte, já trabalharam em outras áreas. Jornalista é jornalista.
Com isso em mente, aqueles que hoje cobrem esportes e constroem sua profissão e fama no futebol deveriam compreender a importância do aspecto esportivo nesta disputa.
Vejamos o caso do Cuiabá, que não faz parte da Libra. Segundo @venecasagrande, o clube de Mato Grosso tem a receber trinta e seis milhões de reais apenas dos times grandes de São Paulo. Acredito que, na briga para subir de divisão, uma injeção desse valor faria diferença.
Agora imaginemos que, depois de passar pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), o Cuiabá receba, ao final deste ano, sendo muito otimista, esse montante, mas, infelizmente, não consiga a promoção para a Série A, onde esteve por alguns anos. O custo de uma perda desportiva nunca é totalmente reparado pela justiça.
Quando observamos os clubes da Libra e o inacreditável combate ao bloqueio, fico dividido entre ignorância, incompetência, falta de caráter ou falta de ética profissional.
Cabe um esclarecimento: como não sou jornalista, não posso falar sobre o código de ética da profissão, mas posso tratar do tema sob um sentido mais amplo. Tenho certeza de que me entendem.
No início de 2025, quando Bap assumiu o comando do Flamengo, a grande contratação do time de maior receita da América do Sul foi um jogador desconhecido que atuava no Azerbaijão. A razão disso foi a incerteza sobre a situação financeira do clube.
Portanto, há uma evidência forte de que o recebimento de seu quinhão dos trinta por cento referentes à audiência seria usado de maneira prudente.
Vejamos os demais clubes da Série A. O Palmeiras bateu todos os recordes de contratação de sua história, é bem gerido e não sofre com a chamada asfixia do bloqueio financeiro.
O São Paulo alegar asfixia fala mais sobre a gestão do clube do que sobre o ato do Flamengo. É impossível olhar para um elenco que recentemente contratou Oscar e Lucas Moura e culpar o Flamengo por problemas financeiros. Parece piada.
O Atlético Mineiro ainda carrega parte de um elenco caro. Por anos, gasta mais do que arrecada, endividou-se em 2020 e 2021, foi comprado por aqueles que lhe emprestaram dinheiro, fez muitas vendas, mas ainda tem jogadores caros e segue contratando nomes como Alexsander, Ruan e Reinier, para citar alguns.
Time asfixiado não contrata como atlético ainda o faz e não matém jogadores caros no elenco.
O “coitado” do Santos, ainda não se sabe como, contratou muitos jogadores e por vontade própria mantém a sua cabeça dentro de um saco plástico e uma corda em volta do pescoço em processo de asfixia voluntária chamada de Neymarasfixia. Acusar o Flamengo de asfixia em um time cuja gestão contrata e mantém os jogadores que tem parece outra piada.
O Bahia é uma SAF do Grupo City, e esse bloqueio não cai na prova. O mesmo vale para o Red Bull Bragantino.
O Grêmio sofre de masoquismo: aceitou uma divisão na qual é o segundo maior perdedor, apenas depois do Flamengo, e mesmo assim trouxe William e Arthur Melo. Difícil de entender.
Sem conhecer profundamente a gestão do time baiano, deixo aqui a minha solidariedade ao Vitória, único clube que talvez esteja sofrendo de verdade e de forma legítima.
O parágrafo acima refere-se à responsabilidade e à perda esportiva que o Flamengo teria. Entendamos juntos: o Flamengo, recebendo o dinheiro, não criaria dívida e contrataria apenas se pudesse.
Enquanto isso, boa parte se não todos os citados acima, em vez de pagar o que devem, o que de fato os asfixia, contrataria mais jogadores usando um dinheiro que o Flamengo acredita ser seu.
Não há como não defender o bloqueio.
Quando alguém é contra o bloqueio, está indiretamente avalizando gestões históricas que realmente asfixiam os clubes no Brasil, e não este bloqueio do Flamengo.
Nesse embate, vemos jornalistas discordando, sem argumentos sólidos, do bloqueio e discorrendo sobre a crença na justiça brasileira, mas sem se referir a perda desportiva, além de vermos jornalistas criando narrativas de assinaturas fantasmas em documentos apresentados pela metade, talvez mais férias sejam necessárias.
A perda desportiva causada por um gol feito por um jogador contratado com esse recurso não será reparada pela câmara arbitral.
Pergunto-me como ainda preciso explicar isso a quem vive do futebol.
Talvez, se eu fosse advogado, o fizesse com mais sucesso.
As posições anarcocapitalistas ou libertárias do Renato Trezoitão, que resvalam na normalização da pedofilia e da zoofilia, na crítica da Lei Áurea, e daí para baixo, não são posições exóticas ou desviadas em sua seara ideológica - sobre isso, basta ler Murray Rothbard.
Rothbard, como é notório, era convictamente um imigracionista, um abortista, além de defensor do comércio de órgãos, da venda de bebês, da escravidão e daí para baixo. Para ele, a sociedade não é nada além de um contrato entre indivíduos e a figura do "contrato", como formalização da vontade livre, possui um caráter absoluto que não pode ser mitigado por qualquer terceira instância sob pena de violação da liberdade e de insegurança jurídica.
Mas mais importante do que apontar para isso, é necessário rechaçar os esforços de liberais, social-liberais e liberal-conservadores de se afastarem dessas posições do ancap em questão, como tem ocorrido nos últimos dias.
E isso porque a diferença entre as posições do Renato Trezoitão e as posições dos vários outros tipos de liberais brasileiros é uma diferença de grau, e não uma diferença de fundamento.
Os anarcocapitalistas são simplesmente consequentes e imoderados em sua defesa da liberdade individual negativa e do primado do indivíduo e do caráter estritamente contratual das relações sociais, princípios que também são centrais em todas as outras variações do liberalismo.
A própria história do liberalismo (que é, simplesmente, a história da Modernidade) tem como peça central o desdobramento de um processo de "autolibertação" do indivíduo em relação a todas as obrigações, pertencimentos e limitações que violariam a sua liberdade negativa, começando pela revolta contra a Igreja e o Rei para culminar na revolta contra a biologia.
O liberalismo/Modernidade empreende uma (contra)revolução em todas as dimensões da existência humana, desenraizando e atomizando a pessoa, tecnificando e mecanizando a comunidade orgânica, dessacralizando o espaço, despolitizando o próprio Estado - tudo em prol dessa concepção de "liberdade" que não é senão a ausência de limites, fronteiras, proibições, supervisões, controles e impedimentos.
Já se deixou suficientemente claro que para os Antigos essa concepção de "liberdade" não tinha nada de livre. A "vontade" de um viciado de se drogar não é livre porque ela é condicionada por compulsões interiores. Tal como, por extensão, não é livre a vontade do trabalhador que pactua um contrato de trabalho em péssimas condições por medo de morrer de fome ou ser despejado.
Na concepção ancap, porém, a expressão de vontade de alguém pendurado na beira de um precipício é fundamentalmente livre "porque sim" e deve ser respeitada à risca.
Mas todas essas possibilidades mais antissociais do anarcocapitalismo já se fazem potencialmente presentes mesmo no liberalismo clássico e nas versões mais moderadas e centristas do liberalismo político, porque mesmo as primeiras expressões do liberalismo já comportavam essa revolta titânica contra o mundo da Tradição, buscando arrancar as suas fundações e, com isso, arrastar o cosmo na direção do Nada.
Veja-se, por exemplo, a posição kantiana em relação à autonomia dos filhos, ou como a "tábula rasa" lockeana representa um desenvolvimento importante para todos os antiessencialismos pós-modernos. Mais revelador ainda é como a confluência de ideias entre Foucault e Friedman transborda precisamente em posições muito próximas do anarcocapitalismo (sobre isso, necessário recordar/apontar que o Foucault tardio havia concluído que o liberalismo tinha um papel revolucionário na destruição das estruturas de dominação biopolíticas já descritas e criticadas por ele).
A "liberdade absoluta" tão cara tanto a Foucault e aos neoautonomistas quanto aos anarcocapitalistas e aos neoliberais do day-trading é precisamente o tipo de Anti-Ordem que temos visto emergir das profundezas do inferno para se plasmar como status quo.
É a politeia reduzida a espaço nivelado em que cada cidadão está reduzido a lobo do outro, em uma guerra sem fim apenas ocasionalmente mitigada por relações contratuais. Não há aí distinção entre virtude e vício, racional e louco, justo e injusto, tudo é apenas a livre troca de experiências, relações, bens, capital e lugares.
As defesas liberais de "moderação" (ou seja, aqueles que dizem que "um outro liberalismo é possível" e que "o liberalismo não se resume a isso") devem ser solenemente ignoradas porque graças à tendência de todas as instituições e projetos à entropia, sabemos que o liberalismo "moderado", "responsável", "cidadão", também eventualmente culminará na legitimação de todos os processos de desintegração social.
Sobre isso basta testemunhar como os liberais "moderados" da direita estadunidense estão sempre abraçando as piores tendências tanto do wokismo quanto do libertarianismo, desde que tenha passado tempo suficiente para que todos já tenham se acostumado às mudanças.