Agarrou os pulsos do irmão por reflexo, apertando da mesma forma que o mais velho apertava o tecido.
— Covarde sim, porra. Fica jogando a culpa disso tudo nas minhas costas sendo que você não tinha o culhão de olhar pra nossa família e falar que não era aquilo que você queria PRO SEU FUTURO — tentou se soltar e quando foi jogado na cama, levantou tão rápido quanto e parou na frente do mais velho, o encarando com ódio.
— Você não é esse anjo todo que acha que é não, porra. Se você é um idiota que se esconde no meio do mato pra fugir da realidade, o problema é só seu. Quer uma notícia? Se você não existisse, papai e mamãe encontrariam outro jeito de continuar com o sítio, então não, Itsuki, você não é o salvador da pátria, só é um covarde que não assume o que quer. Eu NUNCA te pedi pra assumir nada no meu lugar, você abre mão das coisas porque é mais fácil e você sabe disso.
Saiu do quarto pisando fundo, espumando de raiva e entrou no próprio, batendo a porta com força.
— Nos dois? — deu uma risada exagerada — Se você gasta a sua grana com álcool e festa a culpa não é minha, Itsuki. Eu tô bem consciente de onde tô colocando meu dinheiro pra conseguir sair desse fim de mundo.
O rosto de Kaito ficava vermelho conforme ia ouvindo o irmão, a raiva sempre subia e parecia que nada mais fazia sentido, tudo virava uma ofensa e, mesmo odiando discutir, acabavam daquele jeito.
— Não foi uma pergunta, Itsuki. Você já veio me acusando de consumismo, como se fosse um capricho meu precisar dessas coisas. — Apontou pra ele enquanto aumentava o tom de voz. — E quer saber? Eu devo ser mesmo uma criança mimada e individualista, mas é melhor ser assim do que um covarde hipócrita igual você. Eu não queria a porcaria do seu dinheiro, queria a companhia do meu irmão, mas agora eu quero que você pegue essa hipocrisia e vá pra puta que pariu também.
— Você acha que eu não sei como é difícil conseguir dinheiro, Itsuki? Eu trabalho tanto quanto você pra conseguir minha grana.
Levantou agora completamente irritado. Toda vez era a mesma coisa, Itsuki o tratava como se fosse um irresponsável mimado, ou então como uma criança.
— Quer saber? esquece essa merda, não preciso da sua companhia pra nada não, se for pra ficar enchendo o meu saco é melhor não ir mesmo.
— Comi sim. — Mentiu na intenção de mudar logo de assunto, mas a fala do irmão a seguir o irritou mais do que a cobrança pra se alimentar.
— Consumista? Primeiro que eu não tô usando dinheiro seu, Itsuki, só tô pedindo pra ir junto comigo. E segundo que se tô falando que preciso de um novo tênis, é porque eu preciso, quer o que? Que eu traga os tênis aqui pra você ver a sola deles?
Respondeu no mesmo tom, talvez um pouco mais irritado, já que o irmão sempre vinha com esse papo de consumismo.
Revirou os olhos e deu risada, abraçando as próprias pernas.
— Eu tô bem também, Itsuki, obrigado por perguntar.
Resmungou baixo com o peteleco, esfregando a própria testa por alguns segundos antes de ajeitar a postura.
— Não são tão novos, faz uns dois ou três meses que vim comprar, eles já não são tão bons mais. — ergueu os ombros — então preciso de novos.